Eu Sonho o que eu quero Pedro Bandeira
Eu não sei o que pensar
Quando você sente igual
Pensa igual
O que fazer
Quando você
Me decifra em você?
O som que eu gosto
O som que sempre gostei
Faço repetir aos meus ouvidos
Como um acalanto ao coração
Como um reviver
Como trazer a presença
Mesmo que distante
Eu ainda teimo em escondê-la
Mas já não há mais lugar
onde ela caiba por inteiro
Sempre sobra uma parte
Olhando pra você eu percebo
O quanto tudo isso é tão além
Das coisas que eu poderia entender
E o quanto eu sempre estive aqui
Mesmo quando fingi
Inclusive para mim mesma
Que não estava
Mas nada disso muda a sensação
Ou a certeza
De que eu sempre fui
Uma grande confusão
E nunca
Uma escolha
Um dia batalho para não te amar,
no outro batalho para te odiar. Qual deles tem funcionado eu não sei dizer.
Tudo o que penso em relação a você não parece certo. Faltou normalizar o normal entre nós. Aí eu sinto falta de te ver, conversar, fazer parte da sua vida de outras formas e me angustia saber que isso não vai acontecer.
Por outro lado eu penso se existe alguma possibilidade de que algo entre nós seja realmente normalizado. Eu acho que vai ser sempre, no mínimo, estranho. Aí depois eu penso que a gente nunca nem tentou superar as estranhezas, será que estamos apegados a isso?
E quanto mais me aproximo, mais percebo que não posso. Na verdade eu posso, mas receio não saber administrar.
O único lugar em que me sinto segura sendo eu, sentindo o que sinto, pensando o que penso, o lugar onde minhas estranhezas são normalizadas, o lugar onde cabem todos os excessos de mim. Excessos ou faltas?
Faz de conta que eu tô dizendo agora
Tudo aquilo que eu não disse antes
Faz de conta que você tá aqui
Pelo menos esse instante
Faz de conta que você não foi embora
E que eu não precisei voltar
Faz de conta que eu não tentei
Recolocar tudo em seu lugar
Faz de conta que aconteceu
Tudo aquilo que eu sonhei
Faz de conta que eu não vivi
Tudo aquilo que eu já sei
Criamos um mundo onde não existe espaço para o que a gente sente e eu fico pensando sobre o que fazer com isso que teima em não deixar de existir.
Eu só me libertei de você quando percebi que nosso desejo de proximidade tem motivações totalmente diferentes. Eu destemida, querendo tudo e arriscando demais para poder te ter por inteiro. Você reservado, esquivo, monossílabico e achando suficiente me ter em partes e somente às vezes. Desejos iguais, intenções diferentes.
Não foi a vibe, foi a letra.
Foi me ver nas entrelinhas.
Foi rever sensações.
Eu nunca tive medo,
Mas você não parece ser bem um lugar seguro...embora eu quisesse.
Eu sou isso tudo, essa coisa toda, esse sem fim, essa imensidão.
Eu sou tudo, e nada cabe dentro de mim
sou esse mar invadindo a praia e levando tudo,
Sou intensa e ndecifrável... raramente sou tímida.
Sou esse divisor de águas, o antes e o depois... perto de mim nada permanece igual, porque eu mudo tudo, e mudo junto,
mas somente quando quero, quando me permito essa mistura.
