Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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Com a sutileza da caraúna
tocando o sereno riacho,
assim te percebo ao meu redor
e desejo para nós o melhor.


Teu ser, embora bem talhado,
promete ser como lingote
que se renderá ao meu calor.
É claro que não negarei amor.


Com as minhas carícias
prometo lapidar tudo o que
desejas me entregar altivo,
porque assim haverá de ser:
estamos nos seduzindo.


Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.


Tudo dá voltas ao mundo
e em Santa Catarina
encontra a convergência.
Como aves migratórias
que cruzam hemisférios,
trazem no peito a sutil essência
e no coração guardam o ninho:
discernimos nosso destino.

Te coloco sob o meu olhar
e faço da minha arquitetura
o teu lar de arrebatamento,
De um jeito que obstinação
ninguém poderá controlar,
O que busca para amainar,
tornou-se urgência sem par.


Não preciso performar
e nem fingir submissão,
como território conquistado;
Pois é peremptório,
fixo e desapegado —
o meu perfume afrodisíaco,
feito do Oceano Atlântico Sul,
é o teu favorito santuário.


Na troca afável entre
meu e o seu pulsar aurum,
Mentes e corpos
em plena convergência,
profunda, sedenta e quente,
No abandono das horas
no melhor acordo entre a gente
para incorporar a êxtase
que se derrama inteiramente.


Jogos de imprevisibilidade
para aquecer o inverno
que se aproxima em Santa Catarina,
Não nego que assim quero,
mas que venham com
a tranquilidade de um chá de Tinguaciba,
com o seu abraço cheio de aconchego,
e a tua carícia que até a minh'alma alisa.

Não preciso de passaporte,


porque para você, anjo meu,


jamais serei estrangeira,


O amor é a bandeira,


e para ele não há receita.






Mas há um interminável


banquete sobre a mesa,


e não é apenas um poema.

Seja na Capoeira, no Candomblé,
ou até mesmo na Umbanda,
o meu coração atende
ao toque do Barra Vento,
como fiel e protegida.
Este é o meu sentimento:
bater forte, como cada tambor
dos terreiro desta amada Pátria.


Na primeira linha de Xangô,
assumo-me herdeira
do poetinha do Brasil,
semeando esperança
para ser, sempre, vencedora
em qualquer demanda.


Depois de toda tempestade,
a bonança se anuncia,
e o meu Oxalá sempre será o maior;
só Ele é digno da confiança,
de toda glória e do mais alto louvor.

Na praça pública em exposição,
Contigo no meu poético coração.
Mesmo diante da tua silenciação,
O tempo estático como
monumento feito de bronze:
Traz para a poesia — a lapidação.

O meu brio encontra o seu,
ambos pantaneiros,
concedidos pelo nosso Deus:
vivemos tempos alvissareiros.


Durante a descida dos andores,
todos com beleza adornados,
os corações batendo feito tambores
ao som do cururu, todos animados.


Com as mãos mergulhando
São João no Rio Paraguai,
eu de Corumbá e você de Ladário,
o meu coração apaixonado,
morando contigo lado a lado.


Contigo não tem sido diferente:
estamos morando um no outro,
ainda protegidos de toda a gente,
esperando o dia certo para anunciar
que viveremos só de amor imparavelmente.

​O meu olhar de longe alcança
tudo o que você reserva.
És a minha diversão favorita
e o meu território de paz,
tudo o que faz a diferença
como ninguém na vida faz.


​O teu olhar de longe alcança
igual o que suscito,
como a tua principal distração favorita,
como teu porto seguro exclusivo
e todo cheio de poesia.


​Aguardo que assuma o controle
para que nós o percamos em nós,
porque o amor tem o nosso nome;
e a urgência é faminta da nossa fome.


Embora o Ipê-amarelo-da-mata
floresça em agosto, não somos diferentes:
em julho, como ele, começamos
a dar os primeiros sinais amáveis
ainda longe do litoral catarinense —
no que se tenta controlar e sente.

Ah! Sinto forte e bem daqui,
do meu Brasil Brasileiro
que estas oitavas de final
nos trazem à tona e com tudo
a lembrança sentimental:
de que a América Latina
deve seguir inabalável, unida,
consistente, igual para igual,
e de maneira transcendental.


