Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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De qualquer forma eu tento encontrar a resposta
Para todas as questões que perguntarem
Apesar de saber que é impossível
Para viver o passado
Não conte nenhuma mentira
Há uma magia natural
Soprando através do ar
Não é possível mantê-la
Se você escutar cuidadosamente agora você vai ouvir
Como uma magia natural
Soprando através do ar

Sei, é ruim segurar minha mão. É ruim ficar sem ar nessa mina desabada para onde eu te trouxe sem piedade por ti, mas por piedade por mim. Mas juro que te tirarei ainda vivo daqui – nem que eu minta, nem que eu minta o que meus olhos viram. Eu te salvarei deste terror onde, por enquanto, eu te preciso. Que piedade agora por ti, a quem me agarrei. Deste-me inocentemente a mão, e porque eu a segurava é que tive coragem de me afundar. Mas não procures entender-me, faze-me apenas companhia. Sei que tua mão me largaria, se soubesse.
Como te compensar? Pelo menos também usa-me, usa-me pelo menos como túnel escuro – e quando atravessares minha escuridão te encontrarás do outro lado contigo. Não te encontrarás comigo talvez, não sei se atravessarei, mas contigo.

Clarice Lispector
A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

"Eu fui casado por um juiz. Eu deveria ter pedido por um júri".

“Eu sei que sou pesada, triste, dramática, neurótica, louca, insatisfeita, mimada, carente. Mas você se esqueceu da minha maior qualidade: eu sou só. (...) O mundo é cheio de opções sem você, mas todas elas me cheiram azedas e murchas demais.”

Eu era a mulher que esperava sofridamente você voltar mas nunca deixou de te amar mesmo quando você ia.

Eles passarão, eu passarinho.

Eu vi o tempo passar, vi pouca coisa mudar, então tomei um caminho diferente.

Charlie Brown Jr

Nota: Trecho da música Senhor do tempo.

Eu desejo apenas conhecer os pensamentos de Deus... as coisas restantes são detalhes.

Albert Einstein
SALAMAN, E. "A Talk with Einstein," The Listener 54, 1955.

Nota: Atribuído a Einstein por Esther Salaman, sua aluna em Berlim.

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Desisto das palavras. Elas não explicam o que sinto, as pessoas não entendem. Eles querem que eu diga o que sinto, mas querem ouvir o que lhes convém.

Tenho fome da extensão do tempo, e quero ser eu sem condições.

Fernando Pessoa
Livro do desassossego. São Paulo: Principis, 2019.

‎"Eu te acho bonito de formas tão variadas e profundas e insuportáveis."

Você é a única pela qual eu faria do possível ao impossível pra te conquistar.

Eu só aceito a condição de ter você
só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu
fingir e rir... ♪

[...] Estou te querendo muito bem neste minuto. Tinha vontade que você estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas, e sem nenhuma importância.

Não quero criar conflitos, então eu finjo que estou bem, mesmo quando não estou.

Cultivo alegrias no jardim onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e seus segredos...

O Desaparecido

Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.

Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.

Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

Rubem Braga
BRAGA, R., A Traição das Elegantes, Editora Sabiá, Rio de Janeiro, 1967

Eu estou aqui, deixando a vida me guiar, não é por falta de aprendizado que eu estou fazendo isso, ao contrário, aprendi até demais.

‎E lá vem você me olhar apaixonado e, no segundo seguinte, frio. E me falar para eu não sofrer e para eu ir embora e para eu não esperar nada e para eu não desistir de você.

Por isso eu acho que a gente se engana as vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo porque não aguenta o fato de estar sozinho.