Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Houve um tempo em que a riqueza de um povo era medida por aquilo que tirava da terra. Arrancaram madeira das matas, ouro das montanhas, café dos campos. Parecia que toda prosperidade dependia de retirar alguma coisa do mundo até deixá-lo mais pobre.


Agora a extração é outra.


Já não se arrancam apenas árvores, metais ou colheitas. Arranca-se a alma sem tocar no corpo. Arranca-se atenção, desejo, memória, gosto. Arranca-se significado.


Já não basta vender um pão. Vende-se a fome.


Já não basta vender uma canção. Fabrica-se o ouvido incapaz de suportar o silêncio.


Já não basta oferecer um caminho. Ensina-se o viajante a esquecer para onde ia.


Há uma crueldade nova nesse mecanismo. As prisões antigas cercavam o corpo. As prisões de agora cercam a vontade. Descobriu-se que o homem deixa de resistir muito antes de deixar de obedecer. Basta que já não consiga desejar por si mesmo.


A cultura foi sendo reduzida a uma superfície. As cores rarearam. As formas se comprimiram. A beleza tornou-se um luxo. E o mundo, que durante milênios pediu contemplação, passou a exigir apenas eficiência.


O mais inquietante é que quase nada nos foi arrancado à força. Fomos cedendo. Um hábito de cada vez. Uma renúncia de cada vez. As maiores perdas raramente fazem barulho.


Talvez essa seja a pobreza mais profunda do nosso tempo. Não a falta de dinheiro, mas a falta de espanto. Porque um povo não desaparece quando perde suas riquezas. Desaparece quando perde a lembrança do que era digno de ser amado. A morte de uma civilização começa muito antes de sua ruína. Começa no dia em que já não reconhece como sua a própria voz.


O maior triunfo do nosso tempo não foi ensinar as máquinas a criar. Foi convencer os homens de que criar já não era necessário. Bastaria consumir. Repetir. Reagir. Ajustar-se. Bastaria permanecer dentro do fluxo.


A natureza nunca fez duas árvores iguais. O mercado, ao contrário, passa a vida tentando convencer o mundo de que uma única forma basta para todas as florestas.


Mas a beleza continua sendo uma forma de rebeldia. A arte continua sendo uma forma de desobediência. E toda civilização que esquece isso começa a extrair de si mesma a última riqueza que possuía. Não o ouro. Não a terra. Nem a técnica.


A capacidade de sentir que era única.

"DIANTE DE UM PROBLEMA QUE VOCÊ DEVE RESOLVER, OU UMA INICIATIVA PARA MELHORAR DE VIDA, DEIXAR SEMPRE PRA MANHÃ; VOCÊ É UM PROCRASTINADOR, O TEMPO PASSA E NADA FAZ; A MELHOR AÇÃO É AGORA" Ademar de Borba

Às vezes devemos só parar e tomar um fôlego, parar e escutar, assumir um erro, tentar consertar, não deixar a vida nos levar na acomodação.
Se eu estiver perdido, guia-me. Se eu estiver errado, corrija-me. Se eu estiver com medo, não me abandone, me fortaleça. E se eu quiser desistir, me faça continuar.

Há pessoas que chegam fazendo barulho. Outras vão ocupando espaço em silêncio, até que, um dia, a ausência delas faz mais barulho do que qualquer despedida.
Você me disse que nunca encontrou uma linha minha. Por um instante, eu também procurei. Não porque elas existissem escondidas, mas porque percebi que nunca as havia escrito.
Talvez eu tenha cometido o erro de acreditar que o tempo sempre nos daria mais tempo: mais uma conversa, mais uma oportunidade, mais um passo. Enquanto eu acreditava nisso, os dias seguiram. E, quando percebi, você e o tempo já haviam escolhido por nós.
Engraçado... Passei anos sem escrever. As palavras voltaram justamente quando você foi embora. Não porque a sua ausência valha mais do que a sua presença, mas porque algumas perdas obrigam o coração a dizer aquilo que o silêncio nunca teve coragem.
Você nunca foi falta de inspiração. Pelo contrário. Você foi a calma que me fez acreditar que sempre existiria um amanhã para recomeçar sorrindo.
Hoje eu entendo que, às vezes, o amanhã acaba. E, com ele, também vai o amor e as palavras que nunca foram ditas.
Se um dia alguém encontrar estas linhas, talvez pense que elas nasceram da saudade.
Mas elas nasceram do atraso.
Porque há sentimentos que chegam no tempo certo.
E há palavras que chegam quando já não se podem mudar mais nada.
Te amo...

