Eu sou Praia eu sou Montanha

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Doces Delírios

E o deus que entrou em nosso quarto
era vermelho e feminino e eu tive um medo de excitação
desses que a gente prende a respiração
deseja e teme e os opostos se tocam
sempre
e sempre
há de vencer nosso pior.

Somos assim, pequenos magos
pequenos truques, pequeninas plumas sulférinas
coisinhas que cintilam
esferas, estrelas, espelhinhos
cartas dentro da manga, lenços coloridos
tudo em nós flutua
é sonho, abstração.

A tua fé e o meu desejo de pecado
caminham lado a lado e são
tudo que nos escraviza
nosso futuro, nosso passado
a nossa libertação.

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção.

Eu tentei com todas as forças dizer a mim mesma que você se foi, mas simplesmente não consigo porque você ainda está aqui... no meu coração!

(...) Uma parte de mim se tranquiliza. A outra sente uma certa inveja de ver que depois do fim eu demorei mais pra me refazer. Mas isso deve ser coisa de mulherzinha né? E como você mesmo diz "sempre tem um que ama mais". Acho que você já descobriu quem era. Porque eu sempre soube.

Você é um idiota. E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu gosto e é pra você que eu volto.

Eu nunca penso em temas. Eu deixo a música criar-se por si mesma. Eu quero que seja um potpourri de todos os tipos de sons, de cores, algo para todo mundo, do fazendeiro na Irlanda para a mulher que limpa banheiros no Harlem.

Não importa que você não fale o que eu tento descobrir de você e não consigo.

(SEU OLHAR ECONOMIZA PALAVRAS)

beijos no seu coração.

E mesmo assim é em você que eu penso, é de você que eu gosto, é pra você que eu volto.. sempre!

Eu to bem, por que vou esconder isso? Esse sorriso é meu, e seu.. quando você quiser.

Hoje eu cansei de química inorgânica. A estequiometria da eletrólise me saturou, a entalpia da solução de HCl nunca me fez mais feliz mesmo e eu mal posso pensar em termoquímica sem sentir arrepios.
Ainda se eu pudesse encontrar a química perfeita, a sintonia que não resulta de regra de três - ainda se encontrar o ideal bastasse... Mas não, o máximo que cai do céu é chuva ácida, nem sinal de amor eterno. Trancada em casa estudando nada me aparecerá. Vestibular é ótimo, mas não preenche vazio existencial. Só enche o saco. A tabela periódica é complexa, mas é só porque os cientistas ainda não tentaram entender minha mente.
É, hoje eu sou uma garota de humanas estudando química.

Eu rio, você mar

Eu gosto de MPB
Você é Flamengo
Eu prefiro saber por quê
Você deixa com o tempo

Eu toco violão
Você adora uma micareta
Eu presto atenção
Por favor, não me esqueça

Você pula sem medo
Eu piso no chão
Você diz que é segredo
Eu seguro a sua mão

Você sabe o que quer
Eu quero o que sei
Você me despersou
E eu me embriaguei

Você me olha um instante
Eu rio, você mar
E isso é o bastante
Pra eu escolher sempre te amar

Espero que um dia você olhe pra mim e pense:
“Cara, porque eu deixei algo tão valioso assim ir embora? Como sou idiota.”

Quantas e quantas vezes eu já não sofri por alguém que não merecia. Quantas e quantas vezes já não perdi meu tempo com o que não valia à pena. A vida não tem volta, mas tem aprendizagem para o futuro, e quem aprende não repete o mesmo erro.

Eu não posso acreditar nas coisas, elas não acreditam em mim

o que eu busquei
e não encontrei

me tornei

Se você deixasse tudo de lado, por cinco minutos, e escutasse tudo que meus olhos têm a dizer, eu diria tudo em silêncio, sem precisar falar.

Se o tempo fosse uma ação chamada você, eu iria investir.

Mas nesta época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam, como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante pop pode-se ver um brilho azul intenso até que todos caiam no "aaaaaaaaaaaaaah!" Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe?

Ode ao Burguês

Eu insulto o burgês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!

Eu insulto as aristocracias cautelosas!
os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos,
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas!

Eu insulto o burguês-funesto!
O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
Fora os que algarismam os amanhãs!
Olha a vida dos nossos setembros!
Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
Mas à chuva dos rosais
o êxtase fará sempre Sol!

Morte à gordura!
Morte às adiposidades cerebrais
Morte ao burguês-mensal!
ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
“_ Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
_ Um colar… _ Conto e quinhentos!!!
Mas nós morremos de fome!”

Come! Come-te a ti mesmo, oh! gelatina pasma!
Oh! purée de batatas morais!
Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
Ódio aos temperamentos regulares!
Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
sempiternamente as mesmices convencionais!
De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
Todos para a Central do meu rancor inebriante!

Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
Morte ao burguês de giolhos,
cheirando religião e que não crê em Deus!
Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
Ódio fundamento, sem perdão!

Fora! Fu! Fora o bom burguês!…

Mário de Andrade
ANDRADE, M. 50 poemas e um Prefácio interessantíssimo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

Depois de você eu nunca mais me apaixonei de verdade.
De mentira, quase todo dia.