Eu sou tudo e nada

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Feriado lá fora, a vida acontecendo… e eu aqui, quieto, sem nada para fazer, só tentando entender os caminhos que a vida ainda pode me levar.

Mesmo quando parece que não tenho nada, há algo em mim que já chama atenção. Coisas que nem eu sei medir, mais que despertam desconforto, inveja, raiva .... e tudo isso sem esforço. Agora imagina quando eu me conhecer de verdade 🤔

Eu não deixo o meu Jesus por nada.

“O Amor me encontrou em meio aos meus pecados e mesmo sem eu ter nada a oferecer, Ele se entregou por mim.


O Amor se fez sacrifício,se fez cruz, se fez caminho.


E na cruz, para nós cristãos, brilhou o símbolo eterno do Deus que ama além das culpas
e salva além das dores.”

Por favor, não se explique. Se eu ouvi algo, esqueça — você não me deve nada.

Eu não prometo nada a ninguém; afinal, promessa é dívida, e eu não faço dívidas, muito menos compromissos. Minha liberdade vale ouro.

Texto revisado:


Nunca acredite quando alguém diz: Eu não gosto de nada. Por trás dessa frase sempre existe um interesse oculto, ainda que a pessoa não o reconheça. Muitos afirmam não gostar de fazer nada, mas, ao dizer isso, revelam que, no fundo, apreciam alguma forma de estar — seja o descanso, o silêncio ou simplesmente o tempo parado. Ninguém é totalmente vazio; sempre há um prazer discreto, uma centelha escondida, aguardando o momento certo para ser descoberto.

Não tenho nada a te dizer,
assim como nada há em ti que eu queira ouvir.
Entre nós, o silêncio pesa mais
do que qualquer palavra que ousou existir.
Não há afeto, nem ternura,
nem sequer o vestígio de uma paixão.
O que resta é um espaço deserto,
um quarto esquecido, onde a emoção
apagou a luz e deixou a porta entreaberta.
E nesse vão,
o que antes foi esperança virou pó,
e o que poderia ser carinho amor
transformou-se em distância,
cravada no peito como ausência.

O que me importa
se um dia eu encontrar o que foi perdido?
Nada do que volta retorna inteiro,
nada do que partiu regressa sem feridas.
O tempo não devolve,
ele transforma.
E, às vezes, o que chamamos de perda
é apenas o peso que precisávamos soltar
para seguir respirando.
Se um dia eu reencontrar o que se foi,
quero que me encontre diferente:
mais firme, mais claro,
com a coragem de quem aprendeu a atravessar
as sombras que um dia o medo escondeu.
Porque o que realmente importa
não é recuperar o que se perdeu,
mas descobrir quem eu me tornei
no caminho entre a queda e o recomeço.

⁠Outra vez é noite alta
é madrugada
Eu acordo do nada
ou de um sonho ruim
Eu procuro
com os olhos no escuro
O meu velho fantasma
que em criança me fazia medo
Num tempo em que sonho
era sempre algo bom
e que eu tinha tanta vontade
de sair pra rua e viver a tudo que eu vivi
Eu queria tanto acordar
quando já fosse dia
Perguntar pra minha velha assombração
aquele medo bobo, que me protegia
De criança que chora por alguma falta
Não sentia essa falta de ar, que eu sinto agora
Qual era a tua sensação
Por que foi que sumiu
Que segredo guardava sobre mim
e de onde vinha o cheiro de hortelã
Combinado à brancura das vestes
Só restaram perguntas
A fazer pra quem me guardava
e nunca mais voltou
Num tempo em que eu me deitava
E, sem medo nenhum dessa vida
Eu dormia até a próxima manhã.

Edson Ricardo Paiva.

Estive pensando
Depois de muito pensar
e nada concluir
Eu acho que no fim
É sempre assim
Tem dias que são bons
e também há dias ruins
Há casas nas quais entramos
E há outras
As quais olhamos de longe
Quando muito...seus jardins
Corações nos quais estamos
Canções das quais nos esquecemos
Pessoas que amamos
Outras nos deixam por menos
Muito menos
Tem gente que traz e divide
No coração
Muita esperança
E há outras
Que nada coincide
Você está em suas vidas
Como roupa num cabide
É diferente
Apostar piamente em suas crenças
E somente ter Esperança
Somando-se as diferenças
Equacionamos finalmente
nossas vidas
Momentos que foram guardados
Palavras
Pra sempre esquecidas
No final
Parece até
Que é tudo igual
Não é

Eu não tenho certeza de nada, mas isso não significa que me acomodo ou me acovardo, tenho sede de viver, de ser feliz e de me superar!

Sobre a vida: Dizem que a resposta está na luz no fim do túnel. E eu aqui, olhando para o nada, fingindo entender tudo.

