Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi
A vida é uma longa estrada que percorremos diariamente, com intuito de chegar em um determinado lugar.
Porém, no caminho desta estrada encontraremos todas as intempéries, das quais talvez, nunca imaginamos passar. Mas o importante é seguir em frente, pois um dia, esta estrada, chegará ao seu destino.
Paz de Viver
Paz de viver é acordar
e não dever nada ao ontem.
É tomar um café devagar
e ouvir o silêncio sem pressa.
É ter o coração leve,
mesmo quando o mundo grita.
É escolher o que soma,
e soltar o que tira a força.
Paz é casa por dentro.
É perdoar, é agradecer,
é dormir sabendo que fez
o melhor que podia hoje.
Não depende de ter tudo.
Depende de ter o essencial:
saúde, gente boa, fé,
e a certeza de que Deus cuida.
Paz de viver é isso:
viver simples, viver inteiro,
plantar calma onde passar
e colher serenidade.Paz de Viver
Paz de viver é acordar
e não dever nada ao ontem.
É tomar um café devagar
e ouvir o silêncio sem pressa.
É ter o coração leve,
mesmo quando o mundo grita.
É escolher o que soma,
e soltar o que tira a força.
Paz é casa por dentro.
É perdoar, é agradecer,
é dormir sabendo que fez
o melhor que podia hoje.
Não depende de ter tudo.
Depende de ter o essencial:
saúde, gente boa, fé,
e a certeza de que Deus cuida.
Paz de viver é isso:
viver simples, viver inteiro,
plantar calma onde passar
e colher serenidade.
Num planeta em que um psicopata governa o mundo e se intitula rei, sobram genocidas e faltam regicidas!
Para alguns, refletir é tão somente reproduzir uma imagem, e reflexão não passa de um grande reflexo! Devemos quebrar o espelho!
A Copa serviu a um propósito maior! Mostrar que, quando a bola rola, esquerda e direita gritam gol e odeiam em perfeita harmonia!
Ao acordar agradeça a Deus por mais um amanhecer, pelo dia maravilhoso de ontem, pelos seus pais, familiares, amigos e inimigos, pelo abrigo e o alimento. Peça perdão pelos seus erros e pecados, forças pra suportar as consequências dos erros e pecados. Peça a sabedoria necessária para superar as dificuldades desta vida. Por fim reze um Pai Nosso.
"Senhor Eu sou teu servo, ordena-me que Eu faço".
TSAS A MORTE LENTA
Pela manhã a tela acende,
faz da janela um muro digital.
O corpo esquece o movimento,
a alma perde o rumo natural.
O sofá abraça sem maldade,
convida ao descanso e à rendição.
Pouco a pouco prende os passos,
transforma a força em ilusão.
O açúcar veste roupa de festa,
adoça a boca, seduz o paladar.
Mas cobra caro pelo encanto,
quando chega a hora de cobrar.
O sal tempera a convivência,
dá sabor ao feijão e ao pão.
Porém, em excesso silencioso,
cerca a vida de preocupação.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
No brilho da tela, no abraço do sofá,
no doce do açúcar e no sal a transbordar.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Não vieram como inimigos,
nem carregam espada ou canhão.
Entram sorrindo pela porta,
ganham espaço no coração.
A televisão rouba o tempo,
o sofá negocia a disposição.
O açúcar compra o instante,
o sal disfarça a condição.
Enquanto o mundo corre lá fora,
a vida pede participação.
Caminho, esforço e equilíbrio
são remédios sem prescrição.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Quando o excesso vira costume,
e o costume vira prisão,
São prazerosos, mas é morte lenta para todos.
Então façamos nova escolha,
sem guerra, culpa ou radicalismo.
Que a tela informe, não domine;
que o descanso não seja abismo.
Que o açúcar seja visita,
não morador do coração.
Que o sal conheça limites,
respeitando a moderação.
Pois viver é mais que prazer,
é movimento, consciência e valor.
