Eu te Amo do Amanhecer ao Anoitecer
– Uma mulher não herdaria o Trono de Ferro. Porque essa é a ordem das coisas.
– Quando eu for rainha, criarei uma nova ordem.
UMA POESIA
Por tempos eu procurei uma poesia
De amor, e ela sempre evitou a mim
Cheguei achar que a poética, enfim
Sequer iria inspirar-me uma alquimia
E de tanto buscar em vão, por fim
A trova vazia, em branco, arredia
Que nem bem surge, e vai, todavia
Palpita no meu coração, tão assim!
Mas, em outro tempo, foi-me além
Sussurrando n’alma aquele alguém
Que até hoje, sinto, mas se perdeu
Pois, ao querer bem, e mais amante
Veio o amor apenas por um instante
E em versos incessantes, prossigo eu...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
02 janeiro 2022, 04’55” – Araguari, MG
INSENSATO CORAÇÃO
Eu tive que sustar o coração
Para não mais viver a pino
Amuado e tão ao léu, ferino
Molesto, de perdida emoção
Enfreei cada um do desatino
Que quase asfixiei, em vão
E pus o peito em depressão
Sofrente e tão pequenino
Mas sei que ele é desditoso
Na sorte, em dispersos anos
Exagerado em ser amoroso
Seu fado é querer ter ao lado
E só celebrou os desenganos
Mesmo assim é apaixonado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
07 janeiro, 2022, 18’24” – Araguari, MG
COMO EU QUISERA
Meus versos são sussurros do coração
Traçados com sentimento tão sincero
Na medida da emoção e sem exagero
De quem, sem um afeto, tudo é vão
Em cada estrofe a ventura é tempero
De sonhos, de sensações e de paixão
Que no meu peito apraz, acalora quão
Desenhado a satisfação, como espero!
Se fosse só flores de uma primavera
Ornados de atenção, e de quimera
Na encantada prosa teria singelezas
Se existe... pouco sei, e pouco gera
Essa inspiração, se tem mais incertezas...
Que fosse só de amor, como eu quisera!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09 janeiro, 2022, 17’00” – Araguari, MG
paráfrase Amilton Maciel Monteiro
SONETO PERDIDO E TORTO
Se prosar que ignoro estou mentindo
Mas falar de amor eu não mais tento
Por essa tal poética eu vou convindo
Sem mais entender deste sofrimento
Se da saudade atormento vai saindo
Nesta sensação nada mais fomento
De tuas rememorações vou fugindo
Destinta quimera eu lanço ao vento
Se a prosa é de que me ama, maço
E se silencia, nem sei o que eu faço
Com a solidão na minha inspiração
Quanto mais o sentimento absorto
Mais o soneto se vê perdido e torto
Na prosa de um apaixonado coração
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 janeiro, 2022, 10’16” – Araguari, MG
TU POESIA
Diversas entre as demais e tão desiguais
prosas sussurradas do lenho do meu eu
mostrando que o seu aroma é todo meu
da alma, do coração e de emoções mais
Suspiros distintos em meio a vendavais
imensidões que sempre nos pertenceu
quando ausentes, sofridas, como doeu
dói, cada verso, dessoante, passionais
Ah tu, poética, base e essencial harmonia
sensação de que na métrica a autonomia
da razão do sentimento do possível acaso
Bendita cada trova ao ledor uma magia
ao poeta inspiração, que não é quantia
sim, a aptidão de um inspirado parnaso...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12 fevereiro, 2022, 11’19” – Araguari, MG
TRIBUTO
Eu acato cada verso de uma poesia
Com gosto de ventura e de passado
Onde cada ritmo é um elevo sagrado
De dourado sonho e sentimental via
Bendigo o vocabulário em sintonia
A ousadia duma inspiração, ao lado
A poética que faz do bardo fadado
Ao tom intenso que d’alma contagia
Os versos são eternos, com riqueza
Da mente que tem saudade, tristeza
Também, de ser emotivo, ser amado
Sensação que torna vez em quando
A imaginação no imaginário voando
Para se tornar no aplauso venerado
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
13 fevereiro, 2022, 15’25” – Araguari, MG
Acho que eu não era daquelas que pensavam que o colégio deveria ser uma grande festa. Eu queria me esforçar para que o resto da minha fosse bom.
PASSANDO ...
Sulca-me as frontes já rugas encanecidas
Olhar embaçado eu vejo o velho cerrado
Torto, “pedregado”, arbusto tão delgado
No tempo vou em velocidades incontidas
Cabelos brancos, vá, não seja tão abusado
O meu espanto, quanto as tuas investidas
Tão fugaz, minhas queixas enfraquecidas:
Lamentos, surpresa, pavor, sem resultado
Tive antipatia, tive inocência, e repulsa
Com a estranheza furiosa da mudança:
No espelho a figura avelhantada pulsa
E, atendo ao inevitável, já, só lembrança
Passou, vai passando, e a história incursa
Ao passado, a temporada de ser criança...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2021, 12’45” - Araguari, MG
Ó AMOR ...
