Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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Às vezes eu danço na beira do poço, flertando com o caos que um dia me acolheu.

"Se a desumanização do outro não me doer,
serei eu o desumano:
pobre de alma, morto de espírito,
condenado aos confins do inferno
de minha própria mente, eternamente."
-B.M.

Eu decoro as praias com alfabetos de espuma e desperto a primavera com o perfume adormecido das cores quando o silêncio floresce as palavras maduras que o vento carrega na eternidade bolsos de sementes de futuro. A memoria é um jardim onde nunca termina o outono. As folhas secas contam histórias de árvores floridas e frondosas. As horas bordam linhas na minha face e minha memória se torna mais jovem quando altiva se mostra bondosa. E eu diria que o tempo é um trem que sempre volta no mesmo horário. A névoa abraçou a manhã como quem protege um segredo meu, que é evidente quando falo em amor. O coração constrói pontes onde a razão levanta muros, mas o sentimento desconhece o concreto. A noite derramou tinta sobre o orvalho e mais coloridos ficam as flores. O rios nunca esquecem o caminho das estrelas. Eu fecho os olhos e vejo sua face. O último raio de sol pediu licença ao horizonte, pois a solidão cultiva jardins sem vida. A esperança acendeu uma vela dentro da tempestade. Fazia sol e chovia. As nuvens escondem cartas escritas anônimas. São cartas que o orvalho escreveu sobre as pétalas. As árvores respiram a paciência das estações. E o amor ultrapassou a paciência e virou uma doce resignação. O crepúsculo guardou brasas douradas sobre as asas do céu e minha face se vestia de ouro na luz que recolheu os fragmentos da noite em suas mãos. Eu te observava como uma borboleta que adornava um livro. Era a lembrança da beleza silenciosa entre letras. O rio aprendeu a cantar observando o voo dos pássaros e a saudade cultiva jardins suspensos de momentos ternos. O sol semeou espelhos sobre a superfície do lago. Eu pensava se eu amo como águas de um rio que nunca mais verei. E o amor é um sonho impossível, que escreve beleza na luz do dia. O tempo afia suas asas nos séculos e o sentimento adormece no oceano profundo. O amor não tem destinatário, são fragmentos de um tempo passado. Mas esse amor é o brilho que me faz sonhar acordada. Mais nada.

Eu não quero paz, eu quero liberdade, aonde eu possa voar como um pássaro pra longe.

Se você soubesse o quanto eu te amo, era melhor contar quantas estrelas tem no universo!

Pensando na vida eu entendi que pra viver não se pode esquecer da morte

Eu lamentava o peso das minhas memórias, até que encontrei alguém que não possuía sequer um ontem para carregar.

Eu não guardo rancor de você, pois até a mágoa exige uma importância que você já não possui.

Você me olhava com uma promessa imensa no sorriso, mas suas atitudes nunca saíam do papel. E eu, mergulhado na vontade de dar certo, confundi a sua falta de opção com reciprocidade. Dei palco para as suas desculpas porque queria acreditar que o problema era o tempo, e não a sua falta de querer.
Você usou a minha calmaria para abafar o caos da sua bagunça interna. Validou o seu ego com o meu cuidado, colhendo o melhor de mim enquanto me deixava apenas com as suas sobras. Fez com que eu me sentisse especial na mesma proporção em que me descartava quando a conveniência mudava de direção.
Você dizia que o nosso encaixe era raro, mas preferiu a pressa dos desapegos. Dizia que adorava a minha companhia, mas sumia sempre que a rotina exigia presença. Dizia que tinha medo de me machucar, mas usou justamente esse medo como escudo para não se comprometer.
E sabe o que deixa um nó na garganta?
É dar-se conta de que eu estava construindo bases sólidas para nós dois, enquanto você só queria um abrigo passageiro para os dias de chuva. Eu apostava no que a gente poderia ser, e você só se ocupava em ter certeza de que poderia ir embora a qualquer minuto.
Hoje, eu decido fechar essa porta.
Escolho resgatar a intensidade que gastei com quem era raso.
Escolho a certeza que você nunca soube me dar e a dignidade de não caber mais em espaços tão pequenos. Eu não aceito mais ser o rascunho de alguém que nem sabe o que quer escrever.

