Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade

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O interesse explica os fenômenos mais difíceis e complicados da vida social.

A diligência é a mãe da boa sorte.

Não falar para o seu século é falar com surdos.

A poesia é a linguagem natural de todos os cultos.

O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo.

Não há livro tão mau que não tenha algo de bom.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

A vida tem uma só entrada: a saída é por cem portas.

O que ganhamos em autoridade, perdemos em liberdade.

Por mim, teria evitado casar até mesmo com a sabedoria, caso ela me quisesse.

Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.

Neblina? ou vidraça
que o quente alento da gente,
que olha a rua, embaça?

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

A mais sutil loucura é feita da mais sutil sensatez.

A tortura é uma invenção maravilhosa e absolutamente segura para causar a perda de um inocente.

Os acontecimentos políticos humilham e desabonam mais a sabedoria humana que quaisquer outros eventos deste mundo.

Todos reclamam reformas, mas ninguém se quer reformar.

Mors Amor

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

A razão também tiraniza algumas vezes, como as paixões.