Se eu peço a este amor que felicidade
não seja agonia ao sentimento gentil
ages ao coração com uma sensação vil
sabotando o desejo, e cheio de vaidade
Ora, donde vem tanta individualidade
quando quem te ama dizes ser sadio
civil na emoção e, um encanto sutil
feito dum carinho com cumplicidade
O sonho na desventura, então, chora
há suspiros de aflição e dor, e assim,
tal um pecador, ao teu olhar implora
Por juízo e uma cumplice comunhão
Imaculado, desenhado só para mim
Ó amor, pois tu és razão, pois não? ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10/04/2021, 09’23” – Araguari, MG
DECLARAÇÃO (soneto) ...
Se eu fosse fogo, arderia o teu amor
E se eu fosse o vento, incendiá-lo-ia
Já, se eu fosse a água, eu matá-lo-ia
Sufocado nos beijos, o desejo maior...
Se eu fosse uma flor, assim, sedutor
O teu cheiro no meu ser hospedaria
Se fosse só seu, manso e feliz estaria
E você meu, não mais seria sonhador
Se eu fosse vida, muito mais te dava
Se felicidade fosse, ela eu lhe traria
E na fortuna teus caminhos forjava
Se fosse versos, a poética comporia
E por apaixonadas rimas eu passava
Pra dizer-te do meu amor em poesia! ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10/04/2021, 15’51” – Araguari, MG
ÁRDUO SONETO ....
Deste amor que eu cantei ardentemente
Amando, amador, paixão, e apaixonado
De mim mesmo tiraram, e eu, frustrado
Sem o ter, agora, separado inteiramente
Toda esta dor, o pesar, n’alma da gente
Amarga, e deixa marcas na via do fado
Porém, também, tem a sorte, o agrado
No vai e vem. Tudo é interino. Somente
O que se leva, e o que deixa, tem razão
Então, cada motivo é pra se amar tanto
No entanto, se deixa ir a doce sensação
E neste bandido, perdido: - o meu canto
Árduo, que suspira do fundo do coração
Saudades sentidas, escorridas no pranto! ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12/04/2021, 06'45" – Araguari, MG
BREVE ...
Vós que leste, um dia, minha poesia
com que eu nutria a gamada emoção
vós que sentia nos versos a melodia
do meu coração: amor e sensação!
Se foi, fugaz, assim, tal uma ilusão
versos em pranto, e a sede fugidia
do encanto a uma triste desilusão
para o suportar da gorada fantasia
Assim, vejo bem, que paralelamente
na troça, falou-se e ria muita gente
quando só queria um olhar risonho
Rude paixão que eu senti sonhando
longamente, agora eu vou vexando
pois, o engano é um breve sonho! ...
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
15/04/2021, 13’30” – Araguari, MG
CHEIO DE GRAÇA
Eu gosto da prosa que se veste de paixão
De um coração cantante da canção exata
Dos olhares poetados cheios de sensação
Do peito suspirando numa doce serenata
Não gosto de sussurros numa inspiração
De choro que fere, incerto termo, bravata
Gosto de flor dada com genuína emoção
Então, que seja adorno de ouro ou prata
Gosto do abrigo do abraço que contagia
Que faz a alma dançante, com toda raça
Da poética do fado que traz a companhia
Em sendo assim, estar no acaso que passa
Trazendo aos versos aquela atração luzidia
Do amor, deixando o soneto cheio de graça
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 fevereiro, 2022, 18’26” – Araguari, MG
MINHAS POESIAS
Eu as escrevo tal qual a uma prece
Desfiadas do sentimento ao dispor
Se dando mais que nunca por amor
Ocultas na sensação que as aquece
Eu as deixo na ilusão que enriquece
Ninadas numa emoção a lhe compor
Catadas da existência com tal vigor
No ímpeto da poética que a apetece
Das poesias, sofredoras, mas ditas
Esfoladas no cenário das desditas
Cada qual com a sua tal antologia
Minhas poesias, o sentido exposto
Do âmago desnuando o seu rosto
Ao agrado, numa sede que aprazia...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 fevereiro, 2022, 15’36” – Araguari, MG
TEMPOS IDOS
Não sepultes, lágrimas, o que já andado
Tem pena da recordação que sobreviveu
Eu suspiro cada detalhe que não morreu
Os quero perto, concebido, ao meu lado
Não, não desejo o sentimento enterrado
No campo ignorado e tão cheio de ilusão
Que não se soterra, assim, uma sensação
De emoção, e então, dado por encerrado
Ah! não me arranque d’alma este acalanto
Deixai-me cá no conforto que quero tanto
Sem dar adeus aos sonhos meus partidos
Ó singular amor que traz tanta imensidade
Não me abandones cá no sírio da saudade
Agoniante, ao dobre triste dos tempos idos
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
25 fevereiro, 2022, 12’16” – Araguari, MG
QUANDO EU, TRISTURA, EM TI DRAMA PONHO
Quando eu, tristura, em ti drama ponho
Sinto o que não senti nunca, nem desejei
Que houvesse cá, a apertura que nem sei
E, que vou tresvariando em algo medonho
Isto incomodando, e passando, suponho
Me quero risonho, fausto, e então serei
Pronto pra haver poética, e leve estarei
Entre choro e riso, e não me avergonho
Que, um sofrente ante ti, ó tristura, tal
Um moribundo d’alma e emoção muda
De que me valerei se não viver visceral?
Esperando que ti, causar, então acuda
E o amor me acode, em um sentir total
Assim, na sensação, não mais me iluda!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
Junho, 2021, 26, 10’27” – Araguari, MG
eu poeto
ele poema
poesia sem ledor:
é verso sem gema
é poeta sem amor.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