⁠Um peso morto

O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.

Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...

Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...

O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...

Novo dia.
Esperança.
Alegrias?

Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?

⁠Sobre a vida... e a vida...

E a vida segue seu rumo... mais um dia do lado de cá... o Sol no céu a brilhar... já mais uma noite do lado de lá... a lua e as estrelas num brilho bruxuleante a escuridão a afastar.

Um dia a menos... ou um dia a mais... uma noite a menos... ou a mais.. tanto faz... Mas, ao menos, você ainda está aí pra ver o tempo passar... e ele passa apressado, não importa o lado...

Você anda tão calad@... no seu próprio caminho concentrad@... tantos passos já dados... tantos passos por vir (bem, meu bem, se muitos... nunca se sabe)... e você, meio perdid@, já nem sabe muito bem o que vale a pena seguir.

Algumas dores, alguns desamores, decepções, ladrões de ilusões... por tudo isso você cruzou... e de tudo isso você provou... e de tudo o que sobrou? O que foi que o vento não levou? Alguma coisa de bom ficou?

Siga... sim, siga... ou fique parad@.

Tanto faz... na realidade se tudo o que o vento traz é só o que seus olhos carnais conseguem ver... tanto faz... porque tudo, no fim, vai mesmo é com o vento se desfazer... você pode atrás correr, entre os dedos querer prender... se nada há mais do que você pode ver... no que se resume todo um viver?

Em morrer... camarada... em morrer... e mais nada. Se tudo o que existe é só nesta vida é que há pra se viver... resta mesmo é o morrer.
E fim!!!

Diz pra mim: quem foi que convenceu você de que é só assim!? Simples assim! Vai, diz pra mim...

⁠Ante o silêncio

Um silêncio de pura agonia...
Tu te foste daqui
Deixaste um silêncio mortal...
Levaste todas as minhas alegrias.
O céu se faz grande sobre nós.
O céu sabe tudo sobre nós.

É hora de partir,
o caminho em frente seguir.
Hora da despedida,
o dia se faz noite.
triste é a partida.

Hora da chegada.
Como toda madrugada,
antecede o sol
que brilhará em toda a sua jornada.

O céu se enche de nuvens
leves, branquinhas como algodão.
Durante o dia, espalha o calor do sol
pra aquecer seu coração.

Chega a noite toda estrelada
brilha a lua toda iluminada
exclusivamente pra alegrar sua caminhada.

Dia ou noite
não importa
o céu guia seus passos
retos, em vias tortas.
Silêncio se fez total por esses dias

⁠Ele chegou...
Um dia ele chegou
Devagarinho foi tomando todo o espaço com seu carinho.
Foi colocando tudo no lugar... perfeito.
Dominou-me com suas fortes torrentes emocionais... e me ensinou como amar.
E se foi... como se nunca tivesse chegado.
...
A Lua no céu eternamente iluminada.
A noite estrelada.
As ondas num ir e vir que não se acaba.
Era só pra eu não pensar em nada...
Admirar, e admirar, e admirar...
As ondas, no seu vaivém.
As estrelas, eternamente a piscar.
A Lua, tudo a luar...
Meu pensamento voa longe.
Eleva-me pra outro lugar.
Eu finjo que ainda me ama...
o homem que nunca soube o que é amar.

⁠Calmaria

Depois do temporal a calmaria.
Surge um céu brindando um novo dia.
Chuva raivosa foi aguar em outro lugar...
Deixou espaço para o Sol brilhante no horizonte raiar.
Brisa suave a manhã vem suavizar.
Pássaros cantam um novo dia a chegar.
Borboletas coloridas... sobre flores perfumadas... no jardim estão a bailar.
Novo dia. Dia novo.
Sol... calor de manhã de verão.
Sopra um vento meigo de novo.
Folhas das árvores a cobrir o chão.

