Eu Trocaria a Eternidade por essa Noite
O comprador de ovos.
Eu tive um amigo, quando criança, que vendia ovos. Ele era mais velho que eu. Ele percorria os sítios da redondeias com ser carrinho de madeira (um caixote) e ia comprando a "produção" q depois ele vendia na cidade. Uma vez ele me convidou para ir com ele, eu e mais um amigo em comum. Saímos cedo. No caminho ele foi explicando o processo que ele usava. Bem mais complicado do que o de frutas, que era bastante simples que consistia em colher um cento de mexerica, botar no carrinho, pagar e voltar para a cidade e já começar as vendas. Ah, e a gente podia comer à vontade nos pés, diferente de ovos que você não podia comer. O dono, (sitio dos Geraldo) uma pessoa que tinha o coração maior do que ele, nunca contava o que a gente colhia. Uma vez eu troquei uma espingarda de pressão por uma cabrita com ele, mas isso é outra história; Mas então.. o mercado de ovos funcionava assim: havia a compra com entrega imediata e com entrega futura. Era aquele sistema que mexia com nossas cabeças, , --"quando acontecer, vocês vão entender" na prática fica mais fácil, disse ele-". E lá fomos nós acompanhando ele, torcendo para acontecer uma compra futura. Acho que no terceiro vendedor aconteceu. O nosso amigo comprou uma dúzia e levou somente seis ovos. Num outro ele pagou seis ovos e levou uma dúzia. Foi então que entendemos aquele mercado. Meio complicado, diga-se de passagem. Ele adiantava o dinheiro quando as galinhas, por algum motivo, desconhecido por nós, não liberavam a produção, mas o vendedor precisava do dinheiro, então ele completava numa próxima negociação. Com aquele sistema ele prendia o vendedor, que não vendia para outro comprador .
Depois daquela aula, na volta ele veio nos contando sobre um rio que existia por alí e que, infelizmente, iríamos ter que atravessá-lo, e pior, a ponte era muito estreita e tinha sido construída sobre a parte mais funda do rio. Vez ou outra ele dizia: --"Escuta só, o barulhos do rio,tá lá bufando! igual a um bicho."- era com tanta criatividade, que passamos, também, a escutar o "bufo" do rio. Quanto mais perto, mais aumentava nossa curiosidade. Quando chegamos, era só risadas, Crianças riem de tudo. Era um riozinho, (rio balaio, para quem é da região) que tem menos de dois metros largura, mas naquele dia era como se tivesse cem.
Meu amigo Fred Fritz ( Frederico Burrico)
Em 1977, a empresa que eu trabalhava, junto com a matriz dos Estados Unidos, deram um curso de linha viva, classe 500.000 volts. O curso foi em Paulo Afonso, na Chesf. (Cia. Hidroelétrica do São Francisco) e foi ministrado por um técnico americano, Fred Fritz. O curso teve a duração de quinze dias. Nesse período, convivemos com uma pessoa fabulosa: o instrutor americano. Um cara simples, educado e super profissional da área. Durante o treinamento, ele foi arregimentando admiração de todos nós. O curso foi para mais ou menos quinze eletricistas, funcionários da Chesf. No dia a dia, , como não podia deixar de ser, ocorriam as brincadeiras entre nós. Nos primeiros dias, o americano ficou meio introvertido. Depois, pouco a pouco foi se soltando e participando das brincadeiras e ensinando palavrões em inglês para nós e nós para ele em "bom português".Ás vezes, sem motivo algum,ele falava uns palavrões em português. Todos ríamos pela mistura que ele fazia dos palavrões. No final do curso, os eletricistas proporcionaram uma jantar de despedida para ele e claro, para nós. O cardápio foi meio estranho: Tinha jiboia assada com batatas, um tatu ensopado e revoada de pombas silvestres, como tira gosto . (Claro que na época tudo isso era permitido). Cardápio difícil de traduzir para o inglês. A cobra até que deu, mas o tatu e as pombas não deu. O tatu ele comeu como se fosse tartaruga e as pombas como se fosse um tipo de galinha anã. No dia seguinte viajamos para Recife onde pegaríamos um voo para o Rio. No aeroporto de Recife ele mandou ver num palavrão em português, um não dois. Não sei bem o que que aconteceu entre ele e um funcionário da Varig, De repente, bem alto e em bom som ele disse: "surubunda". A principio houve um silêncio, mas depois vendo que ele não era brasileiro, todos, que estava por perto, e ouviram o palavrão, começaram a rir, inclusive ele. Seis meses depois ele voltou para o Brasil para um outro curso, mas aí, infelizmente, eu já não estava mais trabalhando na mesma empresa dele (filial do Brasil), mas mesmo assim fui me encontrar com ele no aeroporto de SP e depois, quando ele voltou para os Estados Unidos, fui me despedir dele. Na despedida, fui com minha esposa que estava grávida do meu primeiro filho. Ele ficou muito feliz em nos ver, O pessoal da Cesp (Cia. Elétrica de São Paulo) tinha deixado ele no aeroporto sozinho.
