Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Quero um dia ter o privilégio de encontrar alguém como eu.. Alguém que sonha, alguém que conquista, alguém que quer ir além..
E naquela imensidão azul, eu vi um pontinho brilhante, que exerceu suave magnetismo me atraindo para lá..
Eu poderia lhe prometer acordar ao seu lado todos os dias, mas visto as necessidades financeiras e familiares, talvez não pudesse cumprir. Desejo então que a minha presença seja sentida por você, onde quer que esteja.
Eu queria ser quem você queria ter. E se você quisesse ter alguém que quisesse ser o que você quer, adiantaria?
Eu vejo a luz e a escuridão em que são de segundos, eu não sei explicar como me sinto, eu sinto frio e calor ao mesmo tempo e às vezes não sinto nada.
Quando não sei pintar, eu escrevo; quando não sei escrever, eu pinto. E quando nenhuma dessas linguagens me basta, eu esculpo. Se não há nada para escrever, pintar ou esculpir, uso meu corpo como instrumento, expressando meu ativismo através da linguagem. Essa é a essência da minha arte: uma busca constante por comunicar o que palavras e formas não podem captar plenamente. É a tradução das profundezas do meu ser em atos criativos, sempre explorando as possibilidades infinitas da expressão.
Bosch e eu: entre a crítica e a ferida colonial
De todos os artistas europeus, há apenas um que ainda me atravessa: Hieronymus Bosch. Ele me coloniza — não pela forma, não pela técnica, mas pela crítica feroz que carrega. Bosch é o único colonizador que ainda habita meus delírios, talvez porque a acidez do seu olhar sobre o mundo medieval encontre eco no que eu também preciso denunciar.
Ele pintava o colapso moral da Europa — os vícios, o poder podre, a queda da alma. Eu pinto outro colapso: o da terra invadida, dos corpos silenciados, da memória arrancada pela violência da incursão portuguesa.
Se Bosch mostrava o inferno como consequência do pecado, eu mostro que o inferno chegou com as caravelas. Não há punição futura — o castigo já está aqui: na monocultura do eucalipto, na esterilização do solo, na morte do camponês brasileiro , no apagamento dos povos indígenas.
Há em nós uma fúria semelhante, mas nossos mundos são outros. Ele critica o homem que se perde da alma. Eu denuncio o sistema que rouba a alma dos povos. Bosch pinta o desejo que conduz à danação. Eu pinto a resistência que surge depois do desastre.
E, mesmo assim, ele me coloniza. Como assombro. Como espelho invertido. Às vezes penso que sua crítica me provocou antes mesmo de eu saber meu nome. Ele habita uma parte do meu gesto. Um inimigo íntimo. Uma fagulha que queima, e que às vezes me ajuda a incendiar o que precisa cair.
E daí eu sentia vontade de correr.Correr, não importava para onde.Qualquer lugar servia,desde que eu não tivesse que pensar.E correria mesmo com minhas pernas doídas ou machucadas ,assim como o meu coração.
Ele foi sorrateiro,sorrateiro como um ladrão e quando eu vi ele tinha me roubado.Sim,ele me roubou de um modo lento e profundo e depois me atirou facas.Me atirou facas com a elegância de quem atira flores.
Eu choro.Choro sangrando,choro com cada um de meus pedaços que caíram tão tão rápido que não consegui juntar e que agora não sei onde estão mas doem e é isso que importa.
Sabe,eu sou mesmo muito idiota.Eu continuo sofrendo,continuo chorando,continuo dizendo tanto faz enquanto me despedaço como uma rosa que perde suas pétalas quando chega o outono e continuo a sangrar.
E não terei nada para pensar e acaberei por pensar nele,justamente o pensamento que eu queria evitar e no fim das contas vou acabar sonhando com ele,lembrando dele ,respirando-o,vivendo-o,sentindo o sangue dele pulsar em minhas veias bem mais do que meu próprio…
E aí percebi que não se podia conjugar o verbo amar de maneira que eu ficasse feliz:
EU (ainda)amo (você).
TU (não me ) amas.
ELE (também não me) ama.
NÓS amamos ( as pessoas erradas)
VÓS amais (tenho certeza,pessoas erradas de novo porque não SOU EU)
ELES amam(mas não são felizes porque um deles devia estar comigo!)
Como pode ver,a conjugação nem sempre é uma experiência boa para as pessoas e elas ainda me perguntam porque vou mal em Português.Isso sem falar em Matemática porque a trigonometria sempre consegue piorar tudo e quando eu digo tudo é tudo mesmo.
Só que não chove,embora eu preferisse que chovesse pois quando as gotas de chuva caem elas me tranquilizam,me lavam a alma como se fosse eu que chorasse e que aliviasse minhas dores que não cicatrizam mais e não as nuvens.Mas não podemos culpá-las,todos todos tem um dia ruim de vez em quando,se irritam e ficam sobrecarregados.A diferença é que elas não precisam disfarçar nada para ninguém,quando estão tristes simplesmente choram,não fingem que está tudo bem.
Eu te amo”.Segurei essas palavras antes que elas pulassem de minha boca e eles escutasse estragando tudo entre nós para sempre.O observei se afastando e abracei meu próprio corpo que já tremia de saudade dele.O ar soprava forte embaraçando meus cabelos e obstruindo minha visão tornando assim tudo pior. E daí eu explodi,explodi dizendo que o amava tirando um grande peso do corpo e da alma e sem perceber me lançando sobre um abismo de onde nunca mais sairia.Porque o mundo é cruel,as pessoas tem que fingir não se importar,sofrer em silêncio e se roer de dúvidas.Do contrário você é bombardeado por todos.
