Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
Cantarei uma canção
Que é pra dizer que viver é bom demais
O céu azul contracenando com o mar
Se emocionar com o nascimento de uma criança
Cantarei uma canção
Vivendo agora onde tudo se parece guerra
Um egoísmo
uma inveja
e uma ingratidão
Está em suas mãos
o que me faz sorrir
um gesto de amor
Tua compreensão
por me fazer ouvir
Um homem por inteiro
vivendo na dor
Destrói o mundo inteiro
não por seu amor
E a sua ignorância
é o que te faz cegar
Destrói a esperança
de quem quer sonhar
Com verde colorido
e o sol a brilhar
Hoje a chuva cai
mas não esta só
Leva consigo barracos
sobrados
palafitas
Crianças que tiveram
o sonho interrompido
Pelo barro que desce a encosta
Que de novo se chama encosta
E deixa de ser lar
Gritos perdidos no escuro
pessoas perdidas nos escombros
Relâmpagos cortam a noite
e as lágrimas rolam no rosto
Como a chuva
Triste chuva
Quando irá parar
O desespero já domina
Por todos os lados vemos a triste neblina
da dor
a sufocar
E quando amanhece o dia
vemos nossas vidas pelo chão
No meio da lama
Da lama que desce
Por causa da chuva
Que não quer mais
que não quer mais parar
que não quer mais parar
Dorme neném senão a chuva vem pegar
Papai só tem no céu
mamãe foi trabalhar
E só nos resta rezar
Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar
não nos vença.
Não posso pensar
que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar
de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir
que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.
" A minha primeira visão da terra, tinha cortina de água; não me lembro de ter fome, não me recordo de frio nem calor...Eu não me lembro..."
Seu Descaso
Tudo que faço, se baseia no descaso.
Que você me deu de presente de aniversário.
Coisas torpes, da sua boca saíram.
Machucando-me profundamente a alma.
Ferindo, a ferida não curada.
Apodrecendo, a podre poesia,
Que eu fiz pra você.
E você a rejeitou.
Como se ela fosse, um maltrapilho atrapalhado,
Que já foi advogado,
Mas, hoje vive catando, latinhas para sobreviver.
A única coisa que eu quero é te ter.
Nem que seja, por uma única noite.
Seja ela chuvosa ou iluminada.
Quero te ter pra mim,
Por segundos afins.
Mas, sem o descaso, que tu me fez.
Quando minha poesia leu,
E a jogou no jardim.
Ajude-me
Estou perdido no mundo.
Sem rumo nenhum.
Sem casa.
Sem lar.
Sem medo de amar.
Quero te encontrar.
Nos escombros da minha solidão.
Quero você.
Quero uma paixão.
Quero suas migalhas.
Mas você não me oferece nem o pão.
Quero um pedacinho.
Do teu coração.
Leva-me para sua casa.
Chame-me de paixão.
Beije-me com emoção.
Aperte a minha mão.
Cante pra mim aquela canção.
Que tocou quando te conheci.
Em uma tarde de verão.
Encha-me de beijinhos.
Mas não me iluda.
Com a compaixão.
Ajude-me a encontrar a luz.
Que brilha no meu escuro coração.
Amo você mais que a mim.
Bem mais que a mim.
Quero você assim.
Sem maquiagem.
Sentada no jardim.
Regando aquela roseira.
Que tu plantaste para mim.
Você precisa entender as duas faces de uma moeda para joga-la para cima. Assim, quando ela cair, você saberá como lidar com qualquer um dos lados.
Se estivesse solteiro no dia dos namorados, procuraria uma namorada para me sentir bem, ter alguém para ficar abraçado comigo!
A garota ideal tem que ser sincera, romântica, compreensiva, e meiga. É essencial que seja carinhosa, porque sou muito carente.
Poema ao Corvette.
Ah se em minha juventude, tivesse tido o prazer de conhecer uma bela garota como essa, de vestido vermelho, sapatinhos trançados, olhar sedutor, um cruzar de pernas estonteante!
Ah se em 63 eu fosse vivo! Daria cores a minha imaginação!
Hoje, somente a alma sobrevive, sobrevivendo na saudade de um passado que nunca teve o prazer de conhecer, mas que mesmo nunca o tendo conhecido, carrega em si um disparate de saudades justamente por não ter vivido, mas ainda assim sentindo.
Andar pelas ruas em uma tarde fria, olhando as pessoas olharem para as curvas da sua garota, e ao invés de ciumes, sentir orgulho, ou simplesmente estar ao lado de algo com um vestido vermelho tão sublime que arranca olhares por onde passa, quando está vindo, fazer olhares se aproximarem, ao estar passando faz olhares cruzarem, ao passar faz suspiros serem soltos no ar .
Em frente a praia, tocava Dinah Washington, para celebrar a sua ida ao céu, e o teclar do piano, apesar de alegre, só deixava aquela tarde fria, ser bela por uma forma tão triste , era a beleza de um tempo, que se fazia dançar, não importando o tempo, nem a circunstância da forma que s tocava a melodia, era beleza aos olhos somente p pela beleza do tempo.
Assim se foi, algo que cinquenta e um anos depois voltaria a ser belo, pela saudade que deixou curar na tempo, que agora explode com a força de um piano, dentro dos corações dos saudosistas, voltar no tempo não podemos, mas viver lembrando ele, resgatando o que tínhamos durante ele, isso nunca ira morrer, será sempre o passado que no presente agora já futuro nos mata por dentro.
Ao tentar resgata-lo, aprendemos que não precisa ter vivido algo para sentir como ele é ou foi, o tempo por mais que destorça os anos e as coisas, será sempre o mesmo tempo, quem vai mudar durante ele somos nos, nosso corpo, nossa beleza física, porem nossa alma estará intacta, mas não imune a saudade, pois é ela que vai entrar nos nossos corações e nos morder por dentro, até que sejamos capaz de escrever ou ter algo que foi parte do passado.
Dessa forma, uma menina ao meu lado, por nome de Corvette, seria simples e puro.
Nada mais a desejar nesse momento.
Pedro Callou.
