Eu sou uma Pessoa Timida
Sou de Câncer
Dos doze é o que mais gosto
Dizem que por isso muito sonho
Na sensibilidade eu me ponho
Muito forte na intuição
Irônico, mas de grande coração
Hoje, mais um dia de festa
Um ano menos que me resta
Velho não, apenas experiente
Cada dia, dia a dia mais consciente
Sim, eu sou do mês de julho
Mais um ano é o meu desejo
Sou do signo de caranguejo
Os homens,
cobrem-me de vestes
que nãosão minhas,
advertiu Jesus, o Cristo...
Sou ainda a imagem do que
desejam que eu seja;
e isso de alguma forma
possa justificar suas
ambições!
... um
paradoxo
assaz curioso: quanto
mais percebo e me aceito
como sou, tanto mais e melhor
revisto-me de forças
e motivos para
mudar!
Sou prisioneiro dos meus pensamentos.
Dentro da minha mente, a dor se repete em ciclos infinitos, como se cada lembrança fosse uma cela reforçada, sem grade visível, mas impossível de escapar. Tento lutar contra
a voz interna que insiste em rotular cada segundo como tortura, mas percebo que só reconhecendo e acolhendo esses pensamentos posso começar a libertar-me.
Não sou frio, sou triste.
Mas tristeza profunda não faz barulho. Ela aprende a se disfarçar em silêncios longos,
em olhares vazios que já desistiram de explicar.
A dor me faz triste. Cada fibra em mim lateja memórias que nem a medicina apaga. Sou um retrato ambulante de perdas, do movimento, da autonomia, da esperança. E assim… Atristeza brota sem cessar,
como uma secura interna que nenhum afago alcança.
Sou mais da chuva… Ela desce como quem lava os silêncios que me habitam, desfaz a poeira invisível que cobre meu espírito.
Enquanto cai, borra as dores, dissolve as arestas do peito.
O sol, ao contrário, me expõe como vitrine vazia: sua luz varre os cantos,
revela rachaduras, escorre sobre minhas lágrimas… as que finjo… não existir.
