Eu sou tudo e nada
*
Eu desde que vim ao mundo, sou o meu avesso,
e por isso
uso o que existe no meu interior,
pra mostrar o meu melhor,
que é tão pouco,
pra este mundo louco
que cobra tanto da gente,
sem ao menos perguntar o que temos pra oferecer."
***
(*) ...aqui jas minha franqueza...(*)
Estranha Dança
Eu sou estranha, e o meu espelho sabe disso,
meus passos desenham labirintos
do meu modo de ser,
enquanto o mundo corre em fila indiana.
Minha música é feita de compassos
dos meus pedaços quebrados.
Carrego constelações desalinhadas,
tempestades que brilham, silêncios que ardem.
Meu caos é morada, não ferida
um fogo que aquece quando o chão some.
Eles dizem "seja reta", eu rio e giro,
minha dança é um mapa de cicatrizes vivas.
Ser diferente é como ter asas invisíveis
que voam mesmo quando o céu pesa.
Não me moldo, me reinvento,
sou feita de recomeços e perguntas.
Minha estranheza é minha armadura,
minha língua fala em raios, marés,
e idiomas que transformo em poemas.
Num mundo de cópias, ser original dói,
mas quebrei o molde antes de nascer.
Minha verdade é um animal selvagem,
não se domestica, só se entende.
Sou estranha, sim, e abraço esse abismo,
nesse meu lugar torto onde a luz é mais viva.
Aqui, onde os espelhos me reconhecem,
minha alma dança e nunca se despede...
Se continuar a me abraçar
com as amarras da certeza de quem acha que eu sou,
negará a mudança que é todo ser naturalmente
e se surpreenderá quando meu ser transbordar seu copo
cheio demais, com conceitos de menos.
Nunca compreenderás a imensidão do universo
se ainda nem consegues ver o universo que uma lágrima contém.
Respire, e me deixa respirar.
Dê um passo para trás para que eu possa ter espaço e escolha
de querer caminhar ou simplesmente me sentar,
ou de talvez te envolver com a mutável eternidade de meus braços,
que sozinhos,
são mais eu do que eu mesmo poderia me descrever.
Quem sou eu, pouco vos importa, aprenda com o que lhe ensino e talvez não tenhas que evitar sons que não queira ouvir.
- A Voz Sem Nome
Sou apenas mais uma louca apaixonada,
Em meio a várias outras neste universo;
Eu te amo com o amor de infinitos amores que não cabem neste simples verso.
Sou louca, sou apaixonada o suficiente para fazer com que você se torne resultado de muita oração,
Resultado de manhãs, noites e madrugadas de joelhos ao chão.
Sou apenas mais uma louca apaixonada presa neste mundo sem razão;
Onde Jesus é nosso caminho,
E Deus a nossa direção.
Sou louca apaixonada pela peça que faltava nos encaixes de meu coração.
Que Deus fez com tanto carinho para mim,
Nunca pensei que amaria tanto alguém assim.
Até que Deus te colocou em meu caminho, e te deixou assim...
Bem pertinho, bem juntinho de mim.
— Poetisa.M
Eu sou a Babilônia.
Não a ruína esquecida na poeira dos séculos,
mas a cidade erguida dentro do peito humano.
Sou muralha e sou abismo,
sou torre que toca o céu
e fundamento cravado no barro.
Sou o equilíbrio constante
da sabedoria em agressiva evolução.
Cresço entre o caos e a ordem,
entre a chama que destrói
e a que ilumina.
Carrego em mim a contradição dos homens:
sou templo e mercado,
oração e grito,
promessa e queda.
Em minhas ruas ecoam os passos
de quem busca a verdade
e tropeça na própria sombra.
A hipocrisia nos limita
a sermos curtos e rasos em crenças,
mas eu — Babilônia —
sou profunda como o conflito que desperta.
Não há luz que se reconheça
sem ter beijado a escuridão.
Não há dor que ensine
sem atravessar o abandono.
Não há perdão que floresça
sem antes ter provado o desamor.
