Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Eu estava procurando fora de mim por força e confiança, mas eles vem de dentro. E estão lá o tempo todo.
Eu, com minhas tendências bipolares, minha personalidade borderline; vivo num distúrbio caótico repetitivo, que insisti em me despersonalizar, me roubando de mim, sequestrando meus dias, deixando tudo padecer numa sequência de tédio, e minh'alma jazir num vazio crônico eterno.
Eu adoro o seu jeito. Adoro o seu gosto.
Adoro estar com você, me faz tão bem.
Pode ser que eu ainda não te ame,
mas eu gosto tanto de você
que farei de tudo para ser melhor pra você,
porque sentimento assim é difícil de encontrar
ter alguém que te faz querer ser além do que se é
que da vontade de se doar, de entregar até
o que não se tem.
Eu não sei se você entende que se pode fazer poesia apenas arranjando bem as cores, assim como se pode dizer coisas reconfortantes com música.
Eu não mudei. Eu não me afastei. Eu continuo o mesmo e te juraria se não fosse pecado. A gente se distanciou, confesso. Mas você já parou pra colocar a mão na consciência? O tempo passou e muita coisa mudou. Deixei o ensino médio pra entrar na faculdade. Mudei o corte de cabelo. Aquele velho amor já não me assombra mais. E você? Você começou a namorar, está de cabeça nos estudos. Trocou os cachos por um cabelo liso, não foi? Mas eu continuo aqui e continuarei. Podemos retomar de onde paramos. Sei que as nossas conversas perderam a frequência, sei que as minhas sms não são mais constantes. Sei de tudo isso. Mas volto a dizer: eu não mudei. Posso ter crescido. Sim, é isso. Estou virando gente grande. Tenho novas obrigações, mais responsabilidades. Mas continuo sendo eu. Aquele mesmo e velho eu que um dia você conheceu.
Alguns riem de mim por ser mãe de gatos. E eu rio deles por não compreenderem essa “maternidade divina”.
Quando eu partir
quero que fique cada partícula de mim,
nas frestas do tempo,
no cheiro da terra molhada,
no toque que deixei nos ombros de quem amei.Que fiquem minhas palavras,
aquelas que escrevi com alma cansada,
e também as que calei por medo de ferir.Quero que, em cada olhar que se perca no horizonte,
haja um traço meu
um sopro, um eco, uma lembrança boa.Não quero ser esquecida,
nem lembrada com dor.
Quero ser presença leve,
como o vento que passa,
mas ainda toca.
Sinto Muito
Eu não sei,
não transparecer o que sinto.
E sinto muito —
por sentir demais,
por deixar que o coração se derrame nos olhos,
na voz, no gesto.
Sinto o que não cabe em mim,
o que não se explica,
o que insiste em escapar em forma de silêncio.
Não sei fingir leveza quando há peso,
nem esconder ternura quando há verdade.
E talvez seja isso:
meu erro, minha beleza,
minha entrega.
Sinto muito.
Mas é o sentir que me mantém viva.
Se eu tivesse voltado uns minutos antes, ou nunca ter saído, tudo seria diferente. Eu nunca deixei de te amar.
Eu sou sensível demais. Preciso ficar um pouco dormente para ter de volta o entusiasmo que eu tinha quando criança.
Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá.
Eu sobrevivo a falsidade, hipocrisia, abandono, trocas e faltas. Eu sobrevivo a perdas, a lutas, a quedas e falhas. Eu sobrevivo a fome, preguiça, escola e casa. Eu consigo sobreviver a uma porção de coisas, mas, só não me pede pra sobreviver sem você. Porque eu ainda não aprendi a realizar missões impossíveis.
