Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Minha amada, você é a macieira que se destaca no bosque comum, e eu só desejo a sombra onde a paz e o fruto proibido coexistem.
Eu a procurei nas praças e nas ruas, não a achei nos lugares comuns, mas sim no jardim fechado que reservamos para o nosso reencontro secreto.
Teu caminho até mim foi traçado com sangue na terra. Cada pedra feriu Teus pés, não porque eu merecesse, mas porque Tu escolheste me amar.
A fundação do novo eu é um ato inerentemente solitário, pois ninguém, além de nós, detém o mapa dos escombros para reconstruir o alicerce.
Quando eu tinha pouca idade a vaidade me dominou, e só na maturidade percebi que a simplicidade é a maior riqueza.
Eu estava preso em um labirinto de números e razões, tentando desvendar a dor como um enigma matemático, mas a verdade é que o amor não se resolve, ele se vive. Agora, paro de correr em círculos e aceito o passado, a maior superação é reconhecer que a felicidade não está na lógica, mas na ousadia de amar novamente.
A ciência do nosso adeus era um mistério que eu tentei resolver, mas a única fórmula que preciso é a do perdão. É uma pena a distância, mas é uma honra a oportunidade de reescrever o destino. Eu me desligo das estatísticas da dor e me ligo à força indomável de quem decide reconstruir a ponte.
Não importa quantos círculos eu precise percorrer, a cada volta, a certeza da sua importância cresce. A vida me ensinou que o preço da fuga é a saudade constante do que foi bom. Hoje, volto não para corrigir um erro, mas para abraçar a jornada, aceitando que a perfeição não existe, mas o amor resiliente, sim.
Eu vim para te encontrar com o coração na mão, e te dizer que no meio de todas as minhas conquistas, a sua presença é a única que realmente me define. Você não sabe quão adorável sua luz é, e eu fui tolo por tentar quantificar esse milagre. Eu te escolhi ontem, te escolho hoje, e quero te escolher em cada novo começo que a vida nos der.
O peso da minha história parecia insuportável, e eu chorava tanto na tentativa vã de achar uma saída que pudesse me libertar das correntes do remorso e do sofrimento, cada dia era um novo esforço para varrer para longe as memórias cruéis, para deletar os capítulos amargos da minha vida, mas os desenganos se acumulavam, mostrando que minhas forças eram limitadas diante da complexidade da dor que carregava, e o vazio persistia.
A revelação do calvário era um bálsamo e uma acusação simultânea, pois a verdade eu já conhecia sobre o sacrifício supremo de Cristo, a entrega de um amor sem limites que culminou em Sua morte redentora, o pensamento do quanto sofrimento Ele enfrentou me constrangia, pois foi ferido também humilhado sem jamais revidar, e saber que por amor Ele sofreu calado, todos os momentos daquela paixão, tornava minha própria dor menos central, focando no Seu ato de graça.
Apesar dos meus olhos estarem marejados e o futuro incerto, eu já tinha em mim a certeza da verdade mais poderosa do universo, o fundamento da minha fé: o Cordeiro de Deus, Jesus, morreu por mim um dia para me dar vida e esperança, meditar nesse sacrifício, no quanto sofrimento Ele abraçou, como foi ferido e humilhado em favor de um pecador como eu, me fazia compreender que aquele amor silente e paciente me alcançava em todos os momentos da minha fraqueza.
Na realidade, o que eu quero desesperadamente é nascer de novo, refazer a trajetória, e ressurgir das cinzas de um passado que me assombra constantemente. Meu anseio mais profundo é apagar esse passado triste do meu coração, varrer para longe as mágoas e os erros, e com a alma purificada, eu enxugo as lágrimas que ainda rolam no meu rosto, pois eu tenho a convicção inabalável de que só Jesus dará a solução definitiva para essa profunda transformação, e por isso clamo por Sua intervenção.
Perdi versões de mim que eu nunca recuperarei, e agradeço por isso, eram versões fracas, hoje caminho com mais precisão, sei onde piso e por que piso, minha vida finalmente tem direção.
A vontade de desistir é um animal que aparece ferozmente. Eu o observo, ofereço água e digo seu nome. Nomeá-lo enfraquece o monstro e devolve-lhe forma humana. Com isso, a desistência perde parte de seu reino. E eu continuo, passo a passo, com pés que querem aprender.
A fé me devolveu a mim mesmo,
quando eu já tinha esquecido quem era, ela me levantou antes mesmo que eu pedisse, e hoje eu sigo firme, porque sei de onde vem minha força.
Eu carrego uma coragem disfarçada, que só aparece quando tudo desaba, é ela que me puxa pelos cabelos da alma e me obriga a tentar mais uma vez, e é por isso que nunca paro.
