Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi
Se você tratar a mulher como trata um homem, é considerado misógino; se tentar tratá-la com cavalheirismo e provisão, é chamado de machista.
O sorriso é o disfarce que o coração aprendeu a usar —
um véu de serenidade sobre o caos silencioso da alma.
Por dentro, a dor consome em silêncio, paciente e invisível,
mas o mundo não precisa saber.
Então, sorria...
pois há batalhas que se travam no íntimo,
e o riso, ainda que frágil, é a última forma de resistência.
No meio do cansaço que o meu peito carrega, ainda existe um fio de luz me chamando.
Mesmo em silêncio, a minha alma não se entrega, ela resiste... devagar, mas caminhando.
O sentimento não morreu, só se escondeu,
cansado de lutar sem descanso.
Mas dentro de mim ele não se perdeu,
apenas espera um novo passo.
E quando tudo parece sem direção, eu me lembro: até a noite mais fria termina.
Porque Deus não abandona um coração
que ainda, em dor… continua pulsando.
Às vezes o coração transborda, mas a alma não encontra linguagem.
É como carregar um universo inteiro dentro de si e ainda assim não saber por onde começar.
Não é falta de palavras.
É excesso de sentir.
É quando o olhar pesa mais que qualquer discurso, quando o peito aperta sem aviso e o que existe dentro de você simplesmente não cabe no mundo.
Um milhão de sentimentos… e talvez, no fundo, nem precise de palavras, porque quem sente de verdade, entende.
Às vezes, uma palavra muda um dia.
Um gesto muda uma esperança.
Uma oportunidade muda um destino.
Nem sempre vamos lembrar exatamente do que dissemos, mas as pessoas quase sempre lembram de como se sentiram quando estiveram perto de nós.
Por isso, acredito que devemos procurar deixar marcas boas por onde passamos.
Levar incentivo onde existe dúvida.
Leveza onde existe peso.
Força onde alguém já está cansado de lutar sozinho.
Porque a vida já é difícil demais para que nossa presença seja apenas mais uma indiferença.
No fim, talvez o verdadeiro valor de uma vida não esteja apenas no que conquistamos, mas no quanto conseguimos melhorar, mesmo que um pouco, a vida de quem cruzou o nosso caminho.”
Minha alegria se foi.
Restaram apenas as lembranças de um tempo que não volta e uma dor que insiste em permanecer.
Os dias passam, as pessoas seguem seus caminhos, mas certas feridas parecem desconhecer o tempo.
Que seja pelo propósito.
Se for para suportar a dor, que ela tenha um propósito.
Se for para renunciar, que seja por um propósito.
Se for para lutar, que seja pela vontade de Deus.
Porque viver sem propósito é apenas existir.
Mas viver para cumprir o propósito do Senhor transforma cada batalha em um passo na direção do destino que Ele preparou.
Em 1953, próximo à minha casa, montaram um acampamento de uma empresa que estava asfaltando a rodovia. Havia várias casas. Umas mais simples e outras um pouco melhores, destinadas aos engenheiros, eu acho.
Como qualquer moleque da minha idade, uns seis ou sete anos, eu me maravilhava com aquele vai e vem de máquinas fazendo estrada e jogando aquela mistura de pedras que depois era coberta com piche, deixando no ar aquele cheiro de óleo diesel. O dia era curto.
Uma noite acordei com minha mãe me chamando. Estava pegando fogo em uma das casas do acampamento. Como era uma construção bem simples, com cobertura de sapé, queimou muito rápido.
Na manhã seguinte encontrei várias garrafas derretidas, parecendo figuras de bichos. Guardei algumas como relíquias. Eu tinha um esconderijo, uma espécie de caverna, que ficava debaixo do assoalho da nossa casa. Ali ficavam meus tesouros: estilingue, pião, faquinhas feitas de serra, bolinhas de gude, um canivete corneta — coisa rara —, algumas pedras coloridas e, agora, os vidros com aspecto de bichos.
Eu dividia o tempo em duas partes: de manhã ficava vendo as máquinas trabalharem e, à tarde, fuçando pelo acampamento, subindo e descendo nas máquinas quebradas, imaginando-me operando aqueles monstros.
Vez ou outra eu dava uma inspecionada nas casas dos engenheiros. Numa dessas fuçadas, achei uma casa com a janela da cozinha aberta e, como não podia deixar de ser, olhei para dentro. Sobre a mesa havia uma lata de abacaxi. Uma coisa inimaginável para o poder aquisitivo da nossa família.
Afastei-me rapidamente dali, mas algo me puxava de volta. Entre idas e vindas, numa das voltas pulei a janela e levei a lata de abacaxi, que, por um dia, passou a fazer parte do meu tesouro.
No dia seguinte, aquela máxima de que o criminoso sempre volta ao local do crime entrou em ação, e lá estava eu observando o movimento. Tudo calmo. Nada de anormal. A janela continuava aberta e, no lugar da ex-lata, havia um vasinho com flores.
Esperei mais um dia para dar fim àquela tentação. Tive que dividir uma boa parte com as formigas, mas faz parte. Dei cabo da lata e voltei a ver as máquinas que comiam e vomitavam terra.
Confessei-me alguns anos depois. Fiz um combo de pecados e entreguei tudo nas mãos do padre. Aquelas mesmas mãos que um dia eu havia beijado com a boca cheia de manga.
Claro que esse pecado não foi o maior. Mas ele só perdia para os das figurinhas.
O único trecho em que eu pensaria em mexer mais é o final. A frase "Mas ele só perdia para os das figurinhas" é boa, mas quem não leu suas outras histórias talvez não entenda a referência. Por outro lado, justamente por ser uma referência interna ao seu universo de memórias, ela tem muito charme. Eu provavelmente a manteria exatamente assim.
As pessoas querem dar lição de moral em quem já perdeu pai, mãe, quatro irmãos e um filho único na idade mais bela.
Daysemar é um diamante bruto que é lapidada a cada dia e seu brilho se torna cada vez mais fácil de se admirar. Ela se projeta na roda de polimento.
A distância temporária de um lugar que adotamos como lar revela a profundidade das nossas conexões. Criamos raízes profundas em solos que não são os de nossa origem, e a solidez desse vínculo muitas vezes passa despercebida no cotidiano. É no instante da perda — mesmo que passageira — que despertamos para a realidade de que o temporário se tornou fixo, firme e profundamente real.
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