Elevo, com a máxima ternura,
a minha América do Sul,
na altura do Hemisfério Austral,
desejando o mais monumental
com o amor que é fundamental.


No coração, as inabaláveis,
Argentina e a Colômbia,
ocupam o espaço sobrenatural
do desejo que surpreendam
o mundo com o mais fenomenal.

O futebol de campo
nunca foi o meu forte,
Das vezes que fiz gol
foi no futebol de mesa
na época da infância,
Agora, como gol, virou poema.

O meu coração é coração de palmeira
quando se trata de revolução.
Queira ou não, a primeira revolução
se começa com a barriga cheia.


Não importa o tempo e o quanto,
a vida de cada um tenha mudado,
Se no presente ainda é cobrado,
para nenhum de nós é passado.


Aqui quem vos fala é a poesia brasileira:
- Seja na dispensa ou na mesa,
voltem a plantar a palmeira Juçara!


Se a vida está cara, é porque foi
deixado para trás a alimentação originária,
e que até hoje ninguém se atentara.

Quando fiz sete anos de idade o meu avô me falou que o Colonialismo era o mal do mundo. Na maturidade, aprendi sobre o Colonialismo interno. Na contemporaneidade, aprendi que o Colonialismo tem uma infinidade de desdobramentos inimagináveis.

Ouço o vento cantar
o que vai chegar,
e nada me preocupa.
O meu teto celestial
é o Hemisfério Austral
que tanto bem eu quero.

Todos os animais nativos fazem parte do meu espírito. Sinto um sentimento de posse visceral territorial em relação ao meu país. Sempre tive mais ciúmes do meu país do que se um homem.

O teu coração com o meu
tocam em ritmo de Aléké
em tempo de Sumaúma
eflorescida bem na beirinha
do majestoso Rio Maroni,
nada teu não mais se esconde,
o meu beijo toca a tua fronte.


Tudo na cena nos coloca
sem nenhuma resistência
nos colocam em reverência,
e não se preocupar mais
com roteiros e decência
põe um nos braços do outro.


A noite vestida perfeita
com a cor dos negros da floresta
por nós acende em inteira festa
as estrelas para nos receber
com gala na Guiana Francesa,
sedutoramente a gente se corteja
com todo o intenso desejo
que pelos nossos poros flameja.


O toque do fim do mundo
ou próximo disso, não tememos.
Unidos pelo amor profundo
até o último passo dançaremos;
para do jeito mais absoluto
para o oceano de fogo, nascemos.

Rumo indomável,
és o inevitável.


(Meu infinito.)

O meu veleiro
na tua riviera,
amar como navega.

Migração estelar radial
do meu peito para o seu,
e do seu peito para o meu.


[Amar é o objetivo central.]

Gaia de dois hemisférios
assim sou com mistérios,
Por intuição és todo meu,
Aldebarã do perpétuo verão
no firmamento do coração,
de ti não tenho distração.


[[Não causa obnubilação
a aglomeração das Híades
próximas a cada dia do Sol,
Não temos mesmo vocação
para o esmo e o temporal.]]

Cai serena a tarde nublada
com a sua luz acetinada,
O meu coração ainda
que tímido encosta
no seu para cabermos
num objetivo ainda maior
que só o futuro dirá
se o seu amor é todo meu.

Teus olhos experientes
são capazes de ler
até mesmo o meu subtexto;
a alma, o corpo e o pensamento
ficam o tempo inteiro
em ritmo de Compas,
em anseio de se tornarem
o seu porto de paz.


Com o balanço da Palma-real
ao vento, por um
instante eu me distraio
vendo o luar esplender;
não nego que por ti
mais do que uma asa arrasto,
porque desejo bem mais
do que um simples afago.


Pensar o tempo todo
na possibilidade de vir a ser tua
tem sido todo o meu dia:
como o Rio Artibonite
flui ao encontro do mar do Caribe,
desejo muito que o céu
não seja nenhum limite
e que a distância não nos alcance;
estou pronta para viver
contigo o nosso doce romance.