Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Cai chuva do céu cinzento Que não tem razão de ser. Até o meu pensamento Tem chuva nele a escorrer. Tenho uma grande tristeza Acrescentada à que sinto. Quero dizer-ma mas pesa O quanto comigo minto. Porque verdadeiramente Não sei se estou triste ou não. E a chuva cai levemente (Porque Verlaine consente) Dentro do meu coração.
Meu coração é tão bobo, tão bobo,
que o melhor que faço por ele
é guardá-lo dentro de uma caixa,
e nunca mais abrir...
Dez chamamentos ao amigo
V
Nós dois passamos. E os amigos
E toda minha seiva, meu suplício
De jamais te ver, teu desamor também
Há de passar. Sou apenas poeta
E tu, lúcido, fazedor da palavra,
Inconsentido, nítido
Nós dois passamos porque assim é sempre.
E singular e raro este tempo inventivo
Circundando a palavra. Trevo escuro
Desmemoriado, coincidido e ardente
No meu tempo de vida tão maduro
Aguardo, equânime, o que não conheço —
Meu futuro e o de tudo.
No fim tudo será silêncio, salvo
Onde o mar banhar nada.
Aqui, Dizeis
Aqui, dizeis, na cova a que me abeiro,
Não 'stá quem eu amei. Olhar nem riso
Se escondem nesta leira.
Ah, mas olhos e boca aqui se escondem!
Mãos apertei, não alma, e aqui jazem.
Homem, um corpo choro!
Aqui
Caso do acaso
Quem ama não esquece
Quem esquece não ama
O que parece frase feita
Enfeita o meu coração,
Não tenho idade para isso,
Busco em Deus a razão,
Não encontro fico perdido
Corro atrás e fico ferido
Não desisto para não morrer
Vivo más não sei pra que
Luto e não consigo vencer
Esse tempo que insisti em passar
A cada dia mais velho vai me deixar.
Cansado mas não derrotado
Lutando para ser feliz.
Amigo de Jesus
Jesus é meu amigo
E quer ser o seu também
Ele já te escolheu
Para dar o que ele tem
Jesus é meu amigo
E tem muito amor
E todo esse amor
Ele vai dar para você
Jesus è meu amigo
Esse é o teu querer
Você que estava triste
Só tem que receber
Jesus é meu amigo
E chama o amigo seu
Pra ter a alegria
Que você já conheceu
A verdade é o resíduo final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo.
Sim, meu Deus. Que se possa dizer sim.
A tragédia – que é a aventura maior – nunca se realizara em mim. Só o meu destino pessoal era o que eu conhecia. E o que eu queria.
E é só o que posso dizer a meu respeito? Ser “sincera”? Relativamente sou. Não minto para formar verdades falsas. Mas usei demais as verdades como pretexto. A verdade como pretexto para mentir? Eu poderia relatar a mim mesma o que me lisonjeasse, e também fazer o relato da sordidez.
Meu medo não era o de quem estivesse indo para a loucura, e sim para uma verdade.
"Queria não controlar meu coração. Penso: se pudesse entregá-lo ao menos por um final-de-semana, esta chuva caindo em meu rosto teria outro sabor. Se amar fosse fácil eu estaria abraçada com ele, e a letra da música contaria uma história que é a nossa história."
Cadê a tampa da minha panela, o chinelo do meu pé cansado, a metade da minha laranja?
Tá em ebulição, vazando, transbordando, e nada da tampa da panela pra socorrer a lambança. É culpa da pressão que eu ponho em tudo isso? É o que dizem: desencana que uma hora ele aparece.