Um pouco por mímicas e com algumas palavras pescadas, fomos nos entendendo. Brinquei com ele dizendo que o nome do meu filho, se fosse homem, seria Frederico em homenagem a ele,.Mas,.quando estivemos em Paulo Afonso, o pessoal brincava com o nome dele chamando-o de Frederico Burrico. Depois que ele descobriu a brincadeira começou, ele mesmo, a se denominar de Fred Burrico, e aí, no aeroporto, ele se lembrou da brincadeira da associação do nome dele com o burrico e ria muito. Nunca mais vi meu amigo americano .. Depois de uns seis ele me mandou pelo correio um pasta Sansonite. No curso de Paulo Afonso ele ficava rindo da minha pasta, uma 007, bem surrada. Um dia ele falou: _"só não te dou a minha porque não tenho onde colocar minhas coisas".
A discussão dele no aeroporto de Recife, , quando ele soltou o palavrão mesclado, foi porque . ele queria tirar as coisas que estavam na pasta e colocar numa bagagem que já tinha sido despachada, assim ele poderia me dar a pasta .. /i
Papai Noel
Num natal, eu botei na cabeça que eu ia dar um presente para minha mãe.
Nessa época eu era engraxate. Me lembrei disso hoje, porque aquele natal também caiu num dia de domingo. Na rodoviária de Santa Mariana, tinha um bazar onde eu tinha visto uma xícara com uma paisagem de neve, e era aquela que eu queria dar para a minha mãe. Mas só existia uma e eu corria o risco de ela ser vendida. Pedi para o dono do bazar reservar a xícara, ele sorriu e me falou que, quem chegasse primeiro levaria. Isso foi de manhã, umas 9hs. e eu não tinha nenhum centavo no bolso do calção (meu calção tinha um bolso). O dia corria e nada de arrumar o dinheiro. De repente começou a aparecer uns "fregueses" tradicionais e entrar um dinheirinho, mas ainda pouco para aquisição do presente. Eu engraxava um par de sapato e ia até o bazar para ver se a xícara estava lá. Nem fui almoçar naquele dia. Na parte da tarde tinha conseguido uma boa parte do dinheiro, mas ainda insuficiente. Eu continuava cuidando e pedindo para que ele não vendesse a xícara. No fim do dia, quase no horário de fechar o bazar e ainda sem o valor suficiente, pedi para o dono se eu podia pagar a importância que faltava na próxima semana. Disse que eu engraxaria os sapatos dele sem cobrar até completar o valor. --"Nem pensar, me disse ele, e tem mais, já vendi a xícara." Fiquei olhando para o chão, os olhos cheio de lágrimas, pensando: como é difícil a vida de engraxate. Se eu tivesse guardado o dinheiro dos outros dia...mas aquele dinheiro, “dos outros dias”, também fazia parte da receita da família. Vez ou outra eu comprava carne, ou uma outra coisa de comer e levava para a nossa casa. O que fazer? Estive tão perto de poder comprar aquele presente. Era para fazer uma surpresa pra minha mãe. Eu queria que ela ficasse feliz no dia de natal. Pequei minha caixa de engraxar, que eu tinha deixado do lado de fora do bazar, e a levantei para colocar no ombro, mas algo me chamou atenção: havia alguma coisa embrulhada num papel de presente, assim, num formato de xícara. Hoje acho que, enquanto eu estava negociando a compra da xícara, em algum momento, essa pessoa (Vitor) colocou aquele pacote dentro da caixa de engraxar. Me lembro que ele olhou para mim, com os olhos cheio de lágrimas, sorriu e me desejou feliz natal. //Ivo Terra de Mattos
Se eu pudesse voltar.
foi se um tempo
um tempo que, já quase esquecido,
surge de repente, agora se apoiando em velhas lembranças;
rebusca a memória, força momentos que vem e vão como se fossem estrofe de um velha canção de ninar;
fecho os olhos e me vejo em lugares, cheio de rostos
conhecidos com perguntas que ficarão sem respostas.
o tempo se foi hoje. /i
Foi um engano inocente achar que eu conseguiria te esquecer.
