Eu te Amo do Amanhecer ao Anoitecer

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Ele ainda tem inocência.


Eu só perdi a minha inocência e comecei a ver o mundo como ele é, aos 28 anos!!
[19/3/2026 13:26] Alinny de Mello: Desde então, nunca mais fui a mesma

Eu tenho poucas e boas lembranças de nós, nós vivemos muitas juntos, por isso que apesar de reconhecer quem ele se tornou, eu o amo. Por nossas memórias, e me preocupo muito com ele. Porque ele é enganado facilmente. O problema que quando fazem isso com ele, ele quer nos tornar vítimas também, esse é o erro dele.


Ele precisa se encontrar!!

Eu tenho pena de quem ele se tornou.


Espero que ainda haja reversão, porque o caminho é a solidão, e isso não é bom para ninguém.

[19/3 13:17] Alinny de Mello: Porque apesar de tudo, eu sei que eles chegaram no auge do Narcisismo
[19/3 13:17] Alinny de Mello: Eu não consigo odiar nenhum dos dois
[19/3 13:18] Alinny de Mello: Porque eles também nunca souberam lidar com eles mesmos, porém quero distância por toda a minha vida
[19/3 13:18] Alinny de Mello: A maioria das coisas que eu perdi naquela época, foram culpa deles

[19/3 13:14] Alinny de Mello: Eu não odeio o nosso genitor, mas todos os problemas das nossas vidas, inclusive os TOC'S... E, quem ele se tornou, foram culpa dele
[19/3 13:15] Alinny de Mello: Somos os mais velhos, nós tivemos os piores momentos que uma criança nunca deveria ter tido
[19/3 13:15] Alinny de Mello: Eu nunca quis imitar eles dois, nunca foram exemplos para mim, sempre soube quem eu precisava ser

[19/3 13:11] Alinny de Mello: Eu fico triste por ele
[19/3 13:11] Alinny de Mello: Ele precisa se encontrar dentro de si mesmo
[19/3 13:11] Alinny de Mello: Espero que algum dia, ele reflita e seja novamente aquele menino que um dia eu conheci aqui
[19/3 13:12] Alinny de Mello: Não culpo ele, a infância molda todos de uma forma diferente.
[19/3 13:12] Alinny de Mello: Os traumas, a violência, os genes dos genitores...
[19/3 13:13] Alinny de Mello: Tudo isso faz um trabalho louco em quem está crescendo
[19/3 13:13] Alinny de Mello: Nós surgimos de conflitos muito dolorosos
[19/3 13:13] Alinny de Mello: Os meus ovários policisticos, o médico disse que tenho devido a minha infância difícil
[19/3 13:13] Alinny de Mello: Disse que toda mulher que passou por grandes traumas na infância
[19/3 13:13] Alinny de Mello: E adolescência
[19/3 13:14] Alinny de Mello: Tem ovário policistico

Em 2026 eu renasci. Um renascimento saudável, consciente. Os desafios dos últimos três anos me ensinaram muito e mostraram que ainda estou no campo de batalha, aprendendo, resistindo e seguindo em frente. Mas agora carrego algo diferente dentro de mim: a certeza tranquila de que, passo a passo, tudo vai se ajustar e ficar bem.

Não importa quão alta seja a escada. Se houver um corrimão, eu subo. Porque, às vezes, o que precisamos não é de facilidade, mas de um ponto de apoio, algo que nos dê equilíbrio enquanto seguimos. A vida é assim: cheia de alturas e desafios, mas sempre existe uma forma de continuar avançando.

Na escola, eu era chamada de bruxinha, simplesmente porque eu não tinha recursos financeiros para ir bonita para a escola, era tudo doado pelas colegas da minha mãe. Então, eu ia vestida de menino, anos 90. Tudo muito difícil, era o que tinha. Raider do Seninha, blusa regata com carrinho da hot Wheels!! Bom, na adolescência, meu uniforme era camisa de vereador, com um número e um nome bem grandão!! Escrito NATAN! Era o que tinha pra usar. Quando fiquei jovem... Todos viraram meus amigos.

Nenhum ressentimento. Um dia era prova de português, na esquina da escola, a tal raider que eu usava, quebrou. Eu fui descalça mesmo assim. Enfrentei a fila do pátio, para entrar na classe, todos me olhavam e riam. Eu não voltei para casa, lá não tinha nenhuma outra sandália para eu calçar. Nem minha mãe tinha dinheiro para comprar. Ela quebrava pedra brita o dia inteiro, para ganhar 0,50 centavos por lata. Mal dava pra comprar arroz que era também na época, 0,50 centavos o quilo. Eu nunca reclamei, eu sentia vergonha? sentia. Mas desde aquela época, sempre soube que nunca seria fácil.

Eu saí de casa aos 16, não suportava mais tantas torturas.


Eu perdi muita coisa naquela época.


Mas, eu me orgulho de uma coisa!!


Eu mesmo aos 16 anos, de menor, sabendo que ela voltaria novamente se eu a levasse, resolvi confiar nela e contar sobre minha fuga.
Se ela quisesse, iria comigo e com meus 3 irmãos, para nunca mais voltar.

