Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
Ali, logo ali está,
A vida a vibrar,
Bem no mangue,
Não tão distante,
E bem perto do mar;
Na Ilha dos Remédios,
Vou a cura procurar
Pela cura do mal de amor,
Devo ir, e se lá eu não for,
Comigo para sempre ficará
A repleta dor desse mal de amor,
- Que talvez nunca passará... -
Ali, bem dentro de ti,
Com o barulho do mar,
Sublime cantante,
Menestrel brilhante,
Indo sempre ao mangue,
Para a vida cultivar,
Nas carregadas redes de pesca,
Para enriquecer a festa e alimentar,
O povo que luta e ama,
Nessa terra que o mar balança,
Floresce no sorriso a alma açoriana.
Magnífica floração surgida,
Do teu doce encanto ungida,
Maravilhosa imensidade,
Do teu coração oceano
E da tua amorosa bondade.
Esta divina e serena presença,
Sempiterna claridade,
Repleta de amor e majestade,
Dedico a minha ternura
E a minha fidelidade.
A flor do hibisco que saúda,
O vento do litoral que brinda,
A paixão eterna e purpúrea,
A Natureza sempre é elixir,
É a vida que salta e sinaliza
À despertar, amar e sentir.
A flor do hibisco brilha,
E aos olhos encanta
Com corporificada ousadia,
E coragem acalentadora
No outono que não se encerra,
É a própria primavera!
A flor do hibisco é sinal
De que também pode como a rosa
Ser tão bela e tão poética;
E assim sendo sinestésica
- magnética
No jardim do amor, perpétua.
Ressurgida deusa misteriosa,
Atraída pelo entardecer,
E colocando-me a postos,
Sempre a tua espera,
Querendo nos teus braços
Estremecer e te pertencer...
Não há nada que nos detenha,
E muito menos nos impeça...,
Nós somos livres porque cremos,
Nada concorre para a descrença.
O ser humano não tem respeito,
Para violar sempre insiste,
E acaba encontrando um jeito
De fazer o crime perfeito.
Não há nada que nos amordace,
Nem a cauta luz da Ditadura,
Quem ama uma causa enfrenta,
Até a mais dolorosa tortura.
O ser humano não tem cura,
Ele quer sufocar a ternura
A todo preço e custo...,
Ele não presta, é um ser imundo.
É incapaz naturalmente,
Só porque é especialista,
- se acha -
E pensa que é gente;
Sugerindo exterminar
A vida dos saguis
- ferozmente -
Coisa de imprevidente...
A paciência supera o tempo,
- contempla -
Se contenta até com o vento,
- se experimenta -
Se alimenta com a serenidade,
Não abre a mão da bondade.
Caminho de reerguimento
Busca a luz, a corrigenda,
Procura o devotamento,
E a dedicação ao dever,
Busca além dos sonhos
E daquilo que se pode ler.
Ter valor moral é real resistência
Ante a dolência provocada pela violência,
Devemos pedir a Deus:
clemência.
Não ter vergonha de sermos bondosos,
- e generosos -
Sempre a favor de todos.
É fundamental, buscar o amor
E a harmonia no silêncio completo,
- reflexão -
Para adoçar o coração,
Que seja o teu combustível a oração,
Elevada ao Bom Deus e Nosso Senhor,
Não tenha vergonha de espalhar
E de plantar harmonia e amor.
Reflexões,
Inspirações,
Intuições,
Boas ações,
Premonições
Com Meimei.
Ao mar,
Ao vento,
Ao solo,
Ao firmamento
Estão firmados:
O firme pensamento
E o bom sentimento.
A neve como um véu,
Recobrindo a cidade,
Parece até um veludo,
Dá uma grande vontade
De se refugiar do mundo.
Desceu sobre a neve
A estrela matutina,
Parecendo os teus olhos
Que a todos ilumina,
Linda como nos meus sonhos.
O que sinto não se traduz,
Brilha igual à ele,
Além de seduzir - reluz;
Sinal da minha sede,
Nada apaga essa luz.
A neve veludo sobre a cidade,
Que cativa de verdade,
Quero conhecer Moscow,
Ver de perto as origens,
Que me ensinaram a paz e o bem;
E o meu compromisso com a verdade.
Deveria ser a nossa liturgia divina,
Respeitar a cidadania
E o verbo na plenitude;
O ser humano é infinitude,
Ele vai muito além do dia-a-dia...
O conhecimento é a garantia,
Da boa convivência
E da imortalidade do pensamento,
É livre toda a manifestação de [pensamento
Que conduza a Humanidade ao [acolhimento.
