Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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MEU PAI

Em teu rosto posso ver o amanhã
tuas rugas são marcas do tempo
que revela a tua senil bravura
tua luta incomum pelo incerto
neste mar de ilusões e de agrura.

Sei das dores que velas escondido
na candura do teu velho coração
de um desejo por ti já reprimido
a incerteza da vida e do pão.

Tuas mãos calejadas de plantar a paz
de espalhar sementes de esperança
no teu fazer diário, como uma prece
que da fé carece homem e criança

Há em ti um enigma divino
que explica facilmente a eternidade
neste elo infalível de amor
onde o PAI cumpre o acerto da vontade
de no filho imprimir a sua alma
na perpétua lição de uma verdade

Inserida por EvandoCarmo

⁠MEU VIOLÃO
Se meu violão falasse
Certamente diria
Em verso, em prosa em poesia
Coisas secretas de minha alma
Que nem cartola cantaria.
Sobre amores esperados
Nas esquinas da vida
Em noites vazias
De tantos desencontros
Em breves sussurros
Em tristes melodias.
Meu violão canta como eu
desafinado de melancolia
Sonhando o futuro glorioso
Esperançoso de paz e harmonia.
Meu violão, um amigo leal
O mais próximo do peito
Somos assim predestinados à solidão,
Vivemos esta grande ilusão
Que ninguém nos roubará este direito.

Inserida por EvandoCarmo

⁠MUSA DO MAR

Sempre que você me olha
o meu corpo treme desejo
desejo de lhe abraçar
desejo de lhe dar um beijo.

Lembro aquele dia
nós dois e do pôr do sol,
seu corpo bronzeado
eterna poesia..

Você, musa do mar
divino pão dourado
e eu pobre mortal
escravo do pecado
Pierrot sem fantasia.

Inserida por EvandoCarmo

⁠FOLHA MORTA

Se a minha boca não te surpreende
se o meu corpo não te satisfaz,
o que te falta, para ir embora,
seguir teu rumo, me deixar em paz?

A vida a dois não é cláusula pétrea
se for por força de obrigação
o amor definha, vira folha morta
logo um se despede, outro fecha a porta
finda toda rota de contradição.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Queria ouvir de tua boca, Invés de ciúmes
Sabores agridoces, sussurros e queixumes
Sobre o meu amor, Justa cobrança
Para ser mais intenso, como choro de criança

Inserida por EvandoCarmo

As ondas da morte quebraram ao meu redor; Enxurradas de homens imprestáveis me apavoraram.

As cordas da Sepultura meenvolveram; Os laços da morte me confrontaram.(...)

2- Samuel 22:5-6

(...) Os homens céticos, os intelectuais rejeitam a bíblia, mas acham Shakespeare e Goethe gênios, desconhecem a fonte onde ambos beberam.(...)

Pobres mortais.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Hospitalidade

Meu caro irmão,
posso até te acolher
na minha tenda
contudo devo avisar-te,
que a minha paz
não está á venda
nossa conveniência
pode ser pacífica
tudo vai depender
da tua educação
e da minha paciência.

Inserida por EvandoCarmo

⁠um poeta bêbado diz pro outro:

Meu impreterível amigo
o que há de erado,
por que essa face de Dom Casmurro?

Teu semblante flácido
onde riso frouxo não passeia
não coaduna com a tua idiossincrasia
alvissareira.

Inserida por EvandoCarmo

⁠"A coisa que tem efeito
sobre meu humor
que é capaz de dissolver minha estrutura emocional
como gelo derretendoao sol,
é o ciume sem propósito ou razão."

Inserida por EvandoCarmo

⁠Meu verbo é sujeito
do pretérito imperfeito
que por ora se cala.
Quem hoje me vale
é o sábio silêncio
se penso não digo
se quero ignoro
Se a dor não me larga
se a rua não cabe
as ideias eu enterro
se perco o amigo
Se a fome ameaça
e o preço da bala
é mais baixo
que o trigo.