Eu queria nunca ter cruzado o teu caminho.
Não porque você tenha sido uma pessoa ruim, mas porque você me fez enxergar um futuro que só existia na minha cabeça.
Você chegou justamente quando eu estava tentando me reconstruir, e, sem que eu percebesse, acabou se tornando o meu norte. Eu mergulhei de cabeça de um jeito que hoje até me assusta. Dediquei a você o meu melhor sorriso, o meu tempo mais precioso, o meu cuidado e toda a minha entrega.
E o que sobrou para mim? Apenas o eco do seu silêncio, a frieza da sua distância e o vazio da sua ausência.
O que mais machuca não é ver você ir embora. É olhar para trás e perceber que, para você, tanto faz se eu estou aqui ou não. Dói ver que a minha presença nunca fez diferença real na sua vida.
Quantas vezes eu deixei os avisos de lado, engoli o meu orgulho, quebrei a cara e insisti... tudo isso para, no final, abrir os olhos e notar que eu era o único lutando por nós dois. Eu estava sustentando sozinho uma ponte que você já tinha abandonado.
Quem sabe o tempo cure e um dia tudo isso faça algum sentido. Até lá, sigo recolhendo os meus pedaços, tentando me refazer e reaprendendo que o amor de verdade não deveria machucar tanto.

Achou que o seu gelo ia me congelar? Pois veste o casaco, porque eu acabei de decretar o inverno.

Mas até agora, eu nunca me senti vivo. Até.. eu pintar aquele quadro azul.
- Blue Period

De que adianta?


​De que adianta eu ter um dom e enterrá-lo no quintal de casa? De que adianta eu ter uma voz e não usá-la para o bem? De que adianta saber que minhas mãos receberam o dom de curar e, ainda assim, eu não tocar ninguém? De que adianta possuir o dom da palavra se eu escolho o silêncio quando eu poderia semear esperança?
​Que tudo o que eu tenho, todos os meus dons e tudo o que sou, sejam colocados a serviço do bem que nasci para fazer!
​Que tudo o que eu toque se multiplique, inclusive, eu mesma. Que tudo o que eu toque prospere. Que, em todos os lugares por onde eu passe, eu espalhe o amor. Talvez assim, eu tenha feito a vontade daquele que é superior.
​Nildinha Freitas

Eu não sei escrever poemas, sei escrever sentimentos,
Vontades não ditas, pensamentos reprimidos,
Desejos escondidos sob uma camada grossa de medo.
Medo das pessoas, medo dos julgamentos, apenas medo.
Poderia dizer que andei por mares e viajei por céus.
Mas não fiz isso, essa é minha verdade nua e crua,
Estou numa sala, em um pequeno apartamento
Escrevendo enquanto minha xicara de café esfria
Escrevendo o quanto eu sinto,
e não consigo falar.

Eu escrevo porque não consigo falar.


As palavras se recusam a sair da minha boca,
então derramam-se no papel.


Queria poder me desfazer em teus braços,
encontrar neles um lugar onde o mundo
parasse de pesar.


Queria que cuidasses de mim,
como o Pequeno Príncipe cuidou de sua rosa.
Queria ser tua.
E, mais do que isso,
queria que escolhesses ser meu.


Não por obrigação,
mas por paixão.


Há quem me corteje.
Há quem tente conquistar meu olhar.
Mas de que me serve qualquer cortejo,
se o único que desejo
é o teu?


Se não tens intenção de permanecer,
tem a delicadeza de partir dos meus pensamentos.


Não é justo.


Toda vez que fecho os olhos,
és tu quem encontro.


Vejo tua postura ereta,
teus dedos ligeiros dançando sobre o teclado.
Revivo o nosso abraço,
o calor do teu corpo envolvendo o meu.


Vejo teus olhos por trás das lentes redondas,
e descubro, mais uma vez,
que teus óculos parecem ter sido feitos
para o contorno do teu rosto.


Então meu olhar encontra teus lábios.


E, nesse instante,
o mundo deixa de existir.

Eu me preocupo muito com o futuro, mas eu vivo no passado.
O presente é inexistente para mim⁠

que te acompanho
eu sigo teus beijos
de cada banho
reflete como me vejo

perfeição em paixão
mentira que se desfaz
por cada erro, tua mão
como posso ver mais?

essa mente coletiva
parasitas e demônios
adoram e a comem viva
daqui por mais quilômetros

te importo de bondade
luxúria se dissipou
mesmo que terá verdade
não sou o que buscou

bastardo eu pensar
que teria algo especial
ao teu lado, sensacional
para nunca mais terminar

abrirei para trancar de vez
meu coração
orarei para que tu livrareis
minha condição
te dê surdez, e não ouvirá
minha canção.

O que seria de mim sem você?
que eu diga pro vazio, o que ia querer?
essa lacuna que afunda, desculpa
mas tenho mais por continuar a luta

sem propósitos e afins
seria tédio, ou busca por ti?
meu coração tem as intenções
evitando tudo isso por segundas razões

fugir dos meus desejos
só adiará a resposta
o vazio gritaria por tanto desespero
a pergunta bateria na minha porta

Eu sou como um vinho seco
Para aquelas pessoas que não sabem apreciar algo bom
Doce e suave para pessoas importantes
que querem uma explosão de saber em sua vida

Eu não queria deixar de existir; eu só queria descobrir como viver sem que tudo doesse tanto.⁠