Ah, tanta coisa deveria [ser
- e [acontecer!
Deveríamos ao menos ter fé
um no [outro;
E a boa convivência ser a lei,
- tratada como um [tesouro!
Enquanto existirem os poetas,
E quem os aprecie:
o mundo terá sempre alguém
que sonhe com a beleza e harmonia.
A poesia não espera nada além de
reconhecimento e fé na vida.
O Universo conspira
sempre,
Por nós ele dá
um jeito,
Só nós dois
sabemos disso,
Como é lindo
a gente se ter,
De manhã até
ao anoitecer.
Por mais que o destino
tente,
E o mundo imperfeito
atente,
Não há nada mais
infinito,
- e mais do
que lindo
Do que o amor
da gente.
De todas as milhões
de siderações,
Descobertas pelo mundo
afora,
A mais bela apontada
foi você;
Que foi apontada por
um cometa,
Para que a gente
jamais esqueça.
De todas as paixões
que tive
Vividas nessa vida
adentro,
A mais linda e brilhante
é você,
Meu amor, minha luz,
meu tudo,
Não fico longe
de você por nada,
E sequer por um segundo.
Tenho na memória guardada,
Não há mais como dizer,
Talvez esteja sepultada,
Em terra longínqua,
Hei de um dia te contar,
Fizeram a gente esquecer,
Não é possível sequer falar.
Este poema é impublicável,
Mas é inevitável...
Ele fala de sobrevida,
Ele fala da Morte,
E da vida além da Morte.
Abraçando a lembrança,
Não há mais esperança,
Ylang-ylang é o teu perfume no ar,
Serena musa, não sei onde estás,
Talvez um dia você vai voltar,
Talvez pobre de você,
Algum dia o destino irá mostrar.
Esse poema não presta,
Eu deveria atirá-lo no lixo,
Ele não deu a cara a tapa,
Filho de alma covarde,
É quase uma denúncia...
Os ares e ‘as flores de abril’,
Uma música de Chico Buarque,
A imagem da mulher esfumaçada,
Talvez esteja desfigurada,
Teve a imagem desaparecida,
E alma roubada,
Não quero falar sobre mais nada.
Ah! Contempla...
A lente atenta,
- alenta o olhar
A cidade coberta,
De neve mansa,
- o tempo passa
Devagar e serena
A alma humana.
Ah! Espera...
A vida revela,
- modifica
Percorre, renova,
- suscita
Gelada ou quente,
- vibra
Intensamente...
Aos passos,
Em cada floco,
Ao despertar,
De cada manhã,
Semeia o sonho,
Cativa de verdade,
Dá o quê de eternidade
A cada momento de felicidade.
Ao ouvir a música do vento,
Percebi os teus olhos zelosos,
Deparei-me com os teus passos
- macios
O balançar das amendoeiras
- doces ritmos
Fizeram-me contemplar:
os nossos instintos.
Ao sentir a tua presença,
Senti-me protegida,
Amparada, e tua amada,
A minha alma afagada,
- terna -
E feminina,
Distante das angústias,
Rendida por tuas ternuras.
Ao cair da noitinha,
À beira mar,
Sereno luar,
Amando a tua presença,
- vigilante
Aprendi o que é amar.
É inverno!
Celebremos,
Não é eterno,
Sempiterno.
- momento
Não recusemos.
É eterno!
Não recuemos,
- é extremo
Enfrentemos,
- o tempo
E o eternizaremos.
É sempiterno!
Como um afeto,
Reconhecemos,
É terno,
Intenso,
Logo, o passaremos.
Com fascinação própria,
- arte e luz
Fui agraciada ao ver,
A Lua cor-de-rosa,
- maravilhosa
Beijando o mar.
Aos passos, tateando,
- experimentando -
E exortando a delícia
De contemplar a cena,
Que talvez não se repita,
O mar se deixando beijar.
A Lua ao beijar o mar,
- acabou beijando-me
E seduzindo-me,
Acabou enfeitiçando-me,
E completamente doce:
acabei entregando-me.
A mulher deve ser elegante,
Suave e ao mesmo tempo,
- marcante -
Como um perfume insinuante,
Deve ter alma, maciez e calma;
Deslindando os mistérios e dar o tom
De amor, paixão e ternura;
Conduzindo a intenção com doçura,
Amando infinitamente, sempre.
A mulher marcante de verdade,
Será lembrada pela virtude,
E grande capacidade de amar;
Espalhando a graça,
- por onde passa
Como uma felina mansa,
Que só no olhar recebe
O seu colo e afeto.
