Eu Nao sou Perfeita So apenas eu

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14 de novembro de 2022
Às 11:50


"Bom, faz muito tempo que não escrevo meus sonhos, só relato em vídeos.
Mas, agora irei fazer um resumo de todos que lembro, desde a morte da minha avó paterna, em maio deste ano.
Uma semana antes dela morrer, eu havia sonhado que passava em frente ao cemitério do qual ela foi enterrada, após morrer, e estava acontecendo um cortejo e eu conhecia todas aquelas pessoas, eu olhei para a porta do cemitério, enquanto passava com meu marido e via 2 meninas e um rapaz entrando, e eu conhecia essas pessoas, mas não consegui ver quem elas eram.
Uma semana depois, recebo uma ligação da esposa do meu tio, irmão do meu pai, falando que minha vó havia morrido, era 9:40 da manhã.
Eu lembrei desse sonho, o que eu não sabia ainda é que iria ao velório dela.
Porque não gosto de velórios.
Tenho pavor!
Então, pela tarde eu e meu marido nos arrumamos para ir até lá.
Meu marido também havia sonhado dias antes, que carregava um caixão.
Chegamos até lá!
Às 6 da tarde, foi o sepultamento.
Eu ia atrás do pessoal filmando tudo, quando entrei na porta do cemitério, senti um frio estranho percorrendo todo o meu corpo.
Foi quando lembrei da parte do sonho, que eu via as 3 pessoas entrando...
Bem no momento que eu, a esposa do meu tio mais novo e ele entrava.
Me arrepiei toda! A mesma cena, as mesmas roupas, as mesmas pessoas que vi no sonho.
Então, observei meu marido levando o caixão e tive outro arrepio, quando percebi que a roupa dele e a minha, era exatamente aquela que nós usava no sonho de uma semana atrás, passando em frente ao cemitério.
Muito bizarro!
Foi onde deu lugar, a outra lembrança, que foi meu marido carregando o caixão, do qual ele havia sonhado.
Não tinha homens suficiente pra carregar, então, ele teve que ajudar, fazendo assim, o sonho dele e o meu, se tornar mais arrepiante ainda.
Eu não sei porque, mas tenho medo dos meus sonhos, porque eles acontecem na vida real, com detalhes.

Na vida, a gente não tem certeza de nada, só da partida, que ainda é incerta, porque não sabemos o dia, nem a hora.




Jesus falou isso, e todo mundo acha que se trata da volta dele, quando na verdade a metáfora se trata da morte.

“O velho Carvalho” não era só uma árvore, era quase um abrigo emocional improvisado, um tipo de terapia gratuita feita de histórias, risos e aquela sensação rara de pertencimento. Porque quando o lar vira campo de batalha, qualquer pedaço de sombra vira lar.

Relacionamento não é só presença física. É presença emocional. É estar ali de verdade, nem que seja imperfeito, nem que seja cansado, mas ali. Porque quando um tá inteiro e o outro tá ausente, nasce esse abismo silencioso que ninguém vê, mas quem sente… sente forte.

⁠Os maus só acreditam que são a maioria, porque os bons não aprenderam fazer barulho.

⁠Bom era quando clamávamos para chover só para dançar na chuva, não para chorar escondido.

⁠Não tive nada a ver com o 11 de setembro… Só carrego a Culpa, a Gratidão e a Graça de ter nascido num dia bom, com a doce certeza de que até em dias sombrios Deus acende luzes.

Só veem essa medonha polarização com bons olhos, os que já não veem com os olhos seus.


Isso porque a polarização rouba a visão verdadeira e substitui a percepção da realidade pelas lentes dela.


Quem se deixa aprisionar por ela já não enxerga com clareza — apenas repete os reflexos que lhe oferecem.


A polarização estreita horizontes, fabrica inimigos imaginários e ensurdece para qualquer voz que não ecoe na própria trincheira.


O olhar, antes capaz de contemplar a complexidade da vida, passa a se contentar com a caricatura de “nós contra eles”.


E o mais trágico é que, nesse processo medonho, não se perde apenas a neutralidade: perde-se também a capacidade de enxergar o lado humano do outro.


Perde-se a liberdade de pensar com a própria cabeça, porque ver com os olhos alheios, nunca será o mesmo que enxergar com os próprios olhos.