E o tempo, que tudo revela,
é o mais exigente julgador.
MONARQUIA DO AMOR
No reino verde de Itaquitinga,
onde o vento espalha raiz,
floresceu um trono de afeto
sob um céu sereno e feliz.
Entre canaviais e memórias,
entre o campo e a matriz,
Israel tomou por coroa
o sorriso da Beatriz.
No reinado de Itaquitinga
a felicidade é Imperatriz.
Não governam com espadas,
nem decretos por um triz;
seu poder nasce do abraço,
da palavra que bendiz.
Quando o Rei estende a mão,
quando a Rainha a conduz,
o amor acende caminhos
como estrelas dando luz.
No reinado de Itaquitinga
a felicidade é Imperatriz.
Israel, monarca do sonho,
cavaleiro aprendiz,
aprendeu que a maior riqueza
é amar e ser feliz.
Beatriz, rainha das flores,
de coração sempre gentil,
transforma simples instantes
em tesouros do Brasil.
No reinado de Itaquitinga
a felicidade é Imperatriz.
As muralhas desse reino
não são feitas de verniz;
são erguidas com respeito,
com ternura que não diz.
Seu castelo tem alpendres,
tem varanda e tem raiz;
e a bandeira que tremula
é a esperança que reluz.
No reinado de Itaquitinga
a felicidade é Imperatriz.
Quando o tempo passar ligeiro
e a juventude se for,
ficará gravada na história
a grandeza desse amor.
Pois há reinos que se acabam,
há impérios por um triz;
mas o reino dos que amam
permanece e sempre existe.
E dirá o povo em festa,
cantando pela matriz:
No reinado de Itaquitinga
a felicidade é Imperatriz.
FAMÍLIA VIDAL DE NEGREIROS
Das terras velhas da Europa,
Onde a História começou,
Veio um tronco de bravura
Que o destino encaminhou.
Trazendo fé e coragem,
O oceano atravessou.
Pelas rotas da aventura,
Pelo vento e pelo mar,
Entre povos e culturas
Foi seu nome semear.
Na África deixou pegadas,
Fez histórias prosperar.
Mas foi no solo brasileiro
Que ganhou dimensão,
Misturando sangue e sonhos
Com trabalho e devoção.
Fez da luta seu estandarte,
Fez da honra sua missão.
Em Pernambuco floresceu
Como um forte cajueiro,
Enfrentando tempestades
Com espírito guerreiro.
Cada filho foi guardando
O valor de um pioneiro.
Na Paraíba encontrou
Terra fértil pra crescer,
Entre engenhos e sertões
Fez raízes renascer.
E nas secas e invernias
Aprendeu a resistir e vencer.
Lá no Maranhão distante
Também fincou seu brasão,
Misturando sua história
Com a história da nação.
Fez do Norte uma morada,
Fez da terra seu chão.
Passaram-se muitas gerações,
Mudou roupa, fala e jeito,
Mas permaneceu acesa
A chama viva no peito.
Que não se mede em riqueza,
Mas em caráter perfeito.
Vieram mestres e soldados,
Lavradores e doutores,
Homens simples e honrados,
Mulheres de mil valores.
Todos regando a família
Com seus exemplos e amores.
Cada ramo dessa árvore
Tem memória pra contar,
Dos avós que abriram trilhas
Para os novos caminhar.
Mostrando que a verdadeira herança
É saber perseverar.
Hoje o tempo segue adiante,
Como rio rumo ao mar,
Mas a Família Vidal de Negreiros
Continua a navegar.
Entre passado e futuro,
Sem jamais sua essência deixar.
Que Pernambuco a celebre,
Que a Paraíba também,
Que o Maranhão reconheça
O legado que ela tem.
Pois quem honra seus ancestrais
Fortalece o que mantém.
E enquanto houver descendentes
Preservando a tradição,
Viverão os antepassados
Na memória e no coração.
Família Vidal de Negreiros,
Orgulho de uma geração.