Eu havia escrito uma carta, e nela falava para nunca mais me procurarem, porque seguiria a minha vida.


Mas, terminei a carta ás 3 da manhã!! Após alguns minutos que meu pai havia me deixado em paz, pois ele me torturava com um facão e psicologicamente, desde ás 6 da tarde. Porque eu comecei a trabalhar para o estado estagiando na época, graças a uma indicação da mãe de uma colega. E, nesse dia havia recebido meu primeiro pagamento. Ele queria tudo. Mas, eu precisava comprar meu material escolar, não dei. Disse que estava tudo no banco que no outro dia eu sacaria.
Na verdade, eu estava com tudo.


250,00!


Então, terminei a carta...

Mas, observei meus pequenos irmãos, todos ali, acoados e acordados naquele horário.


Eu, tomei uma decisão por eles.


Eu não fugiria sozinha, eu não chegaria muito longe.


Logo, como eu era menor, eu seria mandada de volta.


Eu mesmo sabendo que ela voltaria, como trocentos outras vezes, eu falei meu plano para ela.


Na manhã seguinte fugimos.


Para outro Estado, com a grana que eu havia recebido.

Então, atravessei a avenida pela passarela e cheguei em uma rádio. Eu falei com alguém lá, mas essa pessoa deixou a gente esperando umas 2 horas, e não mais apareceu. Então entendi, que ali não teria ajuda.


Mas, até agradeci, porque havia muita gente da minha cidade que eu conhecia lá, e eu estava morrendo de vergonha da situação.


Ao lado, uma igreja católica.


Como a pessoa fez a gente esperar 2 horas do lado de fora da rádio, sem dar retorno, já era 8 da manhã.


Então, a fome bateu.


Eu entrei na igreja, havia uma mulher limpando o local. Falei que queria falar com o padre, alguém responsável.


Eu estava comandando a situação, pois a minha mãe, nunca soube argumentar de maneira que as pessoas entendessem.


Então, eu era a adulta ali, com 16 anos, apenas.


A mulher se retirou para dentro, e logo um padre apareceu.


Expliquei a situação para ele, mas disse que tudo o que eu queria naquele momento era um pouco de comida para todos nós ali presentes.


Ele disse para sentarmos.


Esperamos uns 15 minutos ou menos. Veio pratos de sopa para todos nós.


Comemos, agradecemos e seguimos viagem.

Observei que havia uma mulher fechando a porta, eu corri ao encontro dela...


Enquanto eu corria, o segurança ficou sem entender nada, só olhando.


Mas, ao chegar perto dela, cansada, exausta de caminhar e faminta...


Perguntei "aqui é a assistência social?" Ela "sim".


Comecei contar a história...


Ela me olhou gentilmente e abriu a porta novamente.


Não perguntou mais nada.


Fez uma ligação, chamou uma combie e disse: "em 15 minutos, vocês vão ser encaminhados para um abrigo no Deus quer" ...


Em menos de 15 minutos, a combie chegou!!


Fomos levados para esse bairro, bem distante do centro.


Chegamos creio que 1 da tarde, lá!!


Nos acolheram, deram um quarto para nós com beliches, muito limpo, lençóis, creme dental, escova de dentes, sabonete e antitranspirantes.


Falaram que podíamos ir tomar banho e ir comer.


Foi a primeira refeição mais feliz da minha vida, e creio que a dos meus irmãos e da minha mãe também.


Finalmente estávamos livres, em paz e acolhidos. Sem violência, sem torturas...


Era um abrigo onde ficava mulheres que sofriam violência doméstica com os seus filhos.

Minha tia já estava me esperando. Eu fui para a casa dela, passei 3 meses com ela, depois fui morar com a minha avó paterna.


Com ela, passei 2 anos.


Depois, no último mês! Eu tive que sair da casa dela, porque meu tio era um drogado e violento, então saí, porque ele começou a ameaçar meu namorado, hoje, meu marido.


Então, fui pedir abrigo na casa de uma cunhada da minha avó, ela disse "tú pode ficar, mas não quero nem saber de macho aqui na minha porta".


Eu tinha 19 anos, e esse macho que ela falava estava me esperando e ouvia tudo. A gente tinha marcado o casamento, faltava um mês.


Era só disso, que eu precisava.
Mas, ela fechou a porta para mim.


Eu tinha umas amigas que já não estavam tão próximas de mim, mas foi a minha única solução.


Pedir para a mãe delas, para eu ficar lá por 1 mês!! Até casar.


Foi o que aconteceu.


Fiquei 1 mês!!


Trabalhando, feliz, sendo cuidada por aquelas pessoas, e no dia do casamento, me levaram de carro e ainda participaram comigo.


Recebemos 1 almoço surpresa.


Foi o melhor período da minha vida!!


Continua...

Eu aprendi que nem tudo depende de dinheiro quando a vida está nas mãos de Deus. Houve um momento em que meu corpo chegou ao limite, um colapso séptico que quase me levou. E ainda assim, eu voltei. Hoje entendo que Ele moveu o mundo por mim, colocando as pessoas certas no caminho, na hora exata, para uma cirurgia de emergência. Desde então vivo com serenidade, sabendo que não estou sozinha e que, quando parece impossível, Deus ainda está trabalhando.

