Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Poesia diurna para Rodeio
Você sente necessidade
de falar comigo,
E eu da mesma forms contigo,
Você vai pegar a estrada
e logo estará vindo,
Com este brilho nestes olhos
tão lindos você não faz ideia
do que estou sentindo,
Você na porta de casa chegando
é poesia diurna para Rodeio,
Um capítulo de amor intenso
que por nós dois está se escrevendo.
Lágrimas de Potira
Na beirinha do rio de toda
a minha vida,
Sou eu que conto as lágrimas
de Potira transformadas
por Deus em diamantes
para eternizar o amor
que ela sentia pelo heroico Itagibá,
De poesia em poesia
vou escrevendo a minha Pátria
porque ao menos no meu
peito eu a quero viva
para ninguém com ódio a reinventar.
No vigésimo quinto dia do ano em Rodeio
No vigésimo quinto dia do ano
em Rodeio, eu tenho na beleza
e no acolhimento deste belo
Médio Vale do Itajaí o sossego
perfeito e o espelho que devo
ser na vida mesmo quando
as circunstâncias não andam
correspondendo aquilo
que mereço e para mim desejo.
Etnocida
Se você quer de maneira
forçada ou por subterfúgio
que eu deixe de falar a minha
língua para falar a sua língua,
Que eu até mesmo esqueça
das palavras que aprendi
para falar aquelas palavras
que você acha melhor para mim,
Que eu pare de identificar
os sinais, as paisagens da História
e o vestuário me fazendo
crer que no meu próprio
povo nunca houve nenhuma glória,
Que eu passe a acreditar
que a minha imagem
merece ser suprimida,
Que eu deixe de apreciar
a cultura e hábitos que
a minha identidade se encontra
unida com a do meu povo
por influências que só nos vulgariza,
Você quer acabar primeiro
com a minha liberdade de pensamento
para depois acabar com a minha vida,
O quê acabo de escrever não é poesia,
é para ter dar a faixa que você
merece mesmo: a faixa de ETNOCIDA.
Canköy
As casas da memória
em Canköy me visitam
e eu as visito,
Nem mesmo o destino
apagou da lembrança,
Ainda a esperança
mantém residência
com nome certo e conhecido.
Como as esculturas
nascidas prontas
na Natureza e libertadas
pelo Mário Avancini,
Sou eu a esculpir
poemas com os versos
capturados no ar
para seduzir e encantar,
e jogando bem alto
conseguir te conquistar.
Se eu não me escandalizar
com alguém passando
fome ou por um sofrimento
enorme já morri por dentro.
Se eu banalizar uma fala
agressiva ou uma guerra
pode ter certeza que
estou no final da linha.
O ditado "Quem não vive para
servir não serve para viver"
é calar para a vida e morrer.
Se posso falar nesta vida,
continuarei falando até que
a morte se dê por vencida.
A Lua Quarto Crescente
sobre o Médio Vale do Itajaí
faz com que eu pense
desde a primeira vez que te vi,
A cada instante busco
um novo rimário para trazer
você bem para perto de mim.
Vem
Como florescem os Guarapuvus
eu faço festa para você,
e você dança descalço comigo
no meio do salão,
eu sei que sou eu a dona
do seu coração e obra do destino.
O Martim-pescador-verde
quando sai até parece contigo
sempre que me procura
como amoroso abrigo,
saiba que de nós eu não desisto.
Vem, larga tudo e fique
para contar estrelas comigo,
deixemos o mundo lá fora
e dele permaneçamos longe,
para que não sejamos tábua
de salvação e livres fiquemos
de todo e qualquer compromisso.
Rodeio estava em festa
Enquanto a minha cidade
de Rodeio estava em festa,
Eu estava ouvindo a música
entrando pela janela,
E de noite estrelas no salão
celestial da noite dançavam
Jardins surgiam desabrochando
dentro de mim enquanto
escrevia um poema de amor
sem fim por este lugar
onde a tranquilidade elegeu morar.
Poema Perfeito
Não sei você por aqui
no Médio Vale do Itajaí,
Eu olhei para o Céu
e encontrei a Lua
acenando para Rodeio,
Sob poema perfeito
o caminho está
iluminado e feito.
Butiazeiro
Ao encontrar butiás maduros
fiz um pedido ao Butiazeiro
para que ao redor dele eu possa
revelar o quê guardo no peito
o mais lindo segredo
que um dia eu hei de preparar
o tão delicioso enredo
para comigo de vez se encantar.
Tatu com volta no meio
Eu e você nessa
de Tatu com volta no meio,
Cada um com a sua pilcha
bem escolhida para fazer
bonito neste acontecimento,
O quê toca no meu peito
também acertou o seu em cheio
é amor não tenho dúvida
que vai dar romance certeiro.
Havaneira Marcada
O ritmo da Havaneira Marcada
de longe eu reconheço,
Estar ao seu lado é o meu desejo,
Vou te ensinar como dança
e depois você vai me dar um beijo.
Balainha
Lutam comigo
e eu nem sei porquê,
Não me meto
na vida de ninguém,
Já que com você
não posso dançar
a Balainha,
Resolvi escrever
poesia porque arcos
de flores não posso fazer.
Cada um faz o quê quer,
eu prefiro deixar os frutos
da Erva-Moura para a passarada,
E estar agradecida por
estar cercada de tudo aquilo
que mantém firme a caminhada,
O quê alimenta a vista sem
dúvida alimenta a alma,
O importante é sempre buscar
manter a atenção encantada.
Poeta sem vergonha
Disseram-me que eu deveria
ter vergonha de escrever poesia
porque a minha escrita é comum,
Graças ao meu bom Deus
que muitos dizem me entender, diferentemente da tal
pessoa que disse não gostar
e desconfio que ela não sabe ler.
Ler não é o ato isolado de ler,
existe gente que só de escutar
ou até simplesmente tatear
sabe com maestria entender,
Na vida só se pode dizer
que sabe ler só se você
de fato consegue entender.
A tal infeliz ainda ratifica que
eu deveria ter vergonha do que
escrevo e de ser chamada de poeta,
Vergonha mesmo eu não tenho,
porque ser poeta sem vergonha
é só para quem nasceu com talento.