E quando junto esses eus
num só verso, enfim, assim,
descubro que o universo
fez um poema de mim.
Pois sou palavra e ausência,
fantasia e chão sem fim;
sou o que escrevo no mundo
e o mundo escreve em mim.
TRANSCEPTO CRUZEIRO
No mar da velha poesia,
Dois navios vão singrando:
Um carrega a dor da história,
Outro segue renovando.
Entre o ontem e o agora,
Vai o verso navegando.
Castro Alves levantou
Sua voz de claridade,
Denunciando as correntes
Da cruel desumanidade.
Fez do poema um clarim
Em defesa da liberdade.
Seu Navio Negreiro, então,
Foi um grito contra o mal,
Retratando o sofrimento
Do cativeiro brutal.
Cada estrofe era um açoite
Na consciência mundial.
Negreiros Neto, por sua vez,
Lança a Nave ao infinito;
Não conduz corpos cativos,
Mas o sonho mais bendito.
Leva esperança na proa
E Deus guiando o seu rito.
Se um navio foi prisão,
Outro é ponte e travessia;
Se um cruzou mares de sangue,
Outro semeia poesia.
Um revela antigas sombras,
Outro anuncia o novo dia.
No transcepto do cruzeiro,
Onde os rumos se entrelaçam,
A memória encontra a fé
E os destinos se abraçam.
O passado vira mestre,
Sem que as feridas desfaçam.
Castro Alves fez da pena
Uma espada de justiça;
Negreiros faz do cordel
Um altar de boa liça.
Cada qual em seu tempo
Cultivou igual premissa.
Não disputam grandeza,
Nem procuram primazia;
São faróis de um mesmo porto,
Cada qual com sua guia.
Um combate a escravidão,
Outro exalta a harmonia.
Transcepto Cruzeiro é ponte
Entre o pranto e a esperança;
É o encontro das palavras
Com a eterna confiança.
Quem conhece o seu passado
Dá ao futuro segurança.
Que o Brasil jamais esqueça
O valor da consciência;
Pois a arte quando é livre
Transforma toda existência.
E a poesia permanece
Como luz da resistência.
CANTOS DA CAATINGA
No sertão quando amanhece,
Tudo ganha novo ardor,
Cada ave faz um verso
Ao divino Criador.
Na caatinga a esperança,
Vence o tempo e o dissabor.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Asa-Branca levanta
Num gracioso esplendor,
Levando paz em suas asas
Mesmo em tempo de calor.
Quando canta lá distante,
Renasce em mim o valor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Cancão, inteligente,
Defensor do seu redor,
Com coragem anuncia
Que a vida tem seu vigor.
Seu chamado desafia
Toda sombra e todo horror.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Patativa, rainha,
Do mais puro cantador,
Transformando o chão rachado
Num jardim cheio de flor.
Sua voz parece prece,
Cheia de fé e de amor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Galo-de-Campina,
Vestido de muita cor,
Leva encanto ao sertanejo
Com seu belo esplendor.
Cada nota que derrama
É perfume em meu redor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Sofrê faz seu lamento,
Que parece um trovador,
Misturando a saudade
Com um gesto acolhedor.
Sua voz consola a alma
Com divino resplendor.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Rolinha faz seu ninho
Com trabalho e com amor,
Ensinando à humanidade
O caminho do labor.
Sua paz anuncia sempre
Um futuro promissor.
Seus cantos aliviam minha dor.
Bem-te-vi anuncia cedo
Mais um dia promissor,
Despertando o sertanejo
Para o campo e seu labor.
Seu aviso traz esperança
Ao pequeno agricultor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Sabiá da Caatinga
É poeta e trovador,
Faz do galho seu palco,
Da manhã seu esplendor.
Quem escuta sua cantiga
Sente Deus por onde for.
Seus cantos aliviam minha dor.
Cada ave é um tesouro
Que nos deu o Criador,
Guardião da natureza,
Do sertão encantador.
Preservemos essa vida
Com respeito e muito amor.
Seus cantos aliviam minha dor.
REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DA CAATINGA
No coração do Nordeste
Nasceu um novo esplendor,
República da Caatinga,
De coragem e de valor.
Onde a honra faz morada,
E a fé floresce em flor.
Nação de bravos guerreiros.
Sua bandeira tremula
Com orgulho e tradição;
Azul do céu que protege,
Branco da paz em união,
Laranja é força e coragem,
Que aquece cada coração.
Nação de bravos guerreiros.
São nove Estados unidos
Num destino verdadeiro,
Como nove sentinelas
Guardando o chão caatingueiro;
Cada povo é uma estrela,
Cada filho um guerreiro.
Nação de bravos guerreiros.
No alto brilhou no infinito
Uma nova constelação;
Nove estrelas reluzentes
Desenhando a região,
Fez do céu da Caatinga
Seu eterno pavilhão.
Nação de bravos guerreiros.
À esquerda vive o sertão,
Mandacaru altaneiro;
O sol poente se despede
Pintando o chão por inteiro,
Mostrando que a resistência
É o brasão do sertanejo.
Nação de bravos guerreiros.
À direita canta o mar
Com seu azul cristalino;
Coqueirais fazem reverência
Ao nascer do sol divino,
E as ondas beijam a praia
Num espetáculo genuíno.
Nação de bravos guerreiros.
Do couro nasce a coragem,
Do barro nasce a missão;
Da seca brota esperança,
Da chuva a celebração;
Cada espinho é uma escola,
Cada luta uma lição.
Nação de bravos guerreiros.
O vaqueiro e o jangadeiro,
Cada qual no seu labor,
Um domina a terra firme,
Outro enfrenta o mar bravio;
Ambos levam no semblante
A grandeza do valor.
Nação de bravos guerreiros.
A sanfona abre caminhos,
O aboio encontra o mar;
O coco dança com o vento,
O xaxado faz lembrar
Que a cultura desta terra
Nunca deixa de cantar.
Nação de bravos guerreiros.
Que esta pátria imaginada
Seja exemplo de união,
Onde o povo seja livre,
Respeitando o irmão;
Sob as nove estrelas brilhe
Uma eterna construção.
Nação de bravos guerreiros.
AMIZADE: Moeda Universal.
No mercado desta vida há tesouro sem cifrão; vale mais um bom amigo que um cofre cheio na mão. Quem reparte o seu afeto nunca vive nos conflitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Quando a estrada se escurece e a esperança quer partir, surge uma mão estendida para o outro prosseguir. É Deus agindo em silêncio por gestos tão benditos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Há quem chegue sem alarde, sem promessa ou condição; traz no peito a boa palavra e o conforto ao coração. Transforma dor em coragem com abraços infinitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
O impossível se encolhe quando um amigo intervém; o peso torna-se leve quando alguém diz: "Eu também." Dois ombros vencem montanhas nos momentos mais aflitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Não se compra em feira alguma, nem se vende por favor; é tesouro cultivado com respeito e com amor. Quanto mais dela se oferta, mais se colhem bons frutos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
É remédio para a alma, é farol na escuridão; é a ponte que Deus constrói entre um peito e outro irmão. Quem semeia amizades colhe dias mais bonitos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Nem o ouro, nem a prata, nem palácio ou posição superam o privilégio de um amigo de coração. Pois a maior das fortunas vive em gestos tão benditos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
Que jamais nos falte a graça de estender a nossa mão, de enxergar no semelhante um irmão da criação. Porque o céu recompensa os corações mais contritos.
A Amizade é a moeda dos verdadeiros ricos.
LARVARUNCA
No terreiro da existência,
Vi um caso singular;
O varão perdeu o leme,
Deixou outro governar.
Quem já foi dono da casa
Nem se atreve a opinar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Ela escolhe a roupa dele,
O destino e o caminhar;
Marca a hora, muda os planos,
Diz se pode ou não falar.
