Fabio de Melo Acaso Deus Felicidade
Sabedoria de Preto Velho
Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida. Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano. Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos. Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que diz amar. Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso. Então, meu filho, você não perdeu ninguém, não perdeu nada. Perdeu, talvez, a oportunidade de aproveitar a experiência e aprender a amar de verdade. Esse sentimento de perda é o maior atestado de uma alma egoísta. Ame mais, meu filho. Liberte, liberte-se e procure ser feliz. Mas, pelo amor de Deus, deixe os outros prosseguirem e, assim, encontrarem também o seu caminho. Ainda que seja do outro lado da vida.
Tenho seguido a Cristo por oitenta e seis anos sem que ele tenha me feito mal algum; por que eu haveria de negá-lo agora?(ao dizerem seus algozes, que o bispo de Esmirna escaparia com vida se negasse a Cristo)
Soneto XXXVIII
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,
perfeitamente, exatamente iguais...
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!
Nunca precisei fingir estar amando um outro alguém, até porque eu não conseguiria fingir estar feliz quando na verdade há uma dor dentro de mim, choro por não te ter... E seria em vão viver uma felicidade que não existe. Atuar! Não é comigo.
*Exatamente pela luta do meu sonho de ser feliz que resolvi deixar pra trás tudo entre nós. Você está enxergando em mim, uma felicidade que não existe... (Você sempre consegue errar duas vezes pelo o mesmo motivo).
Eu quero ver o sol atrás do monte
Eu quero ver o brilho que ele traz
Eu quero ouvir de novo a Sua voz!
O histérico não enxerga o que está diante dos seus olhos, mas o que é projetado na tela da sua imaginação pelo medo e pelo ódio.
O homem normal gradua o medo pelo tamanho do perigo. O histérico avalia o perigo pela intensidade do medo que sente.
Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;
Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;
Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:
Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.
Se a sua prece não é forte o bastante para aliviar as tentações do pecador, não tente camuflar a sua própria fraqueza humilhando o infeliz com conselhos impraticáveis.
Eu me lembro que ainda muito jovem li as memórias de Goethe. Goethe era um sujeito que achava que nós deveríamos cumprir todas as nossas obrigações para com a sociedade. Porque nós temos de ser superiores a ela, não inferiores. Se nós consentimos que a sociedade nos marginalize e nos derrube, então nós seremos seus escravos.
Eu tinha muita amizade com o doutor Juan Alfredo César Müller. Ele era um sujeito goetheano. A ética que ele seguia era a do Goethe, baseada em três coisas: o homem deve ser digno, prestativo e bom. O dr. Müller era a encarnação dessas três coisas, era digno, prestativo e bom. Você não pode fugir das suas obrigações sociais. Claro que, às vezes, você as cumpre imperfeitamente. Mas você não pode fugir delas, porque se você fugir, você se enfraquece. E se você se enfraquece, você torna-se uma vítima inerme da pressão. Você tem de se esforçar, tentar fazer o máximo para que seja mais forte do que a pressão da sociedade, não mais fraco, jamais uma vítima.
Goethe fala de sua ética do trabalho em seu livro de memórias "Poesia e Verdade" e nas "Conversações com Goethe", escrito por seu secretário, que teve a prudência de anotar os diálogos que tinha com Goethe nas conversações do dia-a-dia e que eram jóias.
Tem dias que você dorme "normal" e acorda hippie ou nômade...! às vezes isso passa, às vezes, você tem que ir!
"Divulgue para o mundo as suas conquistas. Suas derrotas, os outros já divulgam de graça e ainda aumentam".
Aquele que não dá o melhor de si para adquirir conhecimento e aprimorar-se intelectualmente não tem nenhum direito de opinar em público sobre o que quer que seja.
Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos tem?
Hoje talvez me sinto um pouco mais entendido quando se refere à vida, mas sei que a cada dia que passa a gente aprende mais e tudo o que você tinha como certeza se torna uma nova certeza, quebrando o que antes era tido como certo. A nostalgia aparece como um sonho, mas com um doce sabor, lembrando quando éramos crianças, brincávamos com meus irmãos, colegas de classe, nossas bagunças e castigos, amigos de infância, meus pais ainda jovens, correndo até o vô e a vó e pedindo a bênção... Bons tempos.
Porém, hoje, sou um senhor de 40 anos com o espírito do mesmo menino lá atrás. Meus irmãos os vejo mais como amigos, mas com um amor incondicional. Das bagunças, ficaram as risadas; do castigo, hoje sou correto. Os colegas de classe hoje são homens e mulheres da nossa sociedade. Dos amigos, restaram alguns; outros não estão mais aqui, e alguns a vida nos separou. Meus pais são os avós que um dia tive lá atrás. Os meus avós não estão mais aqui... Novos tempos.
Mas a vida é assim, é um ciclo. Lembre-se, o que realmente rege essa história toda chama-se "VIDA". Agradeça a DEUS por ter te dado essa chance única de poder espalhar amor e agregar sabedoria.
A SOLIDÃO
Eu escutei uma canção que falou muito ao meu coração, dizia que a solidão é fogo, a solidão devora, é amiga das horas, prima-irmã do tempo, que faz seus relógios caminharem lento causando descompasso no meu coração.
O que diria eu dessa canção!
Diria que a solidão é realmente fogo, fogo porque nos atormenta, por que não encontramos nela alguém para refrigerar o nosso coração com palavras suaves.
Realmente a solidão é fogo que nos faz deixar em cinzas, nas cinzas da concepção. Eu devia também como a canção que ela devora, devora o que temos de bom para da ao nosso próximo, devora a capacidade de sociabilização com nossos amigos, parentes e irmãos, dura solidão, como diz a canção amiga das horas prima-irmã do tempo.
Certamente quem vive em solidão caminha por uma estrada que não chega ao fim, os momentos que passamos em solidão é como uma eternidade vivida em momentos finitos que parecem não ter fim, finalmente a solidão causa um descompasso no nosso coração, que canção, realmente a solidão causa um descompasso no nosso coração, que canção, realmente a solidão rasga o nosso coração, entristece a alma, tira os sentidos das emoções, como é cruel essa tal solidão.
O Haver
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