⁠Os que só veem a Felicidade nas Grandes Conquistas, ainda não tomaram Vento na Cara com ela no Carona.

⁠Talvez não haja falta de sentimento mais tacanha e equivocada que a pessoa acreditar que só ela tem sentimentos.


O amor não se sustenta nem se eterniza só na calmaria, mas também na fidelidade nas tempestades.


Na saúde, na doença e na eterna gratidão por estarmos juntos.


Sem revolta, passamos o Natal no hospital.


Sabíamos — e seguimos sabendo — que o Grande Aniversariante veio pelos doentes.


Sem revolta, passamos o réveillon no hospital.


E hoje, sem revolta, passaremos também o nosso aniversário de casamento no hospital.


Porque sabemos que estar juntos não é circunstância — é aliança: na saúde e na doença.


Naquele que tem autoridade até sobre a tempestade, confiamos:
Ele jamais permitiria que a atravessássemos se não pudesse dominá-la.


Mas ainda assim, Pai Amado, humildemente Te suplico:
restaura a saúde da mulher da minha vida —
aquela que me deste por esposa.


Toca seu corpo com a Tua cura,
acalma sua alma com a Tua paz
e renova suas forças dia após dia.


Dá-nos vigor quando o cansaço insistir,
silêncio quando o medo tentar falar mais alto
e esperança quando os dias parecerem longos demais.


Sustenta-nos na travessia
e permite que, ao final dela, saiamos mais inteiros,
mais gratos
e ainda mais unidos em Ti.


Que o Pai Amado continue abençoando a nossa jornada!


A Ti, Pai, gratidão por mais um ano de casados!


Amém!

⁠As Algemas não seriam só um Detalhe para acariciar o Ego de uma Sociedade quase sempre Algemada?


Talvez o fascínio pelas algemas não esteja no aço frio que restringe os pulsos, mas no calor simbólico que conforta consciências inquietas.


Há algo de profundamente revelador na forma como celebramos o ato de prender — como se, ao assistir alguém ser contido, experimentássemos uma ilusória sensação de ordem, de justiça cumprida, de mundo corrigido.


Mas, e se essas Algemas, tão aplaudidas quando estão nos outros, forem apenas o reflexo de correntes mais sutis que carregamos sem perceber?


Vivemos cercados por Prisões que não fazem barulho: crenças que não ousamos questionar, narrativas que adotamos como verdades absolutas, paixões políticas que sequestram a razão.


Algemas invisíveis, porém muito mais eficazes — porque não nos provocam incômodo suficiente para desejar liberdade.


Nesse cenário, o Espetáculo da Punição cumpre um papel curioso: ele distrai.


Ao focarmos no “culpado” da vez, deixamos de encarar os mecanismos que nos aprisionam coletivamente.


A indignação seletiva vira entretenimento.


E o rigor, quando conveniente, vira virtude.


Talvez por isso as algemas — no outro — seduzam tanto.


Elas oferecem a confortável ilusão de que a liberdade é uma condição natural — e que só alguns poucos, os “outros”, precisam ser contidos.


Mas uma sociedade que se acostuma a aplaudir correntes deveria, antes de tudo, desconfiar da leveza com que movimenta as próprias mãos.


Porque o verdadeiro cárcere não é aquele que limita o corpo, mas o que Anestesia o Pensamento — e esse, quase sempre, dispensa Algemas Visíveis para cumprir seu papel.

⁠Não bastasse a justiça brasileira fazer tanta cerimônia para se amostrar, só para o povo acreditar que ela ainda existe, ainda incita o justiçamento.


Há algo de profundamente contraditório quando a instituição que deveria ser o último refúgio da razão se transforma, aos olhos do povo, em um palco de encenações.


A liturgia excessiva, os ritos intermináveis e os discursos rebuscados parecem, muitas vezes, menos comprometidos com a justiça em si e mais com a manutenção de sua aparência.


E quando a forma passa a valer mais que o conteúdo, abre-se um vazio extremamente perigoso — aquele onde a confiança deixa de habitar.


Nesse vazio, cresce a sensação de abandono.


O cidadão comum, cansado de esperar por decisões que nunca chegam ou que chegam tarde demais, começa a flertar com soluções imediatas, ainda que brutais.


