Excesso
O prenúncio da morte reata valores, suscita lembranças, perdoa excessos e gera satisfação exacerbada sobre tudo...
A vida é curta demais, para se queixar dela.
Comprida demais para se farrear em excesso.
E é insuportável para os que não tem amor.
Dizem que falar de amor sem estar apaixonado é carência!... Eu diria que é o meu excesso de amor-próprio que fala por mim, e me diz como é bom me ver bem sem precisar de gente inútil.
Tudo que gira em torno do excesso, da autoafirmação publicada, principalmente nesse meio antropologico denominado de cibercultura, nos demonstra a insegurança das relações que se fazem e desfazem num sentido temporário de conveniências
A teoria do exagero de que tudo em excesso faz mal, não se aplica à tristeza ao rancor e ao ódio, pois estes mesmo em baixas dosagens causam o mal.
A maior de todas as ilusões é a auto-confiança em excesso, não se engane em algum lugar do mundo sempre haverá alguém melhor do que eu, melhor do que você, melhor do que nós!
Todo excesso evenana a alma, pois engana o sábio como se ele pudesse viver do seu próprio conhecimento.
Quero pecar sempre pelo excesso, nunca pela inércia,
De pequena basta a vida,
Que nunca é maior que nossos sonhos.
Assim como o choro, que expele os excessos do ego de forma liquida, as palavras brincam com uma forma de chorar a seco pra não molhar o papel.
O Ferreiro
Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário, seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitara , e que se compadecia de sua situação difícil, comentou:
-É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava. Eis o que disse o ferreiro:
-Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isto é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada, logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita uma vez apenas não é suficiente.
O ferreiro deu uma longa pausa, e continuou:
-As vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue aguentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria.
Mais uma pausa e o ferreiro concluiu:
-Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é "Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas".
“A vida de opulência é que vai ditar a sorte dos mais necessitados, pois o excesso de alguns, causa a carência de outros.”
