Ex Namorado é Amigo
Tens um ar sedutor que faz suspirar
com a ardência do teu fulgor,
a tua maneira ousada de se expressar,
o calor da tua personalidade
e a imponência do teu olhar,
logo, uma viva essencialidade
de uma linda mulher singular.
[Avaliação de Desempenho, Blasfêmias
Aleatórias ou As Heresias de Féton]
Se o seu DEUS existe,
ele deveria renunciar.
Com base em tudo
o que temos visto,
fica evidente,
que ele é péssimo,
nesta função
de ser DEUS.
Onisciência,
Onipotência,
Onipresença,
Onifodência.
A não ser,
que ele não tenha
relação alguma
com a humanidade,
neste caso,
ele está fazendo
um ótimo trabalho.
Se for o caso,
neste caso, específico,
ele evidentemente,
está fazendo,
um ótimo trabalho.
Errata:
em verdade vos digo, DEUS existe,
só o seu DEUS que não.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Ó meu ex-amor, o eco doce de um adeus.
Ainda sinto o frio em certas manhãs vazias,
Um véu de fumaça que paira entre os meus
Pensamentos, tecendo as velhas melancolias.
Tu foste a forja cruel que me moldou, é certo.
Em cada cicatriz, levo um pouco do que fui.
Transformaste-me em alguém que hoje me é incerto,
Um novo ser nascido da dor que me construiu.
Agradeço, sim, a pessoa que agora sou,
Mais forte, mais ciente, mas também mais calada.
Em cada passo novo, a ausência que restou,
Uma canção de ninar que a alma tem guardada.
Obrigado por ter me transformado, mas a que custo?
Nesta jornada fria, onde o brilho se apagou.
Sou a estrela que renasceu, porém, com certo susto,
Pois a chama que tu foste jamais me abandonou.
Eu sou o paradoxo do teu partir e do meu vir,
Uma obra de arte triste, pintada em tons pastéis.
Eu sou agora o silêncio que aprendi a seguir,
Um jardim de lembranças sob chuvas e sob céus.
Ó meu ex-amor, a sombra que já não me alcança,
Hoje a brisa que sopra é de um novo amanhã.
Houve dor, sim, mas nela encontrei a esperança,
A força que brotou de uma antiga manhã vã.
Fui teu espelho quebrado, tua voz que silenciou,
Mas a poeira baixou, e a vista ficou clara.
Obrigado por ter me transformado, o que restou
Não é mágoa, é a coragem que em mim se declarou.
Nesta pessoa que eu sou agora, não há vestígio
Daquelas amarras que um dia me prenderam.
O medo se foi, e cada antigo vestígio
De um tempo de trevas, meus olhos já não viram.
Fui casulo em choro, hoje borboleta em voo,
Cruzando horizontes que jamais sonhei tocar.
A tua ausência, enfim, foi o vento que me impulsionou,
E o passado distante não mais me pode assombrar.
Que a vida te siga e que o teu caminho seja,
Eu sigo o meu, com um brilho que só se acendeu.
Agradeço a lição que o teu adeus me legou e teja
A paz em meu peito, um amor que me renasceu.
Adeus, meu ex-amor. Guardo as memórias boas, mas sigo em frente com a certeza de que nossos caminhos agora seguem direções diferentes.
Detalhes da Existência
Existe uma beleza na vida
que nunca se impõe.
Ela não grita,
não exige atenção,
não disputa espaço com o barulho do mundo.
Ela apenas permanece
nos detalhes.
Talvez por isso
quase ninguém a perceba.
Vivemos ocupados demais
procurando o extraordinário,
o que parece grande,
o que pode ser mostrado aos outros.
Mas a verdade da existência
raramente está nas coisas grandiosas.
Ela mora no modo
como alguém diz o seu nome.
No olhar que se demora
como se ali existisse
uma pergunta silenciosa.
No abraço que dura um pouco mais
como se dois corações, por um instante,
tentassem escapar da solidão do mundo.
Há algo profundamente humano
nesses pequenos gestos.
E talvez fosse isso
que os pensadores da angústia humana
tentavam dizer:
que a vida não se revela
nos grandes espetáculos da existência,
mas nos instantes simples
onde duas almas realmente se encontram.
Porque no fundo,
o ser humano não sofre
pela falta de grandes acontecimentos.
Ele sofre
quando os detalhes desaparecem.
Quando ninguém percebe seu silêncio.
Quando seu nome é apenas um som.
Quando seus dias passam
sem um gesto que diga:
“eu vejo você.”
E então a existência continua,
o tempo segue,
os dias se repetem…
mas algo dentro da alma
começa lentamente
a se tornar vazio.
Talvez seja por isso
que a beleza da vida
se esconde nos detalhes.
Porque são eles
que lembram ao coração
que existir
ainda tem sentido.
— Sariel Oliveira
- “Ex Governanta”...começou subitamente Lagosta.
Eu te amo tanto que caminho na rua
Sempre conversando no mundo da lua
Sempre passando tempo expressando ideias
Sempre jogando jogos de tabuleiro com estratégia
Para prolongar nossa linda vida bela
Sempre em comunhão para ter uma lógica
Mas quando não concordava
Sempre tinha uma revolta
Para expressar ideias
Para beneficiar
Sempre um e outro ajudar
Mas hoje em dia
Você me largou
Largou a todos nós
Você nos deixou
Você me recusou
Ex Governanta!
Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas
Você nos deixou
Nos revoltou, mas sofremos calados
As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Por que você se afastou
Porque nós nunca lutou a sua ida!
Não volta mais a vida
A revolta não é mais ocorrida
Entre seus problemas
Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você, porque?
Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população vai se calar
Todas as minhas lágrimas derramadas
Lembro das agonias que nos protestava
Lembro dos momentos que não nos resguardava
Sinto a nossa falta
EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA
EX GOVERNANTA
Só lhe vejo como um passado
Todo embaçado
Como pessoas unidas você nos deixou
Mas sofremos calados
As ideias não são mais expressadas
Não há mais falácias boas em nossas caminhadas
Porque você se afastou
Porque nós nunca se revoltou com a sua ida
Não volta mais a vida
A luta não é mais ocorrida
Entre seus problemas
Sempre a esquemas
A sociedade ignora
Por dentro ela chora
Mas por fora não se importa com você. Porque?
Porque não tem vontade de discutir
Só de aceitar
Por isso que por sua causa
A população volta a se calar.
EX GOVERNANTA.
Apitou o sinal, e Gabiroba ficou apavorado ao ver tantos pés passando apressados, pra lá, pra cá, por todo lugar. A quadra era coberta e o barulho ficou insuportável, ele se escondeu até o alvoroço acabar, olhou para cima e viu o gambá dormindo bem sossegado no galho da goiabeira.
"O mundo está cheio de boas ideias; o que falta são pessoas dispostas a ir até o fim para executá-las."
Cada dia vivido é um boletim escolar que a vida assina, e a única regra é simples, você colhe exatamente o que faz.
"Nas redes sociais, sempre há predadores buscando presas vulneráveis, que se alimentam das excrecências mentais que por lá circulam."
... de fato,
são nossas diferenças que
nos assemelham: seres afins, expostos
a tão diversas experiências, que, adiante,
tendem a se somar, sustentando o
fluxo da existência como um
fundamento único,
indissolúvel!
Meu mestre Zimba, o ator e diretor polonês Zbigniew Marian Ziembiński, trazia consigo uma vasta experiência teatral que acumulou desde os 12 anos de idade e com isto no Brasil por vanguarda na dramaturgia ele magistralmente implementou o novo processo de ensaio, introduziu a noção de diretor no teatro brasileiro, aquele que cria uma encenação, quase como um artista pintor da cena, substituindo a de ser um mero ensaiador, aquele que se preocupava apenas em distribuir os papéis, os textos e ordenar a movimentação em cena frente a quarta parede "a platéia". Zimba trabalhou muito com cenografia do expressivo artista brasileiro Tomás Santa Rosa e uma enorme quantidade de variações de luz e sombra, fala-se em mais de140 diferentes efeitos utilizados durante a encenação.
Tempo ....tempo.
Tudo vem com a marca do tempo,
Tempo para sonhar
Tempo para ouvir
Tempo para existirJuntos....
Bom é saber mais,
sobre o tempo.
Nas sombras do meu exílio voluntário, eu teço as teias do destino alheio, onde cada sussurro é uma lâmina e cada sorriso, o prelúdio da ruína.
A verdade é terra sem caminhos, a conspiração é um mapa detalhado de um território que nunca existiu.
Quem te observa hoje, sob a luz plena de um palco que você custou a montar, nunca terá a dimensão exata dos escombros internos que você precisou varrer com as próprias mãos antes de se permitir respirar fundo, eles aplaudem a chegada, mas ignoram a escalada vertical dos teus dias mais sombrios, onde a única plateia era o silêncio corrosivo das madrugadas sem propósito, aquelas em que o corpo seguia em frente por um impulso meramente biológico, enquanto a alma já havia decretado a própria falência, um atestado de óbito emocional assinado em lágrimas frias no travesseiro da desistência.
Se alguém ousasse mergulhar na minha mente, seria imediatamente entorpecido pelo caos, aqui não existe repouso, apenas um conflito eterno entre passado e uma sucessão de pensamentos perturbadores que fazem da desordem o meu único lar.
A minha vida é uma colcha de retalhos feita de momentos de lucidez e longos períodos de neblina existencial, onde eu me perco de quem eu achava que era. Costuro esses pedaços com o fio da escrita, tentando criar um manto que me proteja do frio que sopra de dentro para fora.
O recomeço exige um desapego cruel do que achávamos que éramos, uma poda radical que nos deixa expostos, mas permite que a seiva da vida percorra novos canais até então obstruídos. Somos equilibristas em um circo que arde, tentando manter a elegância enquanto as chamas lambem nossos calcanhares. A maturidade, afinal, não é o ato de curar todas as feridas, mas de suportar o peso das experiências com uma consciência que a juventude jamais alcançará.
- Tiago Scheimann