⁠Sonhos

Degraus.
Suba-os de um em um.
Não é bom pular um
e subir de dois em dois.
Apesar do cansaço, apesar da pressa...
Não se apresse.
Um dia de cada vez é o bastante.
Não queira viver o futuro antes de ele chegar.
Lá fora, desertos ocres,
ventos fortes
sol que não brilha
tarde chuvosa.
Ofereço-te uma rosa.
Desejo-te raios de fulgor.
Música suave.
E um grande e terno amor.
Que te povoem sonhos.

Como as águas de um doce rio doce
Passam as águas doces do rio.
Correntes geladas... tremo de frio.
Não repetem sua passagem.
Pouco mudam... e tudo mudam.
Pedras roladas... docemente beijadas.
Margens lapidadas.
Correntes pesadas...
tudo levam... tudo lavam...
e deixam a alma lavada.
Correm as águas doces do rio.
Do que fogem as águas doces do rio?
Por que suas águas doces seguem tudo escumando?
Por que no leito silenciosamente seguem murmurando?
Por que as vejo engrossando?
Por que seguem tudo contornando?
Por que não retornam?
Águas de um rio doce...
Está o mar a esperar...
Tudo o que por tão breve tempo foram vai ele apagar...
Vai ele desadoçar.
Salgar... pra mais tempo conservar?
Rosangela Calza

Por onde um rio passa


... passa o rio cheio de graça...
Serpenteia em grandes curvas
Suaves e tranquilas
por milhas e milhas...
define o caminho...
não pede passagem.
Às suas margens... terrenos amplos, grandiosos enfileiram-se
parques e florestas... árvores com seus ninhos.
Um rio nunca está sozinho.
Água no leito dos rios...
Vida que desliza por um fio...
Rios com corredeiras
que correm ligeiras, bagunceiras, em direção ao mar...
Têm elas toda a certeza do mundo que o mar vai as abraçar.
Unir... fundir... tudo em um só aguar.
Rosangela Calza

Um ritmo tão sem graça


Tudo passa...
E o tudo passar deixa este mundo tão sem graça.
Passa o amor... passa a desgraça.
Como assim... mundo sem graça por fazer passar a desgraça?
Sim... sem graça... porque que graça tem já saber de antemão que a desgraça que aflige seu coração já tem seu fim determinado por antecipação?
Sua desgraça, minha desgraça... passarão como fumaça.
Que graça sofrer por uma desgraça que logo ali adiante passa?
Não sofra com a desgraça!
Passa o amor... que mundo mais sem graça...
Que graça tem na misteriosa estrada da vida...
Amor como guarida
Vida no amor ser acolhida
E, logo à frente, dolorosa despedida?
“Que por perdê-la perdida,
Me desfaleço de dor...”
Perde-se a vida...
Perde-se o amor.
Neste mundo frágil... tudo é frágil...
Tudo passa... tudo vira fumaça.
Que mais sem graça é esta vida!
Que no seu próprio ritmo desgraçadamente passa... tudo é, deveras, tão sem graça!
Ô vida... qual é de te viver a graça?


Rosangela Calza

Seu corpo é fruto proibido
É a chave de todo pecado
E da libido, e pra um garoto introvertido
Como eu, é a pura perdição.

"Na oração o homem se esquece que existe um limite para os seus desejos e sente-se feliz neste esquecimento."

"O dom do conhecimento é um dom muito superior ao de alimento ou roupas é mesmo mais importante do que dar vida a um homem, porque a verdadeira vida do homem consiste no conhecimento. Ignorância é morte; conhecimento é vida. A vida é de muito pouco valor se é uma vida em trevas, tateando através da ignorância e da angústia."

Um líder é reconhecido em momentos de crise, em que a sua presença é exigida, e não delega a outros a responsabilidade de o representar.

A sensibilidade ela é um gato assustado.
Temos que chegar devagar para tocar.

“Dê um Peixe a alguém e ele poderá te pedir mais…
Não dê mais Peixe mas dê ou empreste uma Vara de Pesca e este ainda poderá te açoitar…
Ensine-o a Pescar e algum dia poderás ganhar um Peixe. “

Não se esqueça que em um percurso de cura, cada pôr do sol é uma medalha silenciosa de vitória e cada amanhecer, um presente que renova a esperança.


Rozilda Euzebio Costa