Não por vocação à violência, mas por desespero diante da ausência de respostas justas.


E é nesse ponto que o risco se torna ainda maior: quando a justiça institucional, ao falhar em ser justa, acaba, ainda que indiretamente, legitimando a injustiça praticada pelas próprias mãos.


O justiçamento não nasce do nada.


Ele é fruto de um terreno onde a impunidade é percebida como regra e a lei como um privilégio seletivo.


Quando o povo deixa de acreditar na justiça, não é apenas a credibilidade de um sistema que se perde — é o próprio pacto social que começa a ruir.


Afinal, se cada um passa a ser juiz, júri e executor, o que resta da convivência civilizada?


Talvez o maior desafio não seja apenas fazer justiça, mas fazê-la de forma visível, compreensível e, sobretudo, confiável.


Porque a justiça que precisa se provar o tempo todo, talvez já tenha, em algum momento, deixado de ser reconhecida como tal.


E quando a justiça precisa gritar para ser notada, é possível que o silêncio da sua ausência já esteja ecoando há muito mais tempo.

⁠Sobre o outro, só um julgamento é permitido, urgente e necessário — vale ou não a pena discutir.


Em tempos de tantos julgamentos, talvez este seja o mais sábio e também o mais ignorado.


Não porque o outro não mereça resposta, mas porque nem toda palavra merece palco.


Há debates que não são pontes, são armadilhas…


Conversas que não buscam entendimento, apenas vitória.


E quando o objetivo deixa de ser o entendimento e a verdade para se tornar o aplauso, qualquer argumento vira figurante de um espetáculo já ensaiado.


Discutir, no sentido mais nobre da comunicação, é um exercício de construção.


É lapidar ideias no atrito respeitoso, é admitir a possibilidade de estar errado, é sair diferente de como entrou.


Mas isso exige uma disposição muito rara: escutar de verdade.


E, sejamos honestos, grande parte das discussões hoje não nasce dessa intenção — nasce da pressa de responder, da necessidade de afirmar, do medo de parecer fraco…


Há um custo invisível em entrar em toda e qualquer briga: o desgaste da mente e da alma.


Cada discussão inútil consome tempo, energia e serenidade.


E, aos poucos, vamos nos tornando aquilo que criticamos — reativos, barulhentos e previsíveis.


Não por maldade, mas por contaminação.


Saber quando não discutir não é aceitação nem omissão; é discernimento.


É reconhecer que nem todo campo merece ser cultivado, que algumas terras não produzem nada além de ruído.


É entender que o silêncio, às vezes, é a forma mais eloquente de inteligência.


No fim, talvez a maturidade não esteja em vencer argumentos, mas em escolher quais sequer valem a tentativa.


Porque há debates que ampliam horizontes — e há aqueles que apenas estreitam o espírito dos que insistem.


E desses, o melhor argumento continua sendo a recusa.

⁠Em meio a tanto ruído, já não se sabe se a fé da humanidade está sendo provada ou se é só para descobrir as cabeças alugadas.


Talvez o maior drama do nosso tempo não seja a ausência de informação, mas o excesso dela atravessando consciências cansadas.


Nunca se falou tanto sobre liberdade de pensamento e, paradoxalmente, nunca foi tão fácil encontrar pessoas repetindo discursos prontos como se fossem conclusões próprias.


A avalanche de opiniões instantâneas transformou convicções em mercadorias emocionais: compra-se uma narrativa, veste-se uma indignação e aluga-se a própria percepção em suaves parcelas ideológicas.


A fé — não apenas a teologal, mas também a humana — parece encurralada entre o barulho das certezas fabricadas e o medo de pensar por conta própria.


Porque pensar exige muita coragem…


Exige o desconforto de admitir dúvidas, rever posições, contrariar o próprio grupo e suportar o silêncio antes de formular uma opinião.


Mas o ruído moderno não tolera pausas; ele exige posicionamentos imediatos, reações inflamadas e fidelidades cegas.


Nesse cenário, muita gente já não busca compreender o mundo, apenas encontrar um coro que confirme aquilo que deseja sentir.


E quando a emoção substitui completamente o discernimento, a consciência deixa de ser território de reflexão para virar palanque de repetição.


