Eu Vou mais eu Volto meu Amor
A realidade é um espelho,
e nele eu me vi inteiro:
você desconta em mim
a saudade que sente dele.
Eu detesto esse instante
em que seu olhar atravessa o meu
procurando outro rosto.
Acho que sou remédio
para tua memória.
Você me toma quando a falta aperta,
mas não é a mim que você quer curar.
(Saul Beleza)
*Dilurido de dor*
A vida é um ispêio truviscado, visse?
E eu tô aqui, dilurido, com o peito rasgado,
que ocê pega essa saudade que é dele
e desconta todinha em cima de mim.
Dói, dói que só uma peste.
Ocê me abraça chamando outro nome
com os zóio.
Eu num sou gente pra ocê não,
sou remédio amargo,
sou chá do mato pra curar
uma dor que num é minha.
Tô loco, tô tonto, tô dilurido de dor,
bebendo tua saudade que num me pertence.
(Saul Beleza)
Eu me rendo,
não tenho renda
pra te cobrir de rendas.
Não tenho ouro, não tenho seda,
só tenho esse peito matuto
dilurido de amor.
Se eu tivesse, te vestia de renda fina,
mas como não tenho,
te cubro de ternura, carícias e
de versos e de carinho.
Que no fim, minha riqueza
é só me render pra você.
(Saul Beleza)
Na verdade estivemos juntos a última vez
e eu nem sabia.
Te beijei pela última vez,
com a pressa de quem vai voltar,
te abracei pela última vez,
com a força de quem fica,
te quis pela última vez
como se houvesse próxima vez.
Discutimos pela última vez,
por besteira, por ciúme, por medo,
e eu juro que discutiria de novo,
só pra ouvir tua voz mais um pouco.
Foi estranho.
Não teve trilha sonora,
não teve chuva na janela,
não teve aquele aviso que os filmes dão.
Só teve nós dois,
e um abraço que não sabia que era despedida.
Pela primeira vez,
foi a nossa última vez.
E eu ainda estou aqui,
tentando aprender
a te desabraçar.
(Saul Beleza)
Eu trabalhei minha autoestima.
Isso significa que passei a confiar em mim e a olhar minhas decisões com mais cuidado e carinho.
Aprendi a separar o que os outros esperam de mim do que eu mesma espero de mim.
Quando a “conta” das escolhas chegar, serei a única responsável pelo pagamento.
Ninguém tem direito de me apressar ou dar palpite.
“Quando eu partir deste mundo, levarei as minhas alegrias e as minhas tristezas, a minha dor e a minha coragem, o meu sorriso e a minha lágrima. Deixarei para vós como herança, lembranças! Boas ou más, deixarei”
Não é decepção, é apenas uma tristeza profunda. Você largou minha mão, e eu me afoguei no profundo oceano, cada vez mais fundo, cada vez mais fundo. A escuridão tomou conta de tudo.
Não aceite um 'eu te amo' de quem não faria o mínimo esforço para insistir na relação, caso ela precisasse. @R_Drigos
Desde que me conheço, os olhos me chamam antes de tudo. Eu os desenho, os observo — e por vezes juro que os escuto, porque falam mais que a boca e carregam histórias que um cérebro inteiro talvez não caiba.
Fascinam-me como galáxias: cada olhar é um mundo distinto, às vezes repleto, às vezes vazio.
Acho que a maior dádiva é poder observar. Observar me dá vontade de viver: detectar minúcias, e desvendar outros olhares, torcendo para que alguém queira desvendar os meus também.
É como se eu estivesse num devaneio taciturno, sem fim,
regredindo — pertencendo menos a este inóspito mundo.
Chorar dói, é um nó na garganta. Era o que eu pensava, mas hoje, que me permito reconhecer que tenho sentimentos — e, especialmente, no tempo atual, mais intensos que o normal — percebo que chorar não dói. O que dói é o sentimento entalado, se recusando a sair por alguma razão, apesar de querer sair de qualquer forma.
Me intriga como sentimentos podem nos mutilar no âmago do nosso ser quando somos tão taciturnos. Dores explícitas são dores, mas as ocultas são torturas. Te fazem agonizar amargamente, de dentro para fora. Culpa, tristeza, insegurança… a cada parte do seu corpo, se espalhando feito uma praga, bem devagar, lá no fundo, se certificando de que não sobrará nada para recorrer à recuperação.
Você está sentindo isso, e sabe onde vai dar. Prematuramente, você ainda pode evitar, mas escolhe arriscar. Machuca. Você se machuca. Você morre de dentro para fora, sem propósito, sem felicidade, sendo o aconselhador dos tristonhos quando se está mais destruída do que alguém que já se destruiu.