Inserida por EvandoCarmo

⁠No fundo do meu ser
Existe uma tal fraqueza
Que me faz tremer
Diante da minha nobreza

Amar é sofrimento
É cair em armadilhas
É romper o firmamento
E descobrir as tristezas

Olho para o céu tão azul
E vejo o amor como um engodo
Um ser que nos torna vulnerável
E nos afasta do bom senso

Ser racional, ser prudente
É fugir de uma paixão ardente
Que só nos faz tropeçar
E nos deixa mutilados

Prefiro a segurança
Do meu mundo de razão
Do que me perder em emoções
Que só trazem destruição

Assim, sou forte e imbatível
Fiel às minhas convicções
E sigo por uma estrada segura
Sem temer as tentações.

Inserida por EvandoCarmo

⁠

Soneto para Brasília

Brasília, capital do meu coração,
Tão jovem e tão cheia de história,
Com sua arquitetura inovadora,
Símbolo de uma nação em construção.

Nas tuas ruas largas e avenidas,
És palco de tanta diversidade,
Culturas e povos que se unem aqui,
Numa mistura de paz e igualdade.

Teu céu é um espetáculo à parte,
Com cores únicas que encantam,
E o sol nasce majestoso no horizonte.

Brasília, és orgulho desta terra,
E mesmo com o passar dos anos,
Continuas sendo um sonho realizado.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não almejo a riqueza nem a fama
Não busco o poder nem a glória eterna
Pois, ao meu redor, vejo a chama
De uma vida simples, feliz, plena.

Sou feliz com o que tenho em mãos
E meu coração transborda de amor
Pois o comum é o meu dom
E nele encontro meu maior valor.

Não sou um rei, nem um imperador
Mas sou livre para amar, para sonhar
E, quando a morte vier, sem temor
Sei que vivi bem, sem nada a lamentar.

Inserida por EvandoCarmo

O que é a liberdade

Prefiro viver no meu universo
Onde me expresso sem censura
Onde posso ser eu mesmo sem receio
E explorar o mundo sem freio
Expandir sem timidez minha duce loucura
Não quero ser julgado pelo que tenho
Ou pelo que faço, pelo que sou ou não
Só quero ter a liberdade de escolher
O que desejo, sem medo da opressão.
Ser livre é a maior conquista do homem
E eu agradeço a solidão que tenho
Que me permite caminhar com meus próprios pés,construir o futuro que eu quero, sem mais e nem menos.

Inserida por EvandoCarmo

⁠Não disse o motivo, nem olhou para trás,
Alguém me contou que você se cansou,
De viver ao meu lado...

E eu, que sempre te amei DO MEU JEITO.
Agora me pergunto, em dor e SEM JEITO.
Qual foi o pecado que cometi,
Para te ver partir sem uma despedida?

Será que errei em te amar demais,
Ou fui frio, distante, sem perceber?
O que fiz para merecer teu adeus,
Sem um motivo, sem nada a dizer?

O vazio que deixaste é um fardo,
Um peso que carrego sem saber por quê,
E na escuridão do que não entendo,
Só me resta a pergunta: onde foi que eu errei?

Inserida por EvandoCarmo

⁠Estou Prenhe

O pôr-do-sol, uma luz flamejante,
Desce sobre o meu horizonte.
Dentro de mim, há um inalcançável deserto,
Perdi, em algum lugar,
O que os homens chamam de paz.

Meu eterno buscar
Veio com mais força que antes,
Como um vulcão que dormira por milênios.

É assim que ruge,
No fundo d’alma,
Meu espírito inconstante.
Às vezes penso:
Algo muito grande
Vai sair de dentro de mim.

Não pode ser outro poema,
Nem um livro.
O que esperneia no meu ventre
É algo assustador,
Mesmo para quem está acostumado
A dar à luz filhos estranhos.

Mesmo para um espírito criador,
Esta sensação
É deveras incomum.
Um longo período de gravidez
Produziu em mim,
Ou alimentou dentro de mim,
Um ser bizarro.