Ele apenas balança a cabeça,
Sem coragem de negar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Se ela compra, ele paga;
Se ela vende, é sem consultar.
Ela muda os móveis todos,
Sem sequer lhe perguntar.
E o coitado só responde:
"Se você quiser, pode deixar."
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
No passeio ou na cozinha,
No descanso ou no labor,
Ela dita as regras todas
Com firmeza e com vigor.
Ele segue obedecendo,
Sem mostrar qualquer valor.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Mas cordel também ensina
Com respeito e sensatez:
Todo lar floresce mais
Quando existe altivez.
Diálogo, amor e acordo
Valem muito mais que a vez.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
Homem e mulher unidos,
Cada qual no seu lugar,
Dividindo os desafios,
Aprendendo a dialogar.
Quem governa junto a casa
Faz o amor sempre reinar.
LARVARUNCA, Ela manda e Ele nunca.
GRITO DO SILÊNCIO
No silêncio mora um grito
Que ninguém pode calar;
Ecoa além dos séculos,
Sem jamais se revelar.
Há mistérios escondidos
Que insistem em nos chamar.
Não há papiro que conte,
Nem pintura ancestral;
Mas existem tantos sinais
De presença imortal.
Vestígios que desafiam
O saber racional.
Há pegadas sem caminho,
Há muralhas sem pedreiro,
Há um mapa sem legenda,
Há um rumo verdadeiro.
Quem contempla tais mistérios
Fica mudo o mundo inteiro.
Descobertas escondidas
Dormem sob a própria luz;
Mãos humanas as ocultam,
Mas a verdade conduz.
Quem procura com justiça
Nunca perde a sua cruz.
Olhos veem o fenômeno,
Mas recusam explicar;
Cada nova observação
Faz a dúvida aumentar.
Há respostas escondidas
Que não querem revelar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Há montanhas de perguntas
Sem resposta conclusiva;
Toda porta que se abre
Traz outra perspectiva.
O mistério alimentando
Nossa busca incessiva.
Há quem diga ser lenda,
Há quem jure ser verdade;
Uns chamam coincidência,
Outros, curiosidade.
Mas o tempo segue firme
Desafiando a humanidade.
Nem todo fato se escreve
Nos anais da tradição;
Nem toda história vivida
Cabe numa explicação.
Há segredos preservados
Pela própria criação.
O silêncio também fala
Para quem sabe escutar;
Nem tudo cabe na ciência,
Nem se pode imaginar.
Há verdades que esperam
Seu momento de brilhar.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
Talvez um dia os mistérios
Saiam todos do esconder;
Ou talvez permaneçam
Sem ninguém compreender.
Pois nem tudo que existe
Foi nos dado conhecer.
Sigo ouvindo esse silêncio
Que parece até falar;
Cada dúvida desperta
Nova vontade de buscar.
Quem pergunta cresce sempre,
Quem procura vai achar.
E enquanto houver mistérios
Entre o céu, a terra e o chão,
Seguirei fazendo versos
Com respeito e reflexão.
Pois o grito do silêncio
Também mora em cada irmão.
Explica o não do porquê
ou o porquê do não.
VIVER EM MUTAÇÃO
A vida é feito um rio,
Que não para de correr,
Vai mudando suas águas
Sem deixar de ser viver;
E o homem muda com o tempo,
Sem saber o que vai ser.
Ontem fui uma semente,
Hoje sou árvore a crescer,
Amanhã serei talvez
Outra forma de florescer;
Pois quem pensa que é o mesmo
Não conhece o próprio ser.
Meu Eu de ontem morreu,
hoje vive outro Eu,
e amanhã quem será Eu?
Cada dor deixa uma marca,
Cada amor traz transformação,
Cada queda nos ensina
A buscar nova direção;
E a vida vai esculpindo
Nosso ser e coração.
Muda o corpo, muda a mente,
Muda o jeito de pensar,
Muda o sonho, muda o medo,
Muda o jeito de sonhar;
E até aquilo que amamos
Pode um dia se transformar.