A elegância feminina,
Ilumina o mundo,
Pacifica,
Engrandece,
Enternece,
Aproxima e conjuga,
Acarinha e aquece,
Eterniza a lembrança,
É presença que permanece.
Deveríamos ter a gravidade
- das estrelas
Que brilham sem cessar,
E sem se esbarrar;
Lecionam poesia,
Inundam o Universo
Com beleza e nos iluminam.
Lição existencial,
- ignorada
Lição luminosa,
- ditosa
Lição celestial,
- esquecida
Lição de harmonia.
Deveríamos ter a profundidade,
- do Universo
Que sempre se reinventa,
Renovando cada espaço,
- celebrante -
Das estações da vida,
Com júbilo e toda a gratidão.
Densas em braços,
Correntes que ligam,
Em espirais,
Ventando ou não,
Prosseguindo,
Com destino
Em busca de renovação;
Sugerindo,
Caos positivo,
Irradiando,
Girando,
Se interligando,
As estrelas azuis ou não,
Sempre nos ensinam:
a viver, a gravitar...
Todo ser é poesia,
É delicadeza,
E toque interestelar.
O barco no exato lugar
Desse jeito a navegar,
Tudo é poesia,
- Até o teu olhar
Assim é o amor:
um suave navegar.
Com encaixar,
Balançar,
E embalar;
Assim é o amor
A nos encantar...
Aqui em Balneário
Guarda algo secreto,
Doçura, poesia,
Generosidade,
A História de um amor,
O nosso particular universo.
Respirando a brisa noturna,
E a leveza de todo o amor;
Olhei para o universo,
Procurando pelo meu amor.
Ainda vive no peito,
Nem o tempo acabou,
Com esse grande amor,
Que um dia ainda toma jeito.
O verbo se fez presente,
Emanado pelo coração,
Pedindo o teu amor ausente,
A tua volta através da oração.
As estrelas são letras do céu
Como as tuas letras feitas de mel,
Você é a calma que me falta
Sem você perco até a alma.
Ainda vive aqui dentro
Como rosas de todas as cores,
A lembrança e o soneto.
Por ti ainda morro de amores,
Mas sempre em poesia,
Nascendo, morrendo e ressuscitando
Em letras e com todas a letras,
Para que me guardes e nunca me esqueças.
Um sopro de amor
Um barulhinho do mar
Gostinho de tardinha
Pairando leve pelo ar
Tardinha de brisa
Cheiro de amor
Carinho a tardinha
Em pleno fragor
Tardinha sertaneja
De ternura e beleza
Colocando na mesa
A doçura de amor
Tardinha tão suave
Tão sua e tão minha
Tardinha, ai que maldade!
Já está deixando saudade...
A madrugadinha
É uma felicidade
- Minha e tua -
Logo chega o logo
Bem de manhãzinha
- Manhosinha -
Depois da madrugadinha
- Carinhosinha -
Completamente tua e minha.
Percebo o amor chegando macio,
Bem devagarzinho, ao jeito,
Ao ponto de me fazer crer nele,
E no universo íntimo e acalorado.
Eu busco no calor das tuas mãos,
No aconchego das tuas letras,
Ser mulher, ser poesia e ser alma;
Ser tua – nua – e com muita calma.
Sinto como nunca tivesse ido,
Bem devagarzinho, ao ponto,
É o jeito de me fazer crer nele,
E no juramento sussurrado.
Eu busco no calor do teu peito,
O alento que só ele pode dar,
No ritmo do teu jeito de amar,
Não canso de te buscar...
Amar é condição que se assume,
- é sopro de vida – é existir;
Um doce viver para alguém,
É dádiva de querer além do Bem.
Amar é santidade,
- liberdade
De viver de eternidade.
Amar é sobriedade,
- liberdade
De viver além da felicidade.
Amando os teus limites,
Sem limites e sem ajustes,
Sigo perscrutando, é sina!
É pouco dizer o quanto
[só você...]
Só você me alucina...
Sinal que sempre se renova,
- e que nunca tem final
Prova de um amor sem igual.
É afirmativo o segredo -
[ e o enleio...]
Que me encontro e perco...
Desta boca que me arrebata,
Dos teus vestígios quentes...,
Ah, o meu corpo fala!...
Há mais do que versos
Em nossos corpos...,
São poemas inteiros...
Sambas, forrós, vanerões,
Cores, aromas e inspirações,
De um país perfeito...
Amando o teu jeito,
A tua lembrança é viva,
O amor aqui sempre habita.
Não evito, não tento,
Não quero cair,
No teu esquecimento.
Jogo fora os desajustes,
Dou espaço para os ajustes,
E para as estrelas – os nossos lustres.
