Fala
Sua fala e gesto têm um impacto extremamente profundo na minha alma.
Vejo que nosso mundo não é igual, não é algo que me assuste, mas é algo que me traz dúvida.
O seu amor seria o mesmo que o meu? Ou seria uma idealização de quem você conheceu?
Eu sinto suas dores dentro de mim, pois elas fazem parte de mim também.
Mas será que nosso mundo pode colidir e causar uma explosão cósmica na qual não sobre nada além de poeira?
Sotaque não se corrige — se celebra.
É raiz que fala, memória que respira,
é a terra moldando a palavra
na boca de quem a carrega.
No chiado leve do Rio de Janeiro,
no ritmo firme de São Paulo,
na doçura mansa de Minas Gerais,
no vento aberto do Rio Grande do Sul,
e na cadência viva do Pará,
onde o falar carrega rios, florestas e histórias —
há vozes que não cabem na gramática,
mas vivem inteiras na identidade.
Cada fala é um mapa invisível,
um retrato que não se desenha,
mas se ouve.
Não há língua mais certa que a outra,
há caminhos diferentes para dizer o mundo.
E em cada som, em cada jeito,
o Brasil se reconhece plural.
Valorizar o sotaque
é reconhecer o outro —
e, no eco da diferença,
descobrir que somos muitos
e ainda assim, um só.
Deus o que foi que nós combinamos mesmo? Me fala de mansinho, sussurra em meu ouvido. Não quero ser o único autor da minha história.
Se eu precisar escolher, prefiro perder a razão do que perder a paz. Quem fala de mim não conhece meu coração, mas Deus conhece cada detalhe.
Julgar é fácil, amar exige entrega.
Enquanto falam de mim, eu escolho orar por quem fala.
Minha paz vem do alto e não depende da aprovação de ninguém.
A música que me traduz
(refúgio em forma de som)
A música fala — e, com isso, me inspira, mesmo quando vem em outras línguas ou até sem letra. Eu a sinto e a entendo.
A música simplesmente me abraça, me acaricia e permanece comigo, nas melhores e nas piores horas.
Há momentos em que não aprecio o que está escrito, mas sim a batida que, juntas, elas representam. Em meu coração, são fortes e certeiras.
Ela me alivia, me acalma e me inspira.
O Gigante de Argila
No ímpeto do encontro, o tremor me invadiu,
Diante do homem-muro, a fala se partiu.
Eu, que das palavras faço ponte e morada,
Fui silenciada pelo nada, na alma intimidada.
Vi em seu olhar a poeira da indiferença,
Onde a dor do outro é sentença ou ausência.
Eu levava o cansaço e o peso da agonia,
Ele, o título frio que de humano nada trazia.
Especialista em normas, mas analfabeto do ser,
Usa a praxe do descaso para não se comprometer.
Dono de um mundo pequeno, cercado de poder,
Não vê que a própria vaidade o impede de crescer.
Na despedida, o gelo tentou me contagiar,Pensei em ser fria, pensei em também me fechar.
Mas me diminuir? Nunca.
É no lutar que me refaço,
Recolho meus dados e ocupo o meu espaço.
Basta da opressão dos que se acham gigantes,
Medíocres que ignoram os corações pulsantes.
Lamentável é o cargo que não conhece a empatia,
Pois quem não sabe cuidar, na verdade, se esvazia.
Poesia de Islene Souza
A Fala do silêncio
O silêncio fala de uma forma poderosa
Capaz de expressar sentimentos intensos
Como o amor, a sabedoria, ou a dor silenciosa, descontentamento e até mesmo sem consenso.
O silêncio comunica mais do que palavras.
Ele não é a ausência de linguagem,
Uma pausa significativa que às vezes agrava.
Outras vezes, demonstra falta de coragem.
Existem momentos confortáveis a dois,
Onde um olhar ou um abraço substitui a fala,
Demonstra confiança e intimidade, pois,
O amor assim não se cala.
O silêncio nos traz a reflexão,
Parar e processar pensamentos,
Necessário para organizar a razão,
E decidir com bom fundamento.
O Silêncio de Dor e Solidão
Representa vazio, medo e tristeza
Age como escudo na depressão,
Não se pode tratar com menor desprezo.
No silêncio Deus também nos fala,
É fiel e também responde
Ele faz ouvir sua voz e não se cala.
A resposta vem e não esconde.
O silêncio é linguagem complexa
Exige escuta ativa para ser compreendido,
Revela a essência verdadeira e não perplexa
De uma fala que não é conhecida.
Raimundo Nonato Ferreira
Janeiro/2026
De todos os animais da criação, o homem é o único que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada que dizer.
"O trilionário de verdade ouve com o coração e fala com a sabedoria de quem sabe que todos têm algo a ensinar."