Eu sou o espelho do humano.
Em mim, reis se erguem e caem,
profetas clamam,
orgulhos se quebram como vasos de argila.
Sou a soberba que desafia os céus
e a humildade que aprende ao cair.
Sou feita de escolhas —
cada pedra uma decisão,
cada torre um desejo,
cada ruína uma lição.
Não me julgue apenas pela queda,
pois também sou reconstrução.
Não me veja apenas como pecado,
pois também sou consciência.
Sou a tensão que molda o caráter,
o fogo que purifica o ouro da alma.
Eu sou a Babilônia
quando você enfrenta sua própria sombra.
Sou a cidade interior
onde a guerra é travada em silêncio
e a paz nasce como aurora
depois da mais longa noite.
Eu sou a Babilônia —
não como condenação,
mas como revelação:
a prova de que a evolução é confronto,
de que a sabedoria é forjada no choque,
e de que, dentro de cada ruína,
existe a semente de um império mais justo.
Eu sou a Babilônia.
E em mim,
a luz aprende a existir.
Eu sou um grande acúmulo de
promessas não comprimidas...
-ainda me sinto como uma criança
aguardando ansiosamente
Pela volta no mercado
"Aquela ali sou EU, tá vendo? De cabelos soltos, perfume se misturando ao ar, andando leve, sem amarras, sem limites. Mais EU do que nunca... Daquele jeito que vc conhece, deseja, suspira, inspira, solta, relaxa... E agora PERDEU!"
-Aline Lopes
Eu espero, sou paciente, falo baixo e até dou aquele sorrisinho, mas não abusa, já deixei de brincar de casinha há alguns anos.
Enquanto as pessoas estão murmurando pelo que sou e pelo que não sou, eu vou dando graças só por existir.
Não prejudiquem os outros usando medidas falsas. Usem balanças certas. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês. Eu os tirei do Egito.
Levítico 19, 35.
Dizem por aí
Dizem por aí, que sou eu quem rouba as tuas lembranças,
quando estás pensativa.
Dizem que sou eu quem rouba os teus amigos,
roubo alimentos e delírios e levo embora a tua bússola de destinos.
Dizem por aí, que roubo a tua água, sabão e esponjas que lavariam os teus erros.
E dizem mais.
Dizem que fui ligeiro, ao encher os teus olhos de areia e pendurar aranhas nas luas cheias plantadas em teus jardins.
A Globo não diz, mas teus seios cresceram me esperando.
Não diz que os meus arbustos floresceram, exercitando os seus músculos, dentro da solidão e saudade de ti.
Dizem por aí, que eu me fiz passar por alguém que a levaria ao cinema.
Mas, de bolsos vazios? Claro que não apareci.
Te neguei refúgio, neguei-te a claridade e roubei os teus cigarros.
Fiz desenhos alunares e a deixei sonhando com o altar.
É claro que todos estão certos, afinal, sou esse monstro repleto de traças e de brochuras. Sou único, a montar e desmontar os teus quebra-cabeças.
Dizem as esquerdas, que conhecestes a liberdade, através de mim!
Não dou testemunhos falsos.
Juntos, caminharemos firmes rumo ao massacre.
Deixe que falem que sou romanesco e até simplório. Deixe que chorem.
Lágrimas salgadas de oceano são sintomas sem vidas. Foi o Fernando quem falou essa coisa.
Loucuras sem método? Aguarde notícias.
Só não interfira no que faço. Deixe-me errar. Eu sei errar sozinho.
Quando o poeta está errando, deixe que enlouqueça.
Não afugente os seus delírios.
De mãos dadas, rumaremos ao desastre.
Pode ser que nos matem e que nos rasguem, e até nos apaguem. Se a direita ressuscitar, isto é certo.
Mas vamos nos pertencer. Formaremos uma só ideia. Alimentaremos a tudo que de certa forma possa gerar futuros.
Chegaremos ao futuro expondo nossas vísceras. Seremos dois gigantes destemidos. Não vamos perpetuar orçamentos em segredo.
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