Em todos os lugares por onde eu passei, lá estava você. /i
(Já postado algumas vezes)
...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia..
Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios.
Nos intervalos das "engraxadas' (eu era engraxate. Iniciante) eu ficava na porta no cinema e viajava naqueles painéis de fotos de "mocinhos e bandidos". Depois ficava esperando a matine de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do "bom contra o mau". O "mocinho bom" sempre vencia. No fim do filme sempre tinha a continuação dos seriados intermináveis, que deixavam um suspense no final. Acho que era para a gente voltar no próximo domingo. Perto do cinema havia uma sorveteria . A mais linda do mundo. (Eu só conhecia aquela) Os sabores dos sorvetes eram homenageados nos painéis(desenhos) que ficavam expostos nas paredes. Eu viajava naqueles sabores. O meu preferido era o banana splits, mesmo não conhecendo o sabor. Gostava da imagem.
O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto, lógico, pela aparência. Como eu era um dos que não podiam entrar, o negocio era ficar olhando pelo lado de fora e imaginando. E foi ali, naquela sorveteria, que um dia, um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, mandou que o homem ruim, servisse o melhor sorvete (aquele da foto que eu estava admirando banana split) para aquele menino que não podia entrar na sorveteria. O que foi feito sem relutar.
Do outro lado da pracinha, tinha um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogador de futebol, com direito a ganhar uma bicicleta, desde que você preenchesse um álbum imenso. Ganhar aquela bicicleta era quase impossível. Mas foi assim, que um dia, com 8 anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas, mesmo ele não tendo álbum de figurinhas e nem ter ganhado a bicicleta. /i Ivo Terra Mattos
se eu pudesse ler seu silêncio..
entenderia seu sofrimento. abraçaria você com tanta força que ficaríamos um só. aí, então, eu poderia amenizar as suas dores e se fosse necessário, eu ficaria com elas para mim. /i
TSURU
Um leve toque no ombro
Revelou... "a paz que eu quero, em todo meu mundo."
Uma voz...De tom suave, rubro escarlate ao fundo sussurrou.
Lembrava uma canção do
Echo and the Bunnymen...
"Lips Like Sugar".
Com simplicidade questionou:
-Somos iguais?
(De certo modo , naquele instante levava- se a crer que tal diferença existira.
Seja por pré-julgamento implantando na sociedade ou por estereótipos sem sentidos...Desde a classe social, ao comportamental, passando pela diferença de gêneros, anseio de crises mentais, dogmas, ou simplesmente uma paranóia instantânea.)
Mas... pela retina da minha alma.
Apenas as mangas, os diferenciavam...
Ao mesmo tempo ao fundo
Cólera gritava: "vem meu igual!!!
Haveria compatibilidade???
Haverá futuro???
Meu olho seco...
Que mesmo através das lentes vermelhas, míopes e com olheiras de cartelas de desprazeres.
Enxerga que há tristeza em sua íris!!!
Que, as lagrimas derramadas, se dissolvam em aquarela.
Criando um arco, para que eu possa colorir seus poemas.
Floresça suas pétalas, com doses sonoras do puro suco das abelhas assassinas.
E descarregue sempre em suas raízes, doses extra de "Nunca Mais".
Enquanto jovem
Gritei a plenos pulmões
"Sou Sobrevivente da Periferia"
Com um pensamento de que um dia eu poderia viver, sem precisar sobreviver.
Hoje, sobrevivo as margens da socieda em meio ao Caos da cidade cinza.
-O Marginal vai aonde?
Vou protestar e sobreviver!!!
Protestar contra sua arrogância patriarcal imposta dentro de casa
Contra o álcool que embebedava suas falas agressivas, racistas e machistas.
Protestar, para que minha Mãe e todas as Mães... não sofram os abusos caladas.
Vou Protestar e sobreviver.!!!
Esse é o lema...
O fardo que carrega nas costas
É menos visível que a marca da dor em seu peito.
Em seu olhar sente-se a presença do prazer em ensinar e aprender.
Mesmo com as intempéries
Lembre-se
Depois da tempestade vem a bonança.
O caminho sera longo e cheio de obstáculos.
Mas o destino será gratificante e satisfatório.
Lá, as 12 jóias te espera.
Com "Conhecimento",
Encontrará "Sabedoria"
Assim terá a "Compreensão."
A "Liberdade", terá com, "Justiça" e "Igualdade".
"Alimentos" para compartilhar,
"Vestes" para a proteção
e um "Lar" para se aconchegar.
Com a "Paz" terá harmonia em seu coração.