É aí que surgem as “cabeças alugadas”: pessoas que terceirizam a própria capacidade crítica em troca do conforto de pertencer a algum rebanho político, religioso, cultural ou digital.


O mais curioso e inquietante é que os manipuladores nem sempre precisam mentir.


Basta alimentar medos, vaidades e ressentimentos pré-existentes.


Uma população emocionalmente exausta se torna vulnerável não apenas à desinformação, mas também à sedução das respostas simples para problemas complexos.


E toda resposta simples demais costuma cobrar um preço muito alto da lucidez.


Ainda assim, talvez exista alguma esperança justamente naqueles que continuam desconfiando do excesso de unanimidade.


Os que ainda conseguem ouvir, ponderar e mudar de ideia sem sentir que traíram a própria identidade.


Porque a verdadeira fé, sobretudo na humanidade, talvez não esteja em quem grita convicções, mas em quem preserva a honestidade — espiritual e intelectual — mesmo quando o ruído coletivo tenta sufocá-la.


No fim, a grande prova pode não ser descobrir quem está certo ou errado, mas quem ainda consegue pensar sem precisar entregar a própria mente para terceiros.

⁠Os negacionistas apaixonados ainda não se atreveram a negar o aluguel das próprias cabeças só porque ainda acreditam que pensam com elas.


Talvez esse seja um dos retratos mais perigosos do nosso tempo: gente que já não raciocina para concluir, mas conclui primeiro para depois procurar argumentos que sustentem a própria paixão.


E quanto mais apaixonada a cegueira, mais ofensiva parece qualquer tentativa de reflexão.


A polarização conseguiu transformar convicções em propriedades privadas.


Opiniões deixaram de ser ideias defendidas para se tornarem identidades superprotegidas.


Discordar passou a soar como agressão pessoal.


Questionar virou sinônimo de traição.


E pensar… pensar passou a ser um risco para quem se acostumou ao conforto das certezas inquestionáveis.


Os donos das narrativas entenderam isso antes de muita gente…


Descobriram que não precisam mais convencer multidões; basta mantê-las emocionalmente ocupadas.


Porque uma cabeça tomada pelo medo, pelo ódio ou pela idolatria dificilmente encontra espaço para a lucidez.


E assim seguimos assistindo pessoas abrirem mão da própria autonomia enquanto juram defendê-la.


Repetem slogans, acreditando formular pensamentos.


Compartilham produto de manipulações, acreditando espalhar consciência.


Atacam qualquer divergência como se proteger uma versão da realidade fosse mais importante do que buscar a verdade.


O mais trágico é que muitos negacionismos modernos não nascem da falta de informação, mas da recusa emocional em aceitar aquilo que ameaça os próprios interesses, paixões ou pertencimentos.


Há quem negue fatos só para não perder um líder, um grupo, uma ideologia ou a sensação de fazer parte de algum lado “certo” da história.


E talvez a maior ironia esteja justamente aí: enquanto acusam os outros de alienação, não percebem que terceirizaram o próprio discernimento.


Trocaram reflexão por torcida, consciência por conveniência e humanidade por pertencimento.


No fim, nenhuma prisão é mais difícil de romper do que aquela em que o prisioneiro acredita estar completamente livre.


Viva a todas as formas de Liberdade, sobretudo a de pensar por conta própria!

⁠O curioso não são soldados do exército pintando meio-fio, mas isso incomodar só os especialistas de uma guerra só:
a Palavrosa.


Porque há algo profundamente revelador no tipo de indignação que escolhemos cultivar.


Não é a fome que escandaliza.


Nem é o abandono.


E nem é a corrupção cotidiana que envelhece o país antes do tempo.


O que incomoda é a estética da simplicidade.


Um homem com enxada parece digno.


Um operário com uniforme parece digno.


Um gari varrendo rua parece digno.


Mas um soldado limpando praça ou pintando meio-fio vira símbolo de humilhação nacional para quem aprendeu a confundir utilidade com discurso.


Talvez porque a guerra palavrosa precise desesperadamente parecer mais importante do que é.


Existe uma elite emocional que vive da liturgia da crítica.


Não produz ponte, não recolhe lixo, não organiza fila, não constrói muro, não protege fronteira, não assenta tijolo — mas comenta tudo como se governasse o universo pela força do vocabulário rebuscado.