Inserida por EvandoCarmo

⁠O sabiá

Um sabiá canta no meu quintal.
Toda manhã ao pé da minha janela,
Um canto melancólico, ele parece contar
Uma história triste, porém singela.

Às vezes penso, que o sabiá que canta o dia inteiro
No meu pé de laranjeira é um lobo solitário,
Que vive entre as estações
E canta pra sobreviver, não porque é necessário.

Eu o vejo pela vidraça da Janela,
Por vezes embaçada de neve ou de poeira.
O sabiá, assim como eu,
Escolheu a solidão como companheira.

O sabiá sabe, assim como eu sei
Que o que era sublime e tão bonito
Ao mudar de estação se perde tudo
Seu canto fica mudo...Tudo cai no infinito.

Inserida por EvandoCarmo

⁠ Tatuagem Invisível

Jamais tatuei meu corpo — não foi medo,
Mas por respeito à pele e ao seu clarão.
É nela que o silêncio se faz imensidão,
É nela que se oculta o meu segredo.

Quem sangra e não soluça, busca cedo
Marcar na carne a dor, sua prisão.
Mas minha dor gravou-se em dimensão
Que foge ao ferro, ao traço, ao frio enredo.

Só tenho uma inscrição — Iranete, amor —
Cravada em mim no osso e na retina,
No vão da alma onde o tempo se desfaz.

E o mundo, ao me olhar, vê esse fervor:
Um nome eterno em luz, sem tinta,
Que só se lê no corpo feito em paz.

Por Evan do Carmo

Inserida por EvandoCarmo

⁠HELENO

(poema para meu pai)

Não sei se o tempo te levou
ou apenas te escondeu —
num canto do corpo,
num gesto meu.

Tinhas mãos de lavra e mundo,
silêncio denso, olhar profundo,
e uma coragem que não gritava,
mas era chão.
Era chão.

Morreste cedo demais pra mim,
mas deixaste cedo o bastante
pra nunca morrer de todo.
Ficou teu modo de erguer o rosto,
de não baixar os olhos ao medo,
de fazer do pouco
um gesto inteiro.

Tu não sabias de poesia —
mas tinhas verso nos ombros,
rima nos passos,
e um segredo de eternidade
no modo exato de calar.

E eu, que fiquei menino,
fiz da tua ausência
meu templo.

Aprendi a te lembrar
sem fotografia,
a te honrar sem retrato,
a te ouvir
sem som.

Heleno:
nome de força quieta,
de alma que não se despede.
Tu foste antes que eu soubesse
quem eu era —
mas hoje,
tudo em mim te repete

Inserida por EvandoCarmo

⁠Eis-me entre homens, meu irmão,
na angústia e na dor de saber da finitude —
e da inutilidade da vida
quando o assunto é a eternidade.

Amo e odeio essa possibilidade.
Convivo entre homens que, embora tente compreender,
enxergo como fracos:
almas perdidas no labirinto da consciência da morte.

Cegos guiando cegos,
todos buscam entender o que não é possível,
e acima de tudo, tentam encontrar sentido
naquilo que apenas repetem —
como se a crença, por si, salvasse.

Às vezes penso: talvez sejam como eu,
alguém que aprendeu a repetir os erros ancestrais —
a ilusão da crença
de que há algum sentido na morte do homem.

Sobretudo depois de se conhecer a sentença:
“Tu és pó, e ao pó voltarás.”

Me solidarizo com esses homens.
Mas, ao contrário deles,
na maior parte do tempo,
eu nego qualquer sentido ao universo.

Rejeito qualquer ideia cósmica ou estoica de metafísica —
seja a da alma imortal,
seja a da carne eterna,
ou da saturação de algum prazer físico.

Tudo é em vão.
Seguimos como ovelhas para o abate,
e todas as crenças desabam
quando a razão nos assalta,
como um raio que, vez por outra,
ilumina demais.

Inserida por EvandoCarmo