Eu sou tudo e nada
Não sou melhor do que ninguém, mas ninguém é melhor que eu. Mesmo sendo defeituoso, existem os que estão por mim.
Para ser quem eu sou hoje, paguei um preço muito alto. Perdi muita coisa, muitas amizades. Então não venha me dizer: você não era assim. Pois hoje, eu não sou.
Respeitam o que eu fui, como se eu tivesse congelado no passado. Mal sabem que hoje sou mais afiado e mais firme.
#POEIRA
Fim de noite...
De quem sou eu...
Um cigarro...a saideira...
Nem tão tonto...
Sem zueira...
Uma última catuaba...
Subir costurando...
Pela calçada...
Quando eu for...
Poeira no vento da madrugada...
De tudo serei um pouco...
E de pouco serei nada...
Sono chega de mansinho...
Saindo à francesa...
Devagarinho...
O tempo se encarrega de me cobrir...
Partirei só com a minha alma...
Tal qual como nasci...
Conversa demais...
Chega...
Não posso mais...
Que perfume é esse?
Que sinto agora...
Não condiz...
Com essa hora...
Homem cheiroso ...
Na madrugada...
Na hora vazia...
Balança tarda...
Já tô chato...
Melhor seguir um rastro...
Minha aldeia está morta..
Não se vê...
Nada nas sombras das casas...
Janela fechada não me protege da vida...
Em meu destino...
Esperança triste...
Me resta a saudade...
Linda assim...
Me entrego...
Menino sem medo...
Tudo vai ficar bem...
Seguir adiante...
Ave Maria...
Amém...
#INSÔNIA
Atravessa a noite...
Gostaria de ser inesperada...
Não sou só eu quem dorme tarde...
Enquanto o coração arde...
Aqui dentro sentimento...
Quantas noites sem dormir apenas olhando...
Esse tão louco e estranho sufoco...
Sombra que eu carrego....
Espírito cego...
Silenciosa e fria...
Por que se arrasta tão longa?
Por que o espelho mente...
Enquanto o sonho se dissolve?
Para alguns tarde...
Para outros muito cedo...
Fico girando o mundo...
E a paisagem parada...
Chego a ter medo dessa paz...
Há anjos em pé, por sobre as nuvens...
Em alamedas, ruas escuras...
Na procura de um doce instante...
Espalhando sementes ao vento...
Ouço ao longe gritos...
Mendigos e curiosos...
Bandidos e criminosos...
Desdém do acaso...
Das noites sem destino...
Um detalhe aqui, outro ali...
Lá fora névoas de incertezas...
Aqui dentro uma penumbra de sentimentos...
Todo mundo rasteja pela madrugada...
Momentos que eu perdi...
Olhares que eu não vi...
Saudades das coisas que não fiz...
Sino da igreja calado...
Insônia escancarada...
Alma despedaçada...
E vai-se a hora...
Amarroto os lençóis...
Desforro a cama...
Junto todos os meus cacos...
Tudo é chama...
Junto com as cinzas do meu corpo cansado...
Então, me diz alguma coisa...
Pra sempre ou só por um momento...
E eu ainda estou aqui pensando...
Enquanto passa o tempo...
Sandro Paschoal Nogueira
#BALANÇO
Sou uma criança insegura...
Que às vezes anda de balanço...
Se eu caio, eu levanto...
Rindo não me canso...
Não sei o que esperar, e nem me importo...
Preciso acontecer...
Hoje sei que isso é...
Vivo um dia de cada vez...
Feliz sempre quero ser...
Mas fica por saber...
Tudo isso é...
Saber viver...
É proibido chorar sem aprender...
Proibido é não rir dos problemas...
Não transformar sonhos em realidade...
É proibido não ser você...
Cada um tem seu caminho...
A sua sorte...
Não, não sou gentil só para que se lembrem de mim...
Por céus e mares eu andei..
Estou indo...
Em meu balanço...
Outra vez...
Sandro Paschoal Nogueira
www.facebook.com/conservatoria.poemas
#PÉROLAS AOS #PORCOS
Para quem não sabe...
Eu vou lhe explicar...
Sou do tempo de outrora...
Em que os pais sabiam educar...
É falta de educação...
Sentar à mesa para comer...
Tem que tirar o chapéu...
Também o boné...
Usar chapéu em lugar coberto?
Que feio, sem noção...
Chapéu só na rua...
Aprenda a ter noção...
À mesa, enquanto come...
Falar de boca cheia nem pensar...
Que coisa feia...
Só falta rosnar...
Palitar os dentes?
Que horror...
Nem no escuro do banheiro...
Nem escondido no corredor...
Cotovelos sobre a mesa ...
Também não é bom apoiar...
Passa a idéia...
Que na sarjeta é o seu lugar...
De que adianta?
Procurar ostentar...
Pensa que largou a pobreza...
Porém ao seu lado ela está...
Guardanapo é sobre o colo...
Vai que erra a boca...
Assim sua comida caindo...
Não suja sua roupa...
Mas aí você diz...
Que tudo isso é besteira...
Educação e bons modos nos difere dos bichos...
Então seja bom aprendiz...
Escute o que lhe digo...
Raspar o prato também é feio...
Está passando fome companheiro?
Arrotar Deus me livre !
Não tô podendo...
Melhor eu parar...
Pérolas não se dão aos porcos...
Eles não saberiam usar...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Dono de quê?
Se nem dono de mim eu sou...
Sonhos confusos...
Almejando ao coração ressuscitar...
Com tão pouco tempo a pensar...
Devaneios em barcos de desejos a qual me entrego...
Só assim me reconheço...
Quando a vida com o látego me fustiga...
Finjo não ver a realidade sentida...
Na pura ausência das coisas...
Um palco: eu e a lua...
O terror de pensar no fim da peça...
Louvando por estar em cena...
Ainda...
Mas o futuro insiste e persiste...
Em rasgar as cortinas...
Escurecer as estrelas...
Devorar a noite...
Massacrar o dia...
Na arte de perder-se não há nenhum mistério...
A cada dia um pouco perdemos...
Embora, até o momento, não percebi o quanto tenha mudado...
Quem me quiser que me chame...
Ou que me toque com a mão...
Antes que a peça termine...
E só reste silêncio e escuridão...
Sandro Paschoal Nogueira
facebook.com/conservatoria.poemas
Ai, ai de mim...
Enquanto caminho eu já sou o passado...
Todos os momentos que nos coroaram...
Todas as estradas que abrimos
irão achando seu fim...
Dessa procura extenuante e precisa...
Não teremos sinal senão o de saber que iremos, por onde formos, de encontro de um para o outro...
Cinzenta é a cor do céu... Decerto vai chover...
Soa um cântico antigo no vento dessa tarde...
Nos bancos tristes que há na cidade...
Sobe em mim próprio como um desejo
Ou um remorso da mocidade…
Gente igual por dentro...
Gente igual por fora...
Não sei qual abismo temo...
Salvo, apenas, o meu sonhar...
Sandro Paschoal Nogueira
Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando...
Então quem eu sou?
No luto dos meus olhos...
Foi na minh'alma que nasceu a dor...
Quem é leal e quem não nos abandona...
Quem devemos procurar...
E ser dignas de confiança...
Alguém a encontrar?
Já quase desisti...
Da inocência do desconhecido...
E a saudade?
Ainda vive em meu peito...
O que levamos da terra
É o céu que possuímos...
E à morte que damos vida...
Criam-se o sentido...
Vã filosofia...
Turvo clarão de raciocínios tristes...
Nos engana e mente...
Entre sombras nos conduz...
Quem rasteja na Verdade...
Se desencanta...
Do amor escravo...
Vítima sempre serei...
São muitas as provas na vida que servem para testar quem somos...
Seguir adiante, sem descansar...
Afinal ...
Onde tudo vai dar?
No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar…
No meio de tudo onde estou eu?...
Que serão os meus sonhos...
O que posso almejar?
Sandro Paschoal Nogueira
Desconheço...
Sou eu poeta?
Cenário dolente...
Embora me divirta...
Aqui, coração que andou entre os homens, arranco...
Ando à deriva na fonte de muitos olhos...
Movendo-me aqui e agora entre contornos vivos...
A minha prisão de viver são perfumes de pecado...
A grande inteligência é sobreviver...
Entre o murmúrio dos esgotos...
Rotina...
De longos braços estendidos...
Velhos desejos recalcados...
Espantos e receios...
Escondidos em leitos sangrentos...
Disfarçados em diálogos sonolentos...
Provisórios dias do mundo a ti pergunto:
Sou eu poeta?
Desculpai-me esta face...
Serei eu só mais um fantasma de tudo?
Sandro Paschoal Nogueira
Eu sou o reflexo de mim mesmo...
Fragmentos de sonhos...
Um espelho quebrado...
O que fui, o que não fui, tudo isso sou...
Um mosaico de erros e acertos, em movimento...
A vida me moldou, com mãos de vento...
E eu me dei conta, de que sou frágil e flexível...
Aceito as curvas, os altos e baixos...
E aprendo a dançar, com os pés descalços...
No alento da existência, eu me encontro...
Alma flutuante, entre engano e desengano...
Mas ainda assim, eu sinto,
Que há uma luz, que me guia e me sustenta...
A rir, desnudo de sonhos não realizados...
No cais de onde nunca parto...
Sandro Paschoal Nogueira
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