Há um Eu que vai partindo,
Sem fazer despedimento,
Outro Eu chega ligeiro,
Carregado de momento;
Somos obras inacabadas
Nas oficinas do tempo.
Meu Eu de ontem morreu,
hoje vive outro Eu,
e amanhã quem será Eu?
Não devemos ter receio
Da mudança natural,
Pois a vida é movimento,
Nunca fica sempre igual;
Até pedra vira areia
Sob a força temporal.
Quem aceita a mutação
Aprende a se reinventar,
Troca o medo pelo sonho,
Deixa a vida lhe ensinar;
Pois mudar não é perder-se,
É uma forma de encontrar.
Eu já fui tantos de mim,
Que nem posso enumerar;
Cada fase foi um passo
Que me fez aqui chegar.
E o futuro é uma pergunta
Que ainda vou responder.
Se amanhã nascer um homem
Diferente do que sou,
Não direi que perdi a vida,
Direi: a vida me mudou.
Pois enquanto houver caminho,
Meu destino não parou.
Meu Eu de ontem morreu,
hoje vive outro Eu,
e amanhã quem será Eu?
Assim sigo nesta estrada,
Entre o ontem e o depois,
Reinventando meus caminhos,
Descobrindo novos nós;
Sou mudança, sou memória,
Sou futuro dentro de nós.
E se alguém me perguntar
Quem sou eu neste momento,
Responderei simplesmente:
Sou mutação e movimento.
Um ser que nasce a cada dia
Das mudanças do tempo.
ENCANTO DE CRIANÇA
Criança é feito encanto,
É estrela a cintilar,
É um mundo de descobertas
Que começa a despertar;
É semente pequenina
Que aprende a vida a amar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Primeiro vem o nascimento,
Com seu choro e seu olhar,
Depois vem o colo amigo,
Onde aprende a descansar;
E, entre braços e carinhos,
Começa a se aventurar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Depois começa a engatinhar,
Logo aprende a caminhar,
Dá tropeços, cai no chão,
Mas insiste em levantar;
Cada passo pequenino
É uma forma de sonhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Vem a fase das perguntas,
Do brinquedo e da invenção,
Do desenho colorido,
Da primeira imaginação;
A criança faz do mundo
Um brinquedo de emoção.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Depois chega a adolescência,
Com conflitos e mudanças,
Novos sonhos, novos medos,
Despedidas e esperanças;
Vai deixando a meninice,
Mas conserva as lembranças.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E o menino vira homem,
A menina vira mulher,
Cada qual seguindo a estrada
Do destino que escolher;
Mas quem guarda a sua infância
Nunca deixa de viver.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Pois existe uma criança
Que o tempo não faz morrer;
Ela mora nos bons homens,
Nos que sabem compreender,
Nos que têm mãos para o abraço
E um coração para acolher.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Homem bom brinca com filhos,
Sabe rir e sabe amar;
Não tem vergonha da infância
Que insiste em lhe acompanhar.
Quem conserva a alma criança
Nunca deixa de sonhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Ser adulto não é nunca
Ter vontade de brincar;
É saber que a vida é séria,
Mas também sabe encantar.
É guardar dentro do peito
Um menino a caminhar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Crescer não significa
A infância abandonar;
É levar dentro da alma
Tudo aquilo que ensinar:
Que o amor, quando é verdadeiro,
Tem o dom de transformar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E se o tempo envelhecer
O rosto, o corpo e a mão,
Que jamais envelheça
A ternura do coração;
Pois criança que permanece
É eterna inspiração.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
Que venham com seus brinquedos,
Com seus sonhos e alegria;
Que venham com seus sorrisos,
Sua doce fantasia;
Pois onde existe criança,
Renova-se a poesia.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
E quando a vida passar
E a velhice enfim chegar,
Que eu ainda tenha dentro
Uma criança a me ensinar:
Que nascer é começar,
E viver é se encantar.
Que venham a mim todas as crianças,
pois meu reino está a esperar.
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