Eu Gosto do Risco dos que Arriscam
SEDUTOR CANTO
Dia e noite a poetar sob o olhar apaixonado
quer o coração suspire e a emoção redobre
as sensações bafejando, sentimento nobre
vou trotando no versejar, assim, tão amado
Versos melosos que com ardor se encobre
com grossa satisfação, o rimar enamorado
e o arrepio, a ouