Eu Vou mais eu Volto meu Amor
30/01/2022. Falta mastigar só mais um dia e teremos devorado outro mês. E eu sigo com aquela pesada sensação no estômago da alma. Sei que há muito ainda nesta vida para ingerir, mas enquanto essa má digestão não passa, olho faminto para a próxima refeição, no entanto, permaneço encolhido, sentindo o amargo das golfadas de insegurança que me causam uma náusea existencial.
Eu não sou mais por ser exagerada,
É que eu sou infinita, sou intensidade
porque não me dou só um pouco,
porque quando me verto
espalho-me por toda a mesa
e corro pela abertura estreita do chão
só para inundar...
"O que posso eu esperar da vida?
Nada.
Eu tenho mais é que fazer com que a minha existência seja a mais útil possível,
e que aprenda a não cobrar dos outros,
aquilo que não faço por ninguém."
"Faça como eu: saia com pouco dinheiro! É ótimo para quem quer chegar mais cedo em casa, e não tem vontade de carregar muito peso..."
Se lágrimas resolvessem problemas eu estaria mais seco que o sertão nordestino. Por hora, apenas imerso na vastidão da represa interna que existe em mim.
Na minha lista de coisas mais importantes está você Eu não conseguiria viver sem a sua presença
sem sua inspiração Deus
Que todas as minhas novas escolhas me conduzam cada vez mais perto do que somente eu e Deus conhecemos no mais profundo do meu ser. Que cada decisão me aproxime daquilo que está no meu destino, guiado pela sabedoria divina e pela força interior que habita em mim.
Seria mais fácil se eu conseguisse esquecer o que aconteceu.
Seria mais fácil se nunca tivesse acontecido.
E agora parece que alguém muito próximo faleceu.
Escorreu pelos meus dedos sem nem ter tido a chance de segurar, e o pior, nem sei se tem algo pior...
Me afastei pra me auto querer, para que eu pudesse perceber que não preciso de mais nada além de mim para me fazer tão feliz quanto eu posso fazer. Talvez um dia você possa voltar ao meu lado
Para não mais ser parte de mim, mas sim excedente.
Das páginas da vida você foi uma daquelas que eu rasguei, mas parece q me lembro mais detalhadamente
do q as que ali ainda estão, olhar para aqueles retalhos q ficaram e lembrar cada verso meu quanto a você, me faz entender que tentar esquecer é me pôr a lembrar.
Nem sempre oque queremos conseguimos, mais vale a pena tentar e arriscar, se somos aventureiros eu não sei, mais somos poucos que tentam fazer a diferença, abraça a causa ou não fica de braços cruzados.
O CRISTO E EU MAIS OUTRO
Só há tempos confirmei
Em êxtase, no cimo de um outeiro,
Que o Cristo nasceu na mesma terra
Que eu, quanto sei,
Se a memória não me erra.
Numa rude manjedoura,
Lá no cimo do "monte do bicho",
Que em pequeno e por capricho,
Lhe construi no presépio de madeira,
Com mãos de artista de primeira,
Em recordação duradoura.
Já homens, eu e ele, ainda sem o outro,
Sentados à sombra dos pinheirais,
Imaginávamos o mundo dos mortais
Sem penas, nem dores e só amores reais...
..................
Depois, vieram algozes e levaram-nos
Sem julgamento, ao suplício final.
Chicotearam-nos,
Ridicularizaram-nos,
E cruxificaram-nos no alto do " monte do bicho"
Também por capricho.
Na pressa de completar o quadro:
Foram então buscar o "Gestas", o mau ladrão.
Deram-me o nome de "Dimas" o ladrão bom.
E ao Cristo, não deram nome, não.
Ele não precisava de graça, pois já nasceu Cristo
E posto isto,
Ele ficou na cruz ao meio.
Eu, Dimas, um dos ladrões, fiquei-lhe à direita
E o Gestas, o bebedolas da aldeia, mais a torto.
Porque ele gostava de morrer,
Dizia
E insistia:
Para ficar vivo, depois de morto!
(Carlos De Castro in Há Um Livro Por Escrever, em 15-03-2023
VAMOS
Anda, linda,
Vamos por aí,
Tu comigo e eu sem ti,
Mais ou menos lado a lado,
Mostrar as cores
Das flores
Que tens
E reténs
Nos anelos
Das pétalas dos teus cabelos.
Vamos descobrir o mistério
Flor linda
Do meu refrigério,
Ainda
Segredo do meu ermitério.
Encosta-te a mim,
Na comunhão do cheiro
Inebriante,
Contagiante,
Que têm as flores
Dos meus amores,
No jardim do cemitério.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-03-2023)
CEREJAS
Degustava eu um ramo delas,
Quase assim.
Uma mais vermelhas
Ainda de formas fedelhas
De polpa ruim.
Outras, matizadas de branco,
Amarelado,
E eu sou franco,
Deixei as amarelas de lado.
Algumas, de bordeaux vincado,
Mas só cor
Sem sabor
Adocicado.
Poucas mais encontrei
Doces
Ainda que maduras
Apesar de duras
Como o mel melado.
Ia a meter a última à boca
E parei.
Era mais redondinha que as outras
Mas muito vermelhinha
E tinha
Uma outra cerejinha
Pegada à sua barriguinha
Como uma mãe que acabou
De dar à luz,
E quer mostrar a filhinha
Que reluz.
Tive pena de as comer
E num rebate de consciência,
Com exemplar paciência,
Fui metê-las em terra fresquinha:
A cereja mãe e a filha,
À espera que um dia destes
Irão nascer mais cerejas
Assim,
Por mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-06-2023)
NÃO
Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.
Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.
Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)
