Eu sou assim Completamente Indefinida
Tão diferente de tudo que eu já vi, o que eu mais quero é te encontrar e mostrar que meu amor não morreu.
O que eu mais quero é ser aquele em que você procura, e deixar adentrar a sua intimidade com a chave de seu prazer mais íntimo.
Cuidado com que fale de minha pessoa!
Eu sei como derrubar a sua história até o final de semana.
Em história de boi fazendeiro amola o facão.
Você pode ter outras pessoas, ter um único amor, e eu posso ser a sua imaginação mais íntima e real, quando quiser sair de seu mundo criado com alguém.
Você me dominou por inteiro. Fez-me sentir vivo de novo. Antes, eu não conseguia sossegar, e agora quero ficar em um só lugar, ao seu lado, pelo resto da minha vida.
(Benedict)
Eu a amava tanto que em vez de flores eu dei a ela livros, porque as flores duram alguns dias, mas um bom livro é para toda a vida.
Eu sei que a amo porque já vi sua raiva seus maus hábitos, suas crenças absurdas e suas contradições, e mesmo assim estou com ela. Todos podem amar o por do sol e a alegria, apenas alguns são capazes de amar o caos e a decadência
Estou sempre tentando modificar, tentando pensar “Como eu posso ser melhor?”, “Como eu posso abordar minha própria mente do mesmo jeito que abordo o meu ofício [no freeskiing] para que eu possa ser melhor amanhã do que eu fui hoje?”.
Com a neuroplasticidade a meu favor, eu posso literalmente me tornar exatamente quem eu quiser ser.
Eu passo muito tempo dentro da minha cabeça, e não é um lugar ruim de estar.
O Anjo que Me Reconheceu — Parte 2: O Retorno
Os dias passaram. Muitos. Talvez anos. Às vezes eu voltava naquele banco, como quem tenta conversar com um silêncio. Mas ela… nunca mais apareceu. Pensei que tinha sonhado. Que era só coisa da minha cabeça cansada de solidão.
Mas o que eu senti aquele dia… era real demais pra ser invenção.
Foi numa noite fria que tudo mudou. A cidade parecia coberta de névoa e ausência. Eu caminhava sem rumo, meio perdido, meio conformado. Já nem esperava mais nada.
Até que, entre as névoas, vi uma garota de pé. Era ela. Os olhos mirando o vazio, igual a mim. Mas tinha uma calma no jeito dela... tão profunda, que parecia que tudo ao redor se aquietava.
Meu coração reconheceu antes dos meus olhos.
— És tu…? — perguntei, sem coragem de falar mais.
Ela se virou devagar. Os olhos estavam mais maduros. Tristes, mas firmes. Como os de quem viu demais. E mesmo assim, não deixou de sentir.
— Voltei — disse ela. — Tu me chamou com o teu silêncio.
Eu queria chorar, mas fiquei parado. Tonto de emoção.
— Achei que tinhas ido embora pra sempre — falei baixo.
— Nunca fui embora de verdade — ela respondeu. — Fiquei onde tu guardou aquele dia: dentro do teu coração.
Ela se aproximou. Tocou minha mão, que tremia. E então falou com a voz mais doce do mundo:
— Tu ainda tem bondade, mesmo depois de tudo. Ainda procura beleza nas ruínas. E isso… isso faz de ti um anjo também.
— Eu? Um anjo? — perguntei, quase rindo de dor.
Ela assentiu.
— Tu foste meu milagre quando ninguém mais me via. Agora eu volto pra ser o teu.
E, pela primeira vez, eu chorei. Não de tristeza. Mas porque alguém me reconheceu — inteiro. Com as falhas, os cacos, e o coração cansado… ainda assim, digno de cuidado.
Ela me abraçou. As asas, agora mais fortes, nos envolveram como um casulo.
E pela primeira vez em muito tempo… eu me senti salvo.
Eu sei que você me vê apenas como sua mãe, mas, por favor, lembre-se de que, por dentro, eu também sou só uma menina.