E, quando vê alguém executando uma tarefa simples, concreta e visível, reage com ironia, porque o concreto expõe a esterilidade do excesso de abstração.


Há gente que prefere um país perfeitamente teorizado e completamente abandonado a um país imperfeito, mas funcionando.


A tragédia moderna talvez esteja nisso: transformamos toda ação em símbolo, ideologia e todo símbolo em guerra moral.


Já não perguntamos se algo ajuda, organiza, melhora ou serve.


Perguntamos apenas se aquilo alimenta a narrativa que escolhemos.


E assim, pintar um meio-fio deixa de ser manutenção urbana e vira tese acadêmica improvisada.


Enquanto isso, o país real continua existindo longe dos debates performáticos.


Porque o país real pega ônibus cedo…


Troca de turno.


Limpa-chão.


Carrega peso.


Conserta rede elétrica.


Desentope outras.


Entrega comida.


Bate continência.


E, no fim do dia, entende uma verdade silenciosa que os sacerdotes da guerra palavrosa raramente suportam admitir:


Toda civilização depende muito mais de quem faz do que de quem só tenta diminuir quem fez.

⁠Pensadores
só pensam,
não tentam alugar ou sequestrar as cabeças de ninguém.


O ateu, astrofísico britânico Stephen Hawking, disse: “O céu é um conto de fadas para pessoas com medo do escuro.”


O cristão, matemático e filósofo John Lennox rebateu, dizendo: “O ateísmo é um conto de fadas para pessoas com medo da luz.”


Eu só digo: a nossa preguiça de pensar por conta própria é um conto de fadas para os sequestradores mentais.


A história humana está repleta de debates entre crenças, descrenças e convicções de toda natureza.


Em muitos desses embates, o que deveria ser um convite à reflexão acaba se transformando em uma disputa para decidir quem possui o monopólio da verdade.


E é justamente aí que mora um dos maiores perigos: quando a busca pelo conhecimento cede lugar à necessidade de recrutar seguidores.


Pensadores genuínos apresentam ideias, argumentos e questionamentos.


Eles provocam, desafiam e até incomodam.


Mas não exigem rendição intelectual.


Seu objetivo não é ocupar a mente alheia, mas estimular cada pessoa a explorar a própria capacidade de raciocinar.


Afinal, uma ideia forte não precisa de algemas; basta que seja examinada com honestidade.


O problema surge quando abandonamos o esforço de pensar por nós mesmos.


A preguiça intelectual cria um terreno fértil para aqueles que desejam transformar opiniões em dogmas e dúvidas em heresias.


Nesse ambiente, não faltam líderes, influenciadores, ideólogos ou pregadores dispostos a fornecer respostas prontas para perguntas complexas.


E quanto menos reflexão existe, mais fácil se torna o trabalho dos sequestradores mentais.


Não importa se o discurso vem vestido de religião, ciência, política ou filosofia.


O risco aparece sempre que alguém exige adesão incondicional em vez de reflexão crítica.


A liberdade de pensamento não consiste em concordar ou discordar desta ou daquela visão de mundo, mas em preservar a capacidade de examinar argumentos sem terceirizar a própria consciência.


Talvez o maior antídoto contra qualquer forma de sequestro mental seja a coragem de conviver com perguntas difíceis.


Quem pensa por conta própria pode até mudar de opinião diversas vezes ao longo da vida, mas permanece dono da própria cabeça.


E isso vale mais do que qualquer certeza emprestada.


No fim das contas, o escuro e a luz podem até render metáforas bem interessantes.


O verdadeiro perigo, porém, está em fechar os olhos e entregar a lanterna para outra pessoa pautar a nossa caminhada.

Só tropeçamos no infortúnio de achar que não podemos fazer nada pelo outro até descobrirmos que podemos fazer o Melhor: orar!

Vivemos em um tempo que valora excessivamente a ação visível.

Quase sempre somos levados a acreditar que ajudar alguém significa, necessariamente, resolver todos os seus problemas, oferecer recursos, abrir portas ou encontrar respostas imediatas.

Quando não conseguimos fazer nada disso, somos tomados pela sensação de impotência, como se nossa presença e nossa preocupação não tivessem valor algum.

E é justamente nesse ponto que tropeçamos.

Não por falta de boa vontade, mas por acreditar que o auxílio humano é o limite de todas as possibilidades.