Verás como o "Amor" nascerá em forma de um pássaro, voando em sua direção.
A "Felicidade" está ao seu dispor... venha voar.
Thibor
.
"A poesia que eu li em você"
Ao partir do caminho iniciado, me afasto cada vez mais do que eu queria ser.
Disposto a sacrificar meus finos
No escuro vi o brilho e ouvi os sinos
Que badalavam a melancolia do anoitecer.
Para ser...
Aquilo tudo que talvez queria
Vivendo essa total histeria
Escuto as sinfonias que a mente cria
Deliberando a afasia que me dificultam te compreender.
Parei... pensei...
Olhei
Para a luz e refleti um pouco
Observando o feixe com meus "zóio torto"
As atitudes ofuscante dos seus tons de ouro
É tão brilhante que faz o mais belo sorriso escurecer
Só é possível ver o vel que cobre a sua íris
Escondendo as raízes
Que ja sangrava muito antes de florescer!!!
Compreender...
Que essa vida é um tabuleiro de jogo
E quem tem a peça mais resistente
Não usa ouro...
Quem terá mais chances de vencer na vida e se dar bem.???
Com um cavalo manco
Ou uma torre desmoronando
Meu peão é persistente
E pensa antes de se mover
Para vencer...
A inteligência é estrategicamente elegante
Um ser pensante é mais excitante
Move um mundo inteiro
Simplesmente pra encontrar você
Não é preciso carruagem de fogo
Ou ter um castelo no topo do morro
Pra te encontrar
Escrevo tudo que vejo e anseio
Das páginas folheadas da vida, ás frases que leio e receio.
Percebo...
Algumas linhas do meu cotidiano.
Misturadas com os parágrafos dos dias medonhos.
Vou transformando letras em palavras
Pra escrever um texto de sonhos.
Onde eu possa finalmente entender
Que...
A caneta escreve a poesia que li em você.
Thibor
#poesia #poesiabrasileira #poesiamarginal #literaturaperiferica #poetathibor #poesiaautoral
Para: Você
Eu avisei...
Você, não ouviu!!!
Mas, viu e sentiu
Como é pertubador o silêncio e solidão do vazio.
E naqueles dias de frio
Voce não sente mais aquele corpo quente que te abraça.
Nos tragos só lembrancas
Derrubando as cinzas da brasa
Escorrendo as lagrimas dos olhos cansados de enxergar meus erros
Porém esses mesmos olhos que me olham com desprezo
É incapaz de olhar dentro de si mesmo e visualizar seus defeitos.
Nenhum Ser Humano é perfeito.
Thibor
Em busca do príncipe encantado, que não encontramos mais, eu cansei de procurar, mas eu descobri que era pura ilusão. Na verdade, ele sempre esteve comigo, mas eu não sabia. Estava procurando em outro mundo, em lugares onde eu não podia ir. Descobri por acaso que fui eu que o construí nos meus pensamentos, criei do nada, mas fui eu que o criei.
" Eu simplesmente sou considerada uma pessoa chata ou estranha pq não consigo conviver com gente que reclama demais apesar que eu já tive a minha fase de imaturidade porém hoje eu consigo ver o mundo de uma forma mais alegre ."
...nunca fui indivíduo, sempre fui coletivo_
Zé: quilombo;
Dr. Ayo Navrro: Aldeia;
Eu mesmo: o tudo, o todo e o povo.
Dia 21 - Qual gesto diário será meu selo de hábito e transformação?
- Eu escolho um gesto que me sustenta.
- O gesto diário transforma quem eu sou.
- A repetição reescreve a vida.
- O hábito nasce quando o gesto encontra o coração.
- O selo do hábito fortalece a liberdade.
- Eu mantenho o gesto mesmo quando a pressa chama.
- O hábito cria raízes e asas.
Gosto de ser comparado ao melhor jogador da história do futebol, mas quero ser eu mesmo.
Enquanto eu estiver ganhando, ninguém pode me dizer nada (...). Quando eles me vencerem, aí, sim, podem falar.
Enquanto minhas poesias pra ela eu dedicava, eu descobri que era outra pessoa que ela amava.
O sorriso dela iluminava meu dia, mas não era eu o motivo dessa alegria.
Eu queria a ela salvar, mesmo sabendo que ela não iria me amar.
- Relacionados
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Poemas que falam quem eu sou
- Poemas Quem Sou Eu
- Quem sou eu: textos prontos para refletir sobre a sua essência
- Eu sou assim: frases que definem a minha essência
- Eu Sou
- 28 poemas sobre a infância para reviver essa fase mágica da vida
