Eu Vou mais eu Volto meu Amor
E por essas jornadas
já passei por todos pronomes,
já fui você,
eles,
já fui nós,
hoje eu estou conhecendo
o ser, eu.
Eu vejo e penso,
fico vendo todas essas pessoas,
no ônibus, rua,
me pergunto como deve ser
a história de cada um.
Me pergunto como que deve ser
o encanto de cada um.
Acho que o ser humano
é uma criatura tão bonita,
apesar de tudo que a gente vê.
“Cada um tem seu encanto.”
disse ela.
Cansei de esperar
que a vida parasse
para que eu pudesse embarcar
no melhor lugar.
Resolvi arriscar no primeiro lugar
que eu pudesse encontrar,
e fiz de lá meu melhor lugar.
Roupa Amassada
A roupa amassada no chão e eu só querendo segurar sua mão, via pedaços da noite que entrava pela cortina refletindo em teu lábio descansado. Estava de olhos serrados, estava prestes a entrar no teu sétimo sono. Mas falava ainda comigo, voz abafada pelo peso do sono, porém levemente carregada de carinho. Me pedia cafuné, no meio de todo aquele cabelo em pé, era a bagunça mais linda que já descansara no meu peito. Se a felicidade tivesse lugar, seria naquele cantinho bem ali, da boca dela, onde uma fez eu já fui dela, e talvez aquela boca queira que eu visite ela mais vezes.
Era cheia de exageros
mas eu só me
encontrava mesmo
era quando pensava
nos exageros
que existiam
em seus detalhes
De todos os segundos
que pereceram naquele dia,
eu só lembrava que
te vi distraída,
ajeitando o cabelo
e a roupa
em teu corpo
o tempo todo.
Eu quero conhecer
o que você não posta,
saber com o que você
realmente se importa.
Eu quero conhecer
as selfies que
você não mostra,
os detalhes que você nota.
Não me importaria
de passar pelo caminho
onde teu caos incomoda,
se isso me fizesse conhecer
onde é que tua paz mora.
e enquanto
eu era errante
pelas incertezas da vida,
lá eu te encontrei.
de ternura demasiada,
e de uma presença
que trazia paz.
ela não tinha pressa,
preferia beijos lentos
olhares estacionados.
com ela, aprendi
a namorar o silêncio.
— palhaço —
e foi assim, entre seus risos,
que eu traduzi a maneira
dela dizer que me amava,
sem dizer que me amava.
Eu chegava,
transito intenso,
carros e pessoas cruzavam,
olhei para o relógio,
era quase quatro horas da tarde,
meu coração assaltava algumas batidas.
Eu a vi pela janela,
e foi como uma fotografia,
nunca mais esqueci
dos detalhes do dia
em que eu a conheci.
E se eu não reclamar,
do celular que descarregou,
do ônibus que atrasou,
do guarda-chuva que quebrou
e da chuva que me molhou.
Será que assim,
até às sete horas
da noite,
meu dia já melhorou?
Parecia que
a vida sorria,
quando eu me via,
quando eu me descobria,
quando eu me permitia.
A vida sorria,
quando nela
eu existia.
