Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Eu não escrevo para ensinar uma verdade. Escrevo para registrar uma percepção.
Não tenho interesse em convencer ninguém.
Tenho interesse em observar.
Questionar.
Escutar.
Algumas respostas vieram dos livros.
Outras vieram das pessoas.
Mas as mais profundas nasceram no silêncio, quando parei de procurar quem confirmasse minhas perguntas e comecei apenas a contemplá-las.
Tudo o que escrevo é uma fotografia da minha consciência neste momento da existência.
Amanhã talvez eu pense diferente.
E isso também fará parte da evolução.
Uma hora, cada fragmento encontra o seu lugar e tudo o que parecia disperso revela o caminho que eu estava construindo.
Um adágio popular diz: ‘A mulher enganou até o diabo.’ Um provérbio ultramoderno que eu criei diz: ‘Foto de rede social engana todo mundo, inclusive o Satanás!
Gênese do verso
Eu pensei em me calar,
procurei me segurar,
mas a vida logo me deu
o dom de improvisar.
Vou tentar não misturar
emoção com a razão,
pois se isso for tentado
tudo vira confusão.
É capaz de desandar
quem quiser se aventurar;
pois o que vou aqui falar
pode servir pra rimar.
O que for para ser dito,
que se fale sem frear;
que seja logo entoado,
rimado e improvisado.
Quando o mote apressar,
não corra, vai ficar feio;
procure ser mais matreiro,
não se faça de arengueiro.
O que aqui já narrei,
foi deixado no caminho;
sempre quis andar certinho
com a fé como vizinho.
Prometo sempre guardar,
esse dom que já citei;
eu me atrevo em cravar,
poeta nunca serei.
Na arte sempre há lugar
pra quem verseja com zelo;
por isso guarde com esmero
esse verso verdadeiro.
Houve um tempo em que eu acreditava que certas coisas eram absolutamente essenciais. Hoje, depois de tantas experiências, entendo que o essencial é encontrar em mim a força para transcender qualquer realidade.
Há compreensões que nascem do que vivemos em silêncio. E só nós sabemos o que foi preciso atravessar para chegarmos até aqui, a este exato momento.
E parte dessa força está em aprender a nos aceitar, compreender nossa história e nos perdoar. Honrar quem somos é nos permitir mudar.
Eu pego uma colher e misturo o céu com café morno, bolhas de sabão sobem pinheiros invertidos, bicicleta pedala para trás no espelho do banheiro. O gato mia em código Morse para o micro-ondas, que responde com pipocos de milho voando como pássaros de papel. Nuvens chovem para cima, gravidade vira piada, e o relógio derrete em forma de bolo quente. Por que o elefante usa óculos de sol no escuro? Sombras dançam tango com luzes de neon, enquanto números contam histórias de peixes voadores. A geladeira sussurra segredos de meias perdidas, o chão ondula como mar de concreto, e eu como nuvem com garfo de plástico. Fluxos de pensamentos giram em espiral, cores cantam óperas mudas, tempo estica como chiclete mastigado. Nada cola, tudo flutua em bolhas de confusão.
Mas olha só. Essa bagunça é a mente acordada: colher mexe ideias soltas, bolhas são pensamentos leves que estouram, pinheiros raízes profundas em solo instável, bicicleta impulsiona o irreal. Gato e micro-ondas, intuições aleatórias conectando mundos. Elefante no escuro, ver o invisível. Sombras e luz, dualidades dançando. Tudo faz sentido: o absurdo é o mapa da criatividade humana, onde a bobagem vira descoberta, a bagunça, clareza.
Kurt Cobain emerge das cinzas grunge, voz partida: "Eu sou o grito primordial contra o nada, alma selvagem engolida pelo ruído urbano, buscando salvação no caos da pele ferida". Noé responde da sua arca espectral: "Eu guardei as sementes vivas do apocalipse, navegando dilúvios de lagrimas, para que raízes antigas brotem novamente em terras esquecidas". Mahatma Gandhi, com mãos calejadas de marchas infindas, declara: "A resistência pacífica é o sal da terra; nela, povos originários florescem invictos, dissolvendo correntes com a força do espírito desperto". Renato Russo, legionário das noites brasilianas, confessa: "Nas veias urbanas pulsa um pulsar proibido, herança de guerreiros das matas, clamando por um país que ouça o coração silenciado". Maria Quitéria, visionária das profundezas temporais, irrompe: "Na quarta dimensão, o tempo se dobra como lâmina invisível; ali, lutadores ancestrais transcendem o plano, libertando-nos em espelhos da eternidade rebelde". Suas vozes se entrelaçam num manifesto etéreo: a humanidade resiste, primordial e multidimensional, contra o vazio que nos cerca.
Talvez ninguém te falou, mas eu irei te falar: ninguém pensa exatamente igual a você, e está tudo bem. Cada pessoa carrega uma história diferente, criações diferentes, dores diferentes, e por isso enxerga o mundo através de lentes únicas.
A diversidade de pensamento não é ameaça, é riqueza. Duas pessoas podem olhar para o mesmo problema e chegar a conclusões opostas, sem que nenhuma delas esteja completamente errada. O erro está em achar que só existe um jeito certo de enxergar a vida.
O mesmo vale para a fé. Existem pessoas que rezam olhando para o céu, outras que meditam em silêncio, outras que acendem velas, outras que simplesmente não acreditam em nada além do que os olhos veem. Nenhuma dessas formas de existir merece deboche ou julgamento.
Respeitar todas as religiões não significa concordar com todas elas, significa reconhecer que cada ser humano tem o direito de buscar sentido do jeito que faz mais paz para si mesmo.
No fim, o mundo não precisa de pessoas pensando exatamente igual, precisa de pessoas capazes de conviver mesmo pensando completamente diferente. Talvez ninguém tenha te ensinado isso na escola, mas fica aqui o convite: aprenda a respeitar o que você não entende.
Eu perdi a guarda para tua ambição, vai em frente calcule preços e valores, eu te aguardo um dia pra me contar se valeu a pena.
Eu me perco na rua de casa, quando você me olha com aquele olhar de quem não desejar nunca terminar de me esculpir.
Sei que falta alguns pedaços em mim, mas os que sobraram que não puderam levar, eu guardei para quem souber cuidar.
Eu até pensei que fosse masoquismo, duvidei que fosse sabotagem, mas entendi que é covardia mesmo, sofrer com medo de amar.