Carta para depois de mim

Talvez um dia, quando eu já não puder explicar nada, alguém leia estas linhas e compreenda: eu tentei. Tentei de verdade. Chamem-me de exagerado, de fraco, de “peneirado”. Mas só quem sangra por dentro sabe o peso de continuar respirando quando a alma já está cansada.

Desde cedo, meu corpo foi ferido e minha voz calada. Dentro da escola, por pessoas mais velhas, sofri abusos que ninguém quis ouvir. Fui criança demais para entender e condenado a lembrar para sempre. Houve um dia em que cinco pessoas me violentaram, amarraram meus pés e me arrastaram. Eu lutei. Mesmo ali, eu lutei. Mas há dores que não passam — elas apenas se instalam.

Com o tempo, algo em mim se rompeu. Não foi um grito, foi um estalo silencioso. O espírito foi se quebrando aos poucos, até não haver mais como consertar. Hoje carrego um cansaço que não dorme, uma tristeza que não descansa, um medo que me acompanha até quando fecho os olhos.

Sempre tentei encostar na minha própria família. Sempre esperei um convite, um chamado, um gesto simples que dissesse “você pertence”. Nunca veio. Nunca fui convidado para nada. Fui ficando de fora, sendo esquecido, rejeitado. Não por falta de amor da minha parte, mas por ser quem sou. Ser gay foi o suficiente para me afastarem. Isso também dói. Isso também mata um pouco a cada dia.

Tentei amar. Tentei me apaixonar. Tentei existir perto das pessoas. Mas colecionei recusas, silêncios e portas fechadas. O que hoje chamam de desejo de morte é, na verdade, o que sobrou de alguém exausto de lutar sozinho, magoado demais para continuar fingindo força.

Se alguém disser que quer morrer, escute com o coração. Não é fraqueza. É um pedido tardio de socorro. O que salva não é conselho, é presença. Não é julgamento, é acolhimento. Eu nunca aprendi a ser socorrido — por isso escrevo, mesmo com a alma quebrada.

Se estas palavras ficarem, que sirvam para lembrar que eu lutei por muitos anos. Lutei até não restar quase nada. E que ninguém diga que foi falta de tentativa.
Não tenho pena dos mortos, tenho pena dos vivos, ainda por cima que vivem sem amor.

Eu não decidi sair da sua vida por acaso.
Nada foi impulso, nada foi fraqueza. Houve um planejamento silencioso, construído a partir de gestos, ausências e escolhas que não foram minhas. Você mesmo desenhou o caminho e, dia após dia, deixou claro onde eu não cabia mais.


Eu apenas tive a coragem de seguir a estrada que você apontou. Permanecer teria sido insistir onde não havia lugar, aceitar migalhas onde eu oferecia inteireza. Não saí por falta de amor, saí por excesso de lucidez.

Só não fuja de mim...


Quando eu me aproximar,
depois de criar coragem
e falar do nada,
mesmo sem sentido algum...


Não precisa me responder.
Pode fingir que não me ouviu,
pode se calar
para não me magoar...
Com palavras
não pensadas,
ditas da boca para fora,
jamais do coração,
que saem como defesa.


Defende-se de um sentimento
que é cura,
não tormento.


Pode ficar quieto, parado,
e até me ignorar,
mesmo que eu não saiba o porquê:
se é amor, desejo ou desprezo...


Já não me importa tanto.
Posso até me enganar,
sem conhecer o real motivo.


Apenas fique.
E não fuja de mim!

Se não valho nada agora, não valerei mais no futuro, mas se eu valer alguma coisa mais tarde, é porque também valho alguma coisa agora.

Vincent van Gogh
Cartas a Theo. Porto Alegre: L&PM, 2021.

Nota: Trecho de carta escrita entre 1883 e 1885.

...Mais

Nunca Esteve Lá


Queria que fosse apenas um sonho,
pra eu acordar e ver
que nada daquilo era real.
No sonho, a gente era feliz.
Saía junto, fazia planos,
vivia pequenas eternidades.
Éramos um casal perfeito,
só eu e você contra o mundo inteiro.
Mas nesse sonho,
você partiu soltando minhas mãos,
entrando num paradoxo
e simplesmente sumindo.
Acordei desesperado
por ter perdido o grande amor da minha vida.
E quando olhei pro lado,
você nunca esteve lá.
Fiquei sentado na cama, pensando
se foi apenas um sonho
ou uma visão de que
nosso amor nunca iria pra frente.

Eu sempre estou sorrindo, porém se olhar para o meu sorriso não verá nada de errado, se chegar bem perto perceberá que estou pedindo por ajuda.

Hoje eu entendo o que antes não entendia:
Como era possível não haver espaço pra nada, dentro de pessoas vazias.