Existem Pessoas que Sao Flores

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Plantem árvores, pois são delas o ar que respiramos.

Só as mãos são minhas, o resto é sabedoria de Deus.

A lua e o sol são maravilhas que os meus olhos contemplam; o resto são visões da minha fé.

Meus erros são lágrimas cansadas, são noites frias, é o meu deserto.

Se o verso saiu errado, ignore. São erros do amor.

Se você acordar às seis horas da manhã, veja como elas lotam o metrô; e como são lindas.

Ah, se aqueles homens soubessem o quanto são ricos, não haveria guerras.

Poesias são docinhos que lambuzam a gente.

Felicidade são ruas que todos querem achar.

Se um dia te chamarem de louco, apenas sorria, pois são muitos os loucos.

Não preciso de muito: a lua e um céu estrelado já me deixam feliz; o resto são os beijos dela.

Ande de bolso vazio e você verá quantos são os seus amigos.

“Há dias que passam pelo calendário; outros permanecem em nós. São aqueles em que, por um instante, conseguimos transformar em palavras aquilo que levamos uma vida inteira para compreender.”

As declarações de amor são importantes e necessárias para a longividade de uma relação, mas erão apenas palavras se não forem expressadas pelos os atos.

As irritações são normais dentro de um relacionamento, pois são dois buscando ser apenas um.

⁠Palavras são apenas
representações simbólicas,
que liberamos na comunicação,
na maioria das vezes, sem expressão
e sentimentos, sem razão e conhecimento,
sem emoção e verdade,
por isso é que declarações de um verdadeiro amor,
não se concebe por letras,
mas por simples ações silenciosas.

Desculpe-me a franqueza, cara Erika Leonard James, mas são estes os cinquenta tons de cinza que aprecio: os que são pintados no céu num amanhecer chuvoso.

Os julgamentos são cartas que enviamos a nós mesmos, só que em envelopes com o nome dos outros.

(Douglas Duarte de Almeida)

Caminhar lado a lado exige um gesto raro: deixar as ideias descansarem um pouco. As ideias são bonitas, mas traiçoeiras. Nelas, todos somos perfeitos. O filho ideal só existe no pensamento. A mãe ideal também. No mundo das ideias, ninguém falha, ninguém se desespera, ninguém diz a palavra errada na hora errada. É um lugar confortável demais para caber gente viva.

Viver de verdade com alguém é aceitar que o real é meio torto. Que há dias em que a voz falha, a alma murcha, o cansaço transborda. É ter coragem de amar o que existe, não o que imaginamos. E isso é mais difícil do que parece, porque a imaginação é uma costureira habilidosa: ajusta, corta, embeleza. O real, não. O real é áspero, às vezes. Mas é nele que moram os encontros que mudam a vida.

Cada um é o que é. Faz o que dá conta. Ama como aprendeu. E isso não é desculpa: é condição humana. Amar sem tentar caber no molde do outro é um ato de generosidade. Um jeito bonito de dizer: eu te vejo, não pelo que projetei, mas pelo que você realmente é — com suas frestas, suas travessias, suas partes desordenadas.

O amor verdadeiro não exige perfeição. Exige presença. Exige humildade para desfazer fantasias antigas e coragem para ficar, mesmo quando o castelo que imaginamos vira chão. Prosseguir amando, mesmo quando a realidade desmonta o sonho, é um gesto de maturidade que poucos sustentam.

São poucos os amores que suportam a pureza do real. A maioria prefere a maquete. Eu, não. Prefiro a casa habitada, mesmo com as rachaduras. O afeto que existe, mesmo com as falhas. O caminho compartilhado onde dois humanos, imperfeitos e inteiros, aprendem a caminhar juntos — não pela ideia do que deveriam ser, mas pela beleza do que são.

Há um alívio secreto em se jogar sabendo que existe chão. Não falo de certezas — certezas são para quem teme a vida. Falo do chão que nasce dos próprios pés, esse solo íntimo que a gente aprende a cultivar depois de tantas quedas que já nem sabemos mais qual doeu primeiro.

É libertador sentar no meio-fio sem medo de parecer deselegante. Elegância, no fim, nunca esteve na pose, mas na coerência interna. Prefiro o cimento quente da rua me lembrando que continuo vivo do que qualquer palco que exija um personagem. Às vezes é no meio-fio que o coração finalmente se endireita.

Vestir-se de si exige propriedade afetiva. É colocar no corpo — e na vida — as camadas exatas do que se é, mesmo quando isso desagrada expectativas alheias. Sustentar as próprias escolhas é um tipo de musculatura moral: dói no começo, treme no meio, mas mantém a coluna da alma ereta.

E nas crises, é preciso gentileza. Respeitar-se como quem protege algo precioso. Gritar pra dentro, chorar pra fora, respirar onde der. Permitir-se ser humano sem desmerecer a força que existe no próprio caos.

Nas dores, ser colo. Nas alegrias, ser testemunha. Em ambas, gostar de si como quem aprende, depois de tantas tentativas, que o amor-próprio não é um estouro, mas um sussurro persistente que nos chama pelo nome quando o mundo tenta nos esquecer.

A verdade é simples e devastadora: a vida não fica mais leve, é a gente que fica mais inteiro. E quando finalmente sabemos que há sempre um chão — mesmo que seja o das escolhas que sustentamos com o peito aberto — o salto deixa de ser risco e vira rito.

Rito de fé.
Rito de coragem.
Rito de ser exatamente quem se é.