Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
Deus não elimina as tempestades, mas garante que sua âncora interna seja mais forte que a fúria do mar.
A fé me ensinou a esperar, mesmo quando tudo parece tardio, o tempo de Deus não falha, e quando chega, chega perfeito.
É um milagre sutil e constante saber que Deus nos segura justamente pelas rachaduras, pois é nesse lugar de quebra, dor e fragilidade máxima que o processo de reconstrução mais sublime se inicia. Em momentos de silêncio absoluto, onde desmoronamos e sentimos que ninguém percebe a nossa luta interna, a visão Dele permanece clara e atenta, sendo Ele a única força a nos levantar quando as nossas próprias reservas se esgotam. Fomos treinados na marra da vida, aprendendo na dor, crescendo na queda e amadurecendo no caos, e é essa experiência que hoje nos torna firmes e inabaláveis. Mesmo que por vezes falhemos com a fé, a graça Dele nos mantém e nos constrange para o crescimento, provando que a fé não falha, mas é a única corrente capaz de nos libertar das nossas prisões internas e devolver-nos ao eixo. Por isso, a cada renascimento e a cada cicatriz profunda, agradecemos, pois sabemos que a vida tirou o supérfluo para nos entregar o essencial, resiliência, coragem e a fé que ressuscita, fazendo-nos renascer onde outros desabam.
Existe um Deus que faz morada nas cinzas e tem o poder de ressuscitar o que estava morto, transformando o luto em dança e a tristeza em uma nova melodia de vida. Ele é o Mestre que não risca nada do papel quando os nossos planos falham, pois Seus projetos são mais altos e Seus sonhos para nós são maiores do que os nossos mais ousados rascunhos. A história de vida que parecia ter chegado ao fim é apenas o prelúdio de um novo tempo de graça, onde o que foi perdido será restaurado e o que parecia impossível será a prova viva do Seu poder.
O amor de Deus é o único que não se intimida com a minha escuridão. Ele entra onde ninguém mais ousa tocar, ilumina onde nem eu quero olhar. Seu silêncio não é ausência, é cuidado que respira devagar. E nesse respiro encontro a força que não sabia possuir.
O povo se curvou e orou fervorosamente ao deus de néon que eles criaram, ignorando a verdadeira visão da escuridão.
Às vezes, sento-me diante de Deus e não digo nada. O silêncio é a única oração que minha exaustão consegue formular.
Deus deve ter um carinho especial pelos que choram escondidos no banheiro, abafando os soluços com a toalha para não interromper a janta dos outros. É nesse silêncio úmido que a santidade se manifesta, longe dos altares e perto das misérias que nos tornam humanos.
Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.
Há noites em que sinto a alma caminhar por corredores invisíveis dentro de mim, como se Deus permitisse que certas dores permanecessem apenas para que eu jamais esquecesse a profundidade daquilo que sobrevivi.
Às vezes, Deus silencia não para nos abandonar, mas para nos ensinar a escutar aquilo que o barulho do mundo nos impedia de perceber.
Quanto mais contemplo a imensidão do universo, mais me assombra o fato de que Deus ainda encontre espaço para habitar um coração tão ferido quanto o meu.
Não busco um Deus que me tire da luta, mas um que me devolva a coragem de atravessá-la sem me desmanchar.
Deus não se explica, mas sim, sente-se no coração a Sua presença como o vento suave e doce para a alma.