Eu demorei para entender que minha fé não precisava de moldura. Não era sobre pertencer a um templo específico, repetir palavras decoradas ou provar algo para alguém. Um dia percebi, quase em silêncio, que Deus não estava distante nem escondido atrás de rituais; Ele morava em mim. E quando entendi isso, algo dentro de mim ficou tranquilo, como se finalmente eu tivesse chegado em casa.

Não depender de religião não significa desrespeitar quem encontra Deus nela. Pelo contrário, cada pessoa tem seu caminho, sua ponte, sua forma de conversar com o céu. A minha foi mais silenciosa, mais íntima. Foi no meio das minhas dúvidas, das quedas, das noites em que eu conversava sozinha com o teto, que comecei a sentir uma presença que não precisava de intermediários. Era uma fé simples, quase cotidiana, como respirar.

Eu descobri que Deus aparece quando eu cuido de alguém, quando eu escolho ser justa mesmo sem aplauso, quando eu perdoo, quando eu me levanto depois de um dia difícil. Ele está nos gestos pequenos, nos pensamentos que tentam ser melhores do que ontem. Mora nas decisões que tomo quando ninguém está olhando.

E isso muda tudo. Porque quando a gente acredita que Deus vive dentro da gente, a responsabilidade também muda. Eu passei a olhar mais para dentro, a vigiar minhas próprias atitudes, a tentar ser um lugar bom para Ele habitar. Não perfeito, porque ninguém é, mas verdadeiro.

Hoje eu caminho assim: sem precisar provar fé para ninguém, sem carregar rótulos pesados, mas com uma certeza calma de que não estou vazia por dentro. Há uma luz ali, discreta, constante, que me lembra todos os dias que Deus não está longe. Ele está aqui, comigo, vivendo cada passo da minha história.

Enquanto eu ainda respiro, existe recomeço. Aprendi que a vida não espera grandes viradas de calendário; ela oferece pequenos começos todos os dias. Às vezes acordo com o coração pesado, outras com esperança nova, mas em qualquer caso ainda há caminho. Recomeçar virou um gesto simples: levantar, respirar fundo e tentar de novo. Não preciso que tudo esteja perfeito, só preciso estar viva. E enquanto houver fôlego em mim, haverá sempre uma nova chance de continuar.

Estávamos eu e alguns amigos olhando para cima, mas o céu não era só céu, era um outro mundo, um lugar que parecia uma ilha flutuante no espaço. E eu percebia que lá havia habitantes, mas não como nós. Eles estavam de cabeça para baixo, vivendo como se a gravidade tivesse esquecido deles. Era bizarro e ao mesmo tempo encantador, porque a beleza do que eu via parecia desafiar tudo que eu já tinha aprendido sobre o universo.


Dois deles conversavam com uma menina que estava conosco, mas não por gestos ou sinais complicados, e sim por um computador antigo, daqueles que a gente imagina em filmes de décadas passadas. E enquanto eles digitavam e se comunicavam, eu ficava ali, absorvendo cada detalhe, me perguntando como poderia existir vida em um lugar tão improvável, tão diferente, mas ainda assim tão coerente. A água se comportava de maneira invertida, como se estivesse sendo segurada de ponta cabeça, e eu queria entender se aquilo era real ou se era só a imaginação que tinha decidido brincar comigo.


E então veio a percepção mais forte: existe outra possibilidade de vida além da Terra, além daquilo que a gente consegue tocar e medir. Existe um lugar no espaço que é bonito, harmonioso, como uma ilha que respira, que tem regras próprias, que vive por si mesma. E eu ria de surpresa, porque a vida podia existir assim, em lugares que desafiavam a lógica humana, e mesmo assim era natural, e viva, e cheia de significado.


Eu me pegava pensando naquelas águas invertidas, nas pessoas de cabeça para baixo, na menina conversando com eles por aquele computador antigo, e não conseguia parar de admirar. Era como se tudo ao meu redor dissesse que a realidade é apenas uma das muitas possibilidades, que o universo é um grande laboratório de experiências, e que a beleza está justamente em perceber essas diferenças sem medo. A ilha flutuante parecia me convidar a aceitar a impossibilidade, a questionar a rotina da vida, a rir das regras que achamos imutáveis.


Fiquei algum tempo contemplando, e percebi que o sonho não era só uma viagem cósmica, era uma lição sutil sobre curiosidade e percepção. Que a vida pode existir em lugares inesperados, que tudo que achamos fixo pode ser moldado de outra forma, e que o olhar atento, o questionamento e a imaginação são ferramentas para descobrir universos inteiros dentro de um instante. E mesmo quando acordei, fiquei com essa sensação de leveza, como se tivesse visitado uma ilha que só existe quando a gente ousa imaginar, uma ilha que me lembrava que a vida não se prende à gravidade, que existe para ser contemplada, para ser sentida, para ser invertida e ainda assim ser perfeita.


Um sonho do dia 25/03/2026