A oração nos convida a enxergar além dessa ilusão.

Ela não é uma fuga da realidade, nem um consolo para quem não pode agir.

Ao contrário, é um reconhecimento humilde de que existem situações que ultrapassam nossas forças, nossa compreensão e nosso alcance.

Quando oramos por alguém, colocamos diante de Deus aquilo que nossas mãos não conseguem tocar e aquilo que nossas palavras não conseguem curar.

Há circunstâncias em que uma ajuda material é necessária e até indispensável.

Mas há também batalhas travadas no silêncio da alma, medos e dores escondidas atrás de sorrisos e caminhos obscurecidos por dúvidas que nenhum conselho humano consegue iluminar plenamente.

Nesses momentos, a oração deixa de ser o último recurso e passa a ser o primeiro gesto de amor.

Orar é dizer ao outro, mesmo sem palavras: “Você não está sozinho.”

É transformar preocupação em intercessão, aflição em esperança e carinho em confiança.

É reconhecer que, enquanto nossos limites são evidentes, a ação divina não conhece fronteiras.

Talvez nosso maior engano seja pensar que orar é fazer pouco.

Quem compreende a profundidade da fé sabe que orar é participar de algo maior do que si mesmo.

É semear no invisível, acreditando que Deus trabalha onde nossos olhos não alcançam.

Por isso, quando a vida nos colocar diante de alguém cuja dor não podemos remover, cujo problema não podemos resolver ou cuja jornada não podemos percorrer em seu lugar, lembremo-nos: não estamos de mãos vazias.

A oração é e continua sendo uma das mais nobres expressões de amor, porque entrega ao cuidado de Deus aquilo que o coração humano, sozinho, não consegue sustentar.

Quando pensar que não pode fazer nada por alguém, faça o melhor que pode: ore!

⁠Os Canalhas não mudam de opinião, só recalculam a rota para distrair a animosidade dos asseclas.


Há quem confunda conveniência com arrependimento, silêncio com reflexão e mudança de discurso com transformação moral.


Mas nem toda curva indica uma nova direção; muitas vezes, é apenas um desvio calculado para evitar o desgaste da estrada principal.


Os maus-caracteres raramente abandonam suas convicções por compreenderem o dano que causaram ou podem causar.


O que frequentemente abandonam é a forma como as expõem.


Quando a reprovação cresce, quando os aplausos diminuem ou quando os seguidores começam a demonstrar inquietação, surge uma repentina moderação que, vista de longe, pode parecer maturidade.


Vista de perto, sem as lentes embaçadas pela paixão, revela apenas estratégia.


Não se trata de uma revisão de valores, mas de gerenciamento de danos.


O objetivo não é encontrar a verdade, e sim preservar a influência.


Não é corrigir os próprios erros, mas impedir que eles cobrem um preço alto demais.


O discurso muda porque o ambiente mudou.


A essência permanece intacta.


Talvez por isso seja tão difícil distinguir integridade de oportunismo em tempos de exposição permanente.


Vivemos cercados por narrativas cuidadosamente editadas, onde o cálculo político, social ou pessoal veste as roupas da virtude.


E, para muitos, basta uma nova declaração para apagar uma longa história de más atitudes.


Mas o caráter não se revela nos momentos em que a aprovação está garantida.


Revela-se justamente quando manter uma posição correta custa prestígio, poder ou conveniência.


Quem muda apenas para conservar ou arregimentar mais seguidores não demonstra evolução; demonstra dependência.


E torna-se refém da plateia que diz ou acredita conduzir.


A verdadeira transformação exige algo que o mau-caráter teme profundamente: reconhecer que estava errado sem negociar a própria imagem.


Exige humildade para admitir falhas sem esperar recompensa, sem buscar aplausos e sem transformar a confissão em espetáculo.


Por isso, antes de celebrarmos cada mudança de discurso como sinal de consciência, convém observar o que permanece quando as palavras se acomodam, quando as cortinas se fecham.


Afinal, existem pessoas que mudam de ideia porque aprenderam algo novo.


E existem aquelas que apenas recalculam a rota para continuar chegando ao mesmo destino por caminhos menos espinhosos.


O caráter, no fim, está menos na direção anunciada e mais no lugar para onde se insiste em caminhar.