Quer saber? Chorar dói sim. A garganta fecha, as lágrimas caem, dilacerando meu rosto, o coração dói. Não acredito nesse papo de chorar de felicidade. Quem se submete a tanta dor por estar feliz? Afinal, eu não sei. Talvez nunca tenha estado tão feliz a esse ponto, mas não irei pedir para que alguém me faça feliz, ou pedir a um ser divino para me ajudar. Afinal, eu falo tanto que um pedido de ajuda passaria despercebido, assim como tudo o que eu falo passa despercebido diversas vezes. Mas, como dizem, é só tomar um remédio pra calar a boca, e fica tudo bem para eles. Não me atrevo a dizer para ninguém: há segredos e dores que morrem conosco.
Sonhos perdidos, em uma ilusão, na colisão de olhares.
Eu me perco no seu olhar todos os dias, eu me perco. E não sei se isso é bom, não consigo mais me achar. Me procura, me desperta novamente, pois já não sei quem sou, quais eram meus sonhos, o que eu pensaria, o que eu falaria, o que eu faria...
Se um dia não chorava, essas lágrimas lúgubres são pelo luto da perda, da minha perda. Pois, no tempo atual, posso afirmar que já não sei quem sou, não sei onde estou, muito menos onde quero chegar. E não tenho a mínima ideia de como me encontrar.
Me perdi tão célere como um trem-bala e me afundo nessa esperança sublime, pois é o que me restou. Não sei se seus olhares arrebatadores foram culpados — e não os culpo, sinceramente — eu só não deveria ter deixado que a queda do meu ufanismo fosse fatal.
SILHUETA DE SONHO
Poeta Brithowisckys
Eu estou completamente apaixonado
pelos devaneios da silhueta de um sonho!
Eis que vislumbro na penumbra da noite,
surgir em minhas retinas em contorno,
num simples traço o esboço de luz e sombra
que se tornam meu universo inteiro
Eu não vejo a suavidade do rosto dela
Nem ouço a doçura da sua linda voz
Mas aquelas curvas delicada e atroz,
despertaram dentro de mim a êxtase
de um intenso chamamento secreto.
A silhueta dança em minha mente
Como chama fugaz que não se apaga,
fazendo-me sonhar inda desperto
num mundo que somente eu habito.
Desejos ocultos vicejam e florescem
como segredos guardados no peito.
Cada flash clicados do corpo dela,
eu vejo e imagino o lirismo da
poesia que arde em silêncio.
Não é apenas carne, não é toque,
é miragem que se faz real.
Um véu de fantasia tão intenso
que prende e liberta ao mesmo tempo.
E assim entre sonhos e luz
eu amo um corpo inexistente.
Um vulto que é apenas silhueta
que revela um infinito monumento.
Na curva acentuada da cintura
uma forma violoncelada de mulher!
Assim é você em meus pensamentos,
tortura em forma humana de mulher,
que bagunçou com a minha libido,
deixou meu corpo em frangalhos
tornando a minha paz em tormento
(…) Tive de criar capas de personagens nas quais eu só podia ver as tuas costas; criei histórias para me lembrar da minha própria história e vi-os olhando para a frente para aprender a não olhar mais para trás. São contos que um dia serão enterrados.
- Maysa S. Barrocal
Rio de mim
(Mauro A Evaristo)
Sempre que posso eu rio de mim,
Rio de janeiro, fevereiro e março,
Gargalho nos desertos a jardins,
Alô, alô, Realengo! Aquele abraço!
Ser gentil é um gesto belo,
Belo Horizonte é muito mais,
More em cortiço ou castelo
Importa é por dentro estar em paz.
Eu rio de mim sempre que posso,
Rio de janeiro, fevereiro e março,
Alô, torcida do América, aquele abraço,
Eu vivo em paz, comigo, com o que gosto,
Meses passam no meu rosto,
Alô, alô, BH, eu te amo sem embaraços!
feradapoesia.blogspot.com
Quando
a rima
surgir:
Talvez
eu me sinta
culpado
ou talvez
um abençoado,
um tolo
que volta
a sorrir.
Quem viveu sem foco aprendeu a proteger a atenção, e hoje é com isso que eu trabalho, num mundo que perdeu a sua para o excesso de informação.
Perdido
Eu continuo fadado a correr,
como os ponteiros de um relógio,
sempre um atrás do outro.
Eu me sinto como uma bússola desprovida do norte.
Sou como o pesadelo, sempre buscando seu irmão...
Mas o sonho me crucifica … ou será eu a me mesmo?
Não sou nada mais que os despojos de uma névoa tênue e esvaecida, tão abastada de vida como o suspiro de um moribundo.
Apenas vestígios de um destino amargo; triste e olvidado; como uma noite qualquer!
