Eu Vou Errando e Acertando
Só eu sei dos pedaços que me arrancaram, dos que perdi, dos que consegui colar, e dos que não consegui, então não julgue minhas imperfeições.
Eu escolhi plantar sementes de amor... Agora colho o que plantei. E você, o que estará plantando no terreno da vida?
Reflexão:
"O que o outro pensa é um imposto
que eu decidi parar de pagar."
"Opinião sem fundamento é ruído;
silêncio com propósito é resposta."
"Se não acrescenta no meu caráter
não consome o meu tempo."
Essa tríade de pensamentos carrega uma força bruta de autopreservação. Elas não são sobre isolamento, mas sobre a curadoria rigorosa da própria energia. Em um mundo que exige nossa atenção e reação a cada segundo, decidir o que ignorar torna-se o maior ato de rebeldia.
E eu, com muito mais consciência para sentir sua morte dessa vez. Imenso prazer que vem acompanhado da dor.
O medo de que eu fosse seguir seus passos começou a se desfazer, mas eu continuei achando que você, Elena, estava dentro de mim, era um estar em mim...
Hoje aos meus 80 anos, se me perguntassem: O que mais te decepcionou na sua vida?
Eu responderia: O Ser Humano!!!
Hoje não me envergonho mais, em dizer que prefiro os animais!!!
Poema Melancólico – Hemorragia da Alma
Eu te amei com uma fidelidade ingênua,
daquelas que a gente oferta sem cautela,
como quem deposita o coração inteiro
numa promessa frágil, de aparência tão bela.
Mas tu eras narcísica inconstância,
um vazio requintado em forma de gente,
um afeto de porcelana: vistoso,
mas que se estilhaça facilmente.
Eu, tolo, fiz vigília sobre teus silêncios,
buscando migalhas onde só havia desdém.
E cada gesto teu — tão miúdo, tão ínfimo —
era um corte discreto, mas profundo também.
Hoje trago no peito essa hemorragia etérea,
sangramento que não se vê, mas consome.
Um padecer sem alarde, clandestino,
que corrói o que resta do meu nome.
E percebo, enfim, com amarga lucidez,
que o amor que te dei, vasto, plúmbeo, inteiro,
não foi capaz de redimir tua secura,
nem de salvar meu próprio travesseiro.
Resta-me agora a cura lenta e austera:
recolher meus cacos com serenidade tardia,
e permitir que o tempo, senhor indulgente,
estanque o que sobra dessa triste hemorragia.
Você diz: Eu não queria amar ele, mais acabei me apaixonando.
Eu digo: Eu queria amar ele, mais acabei não me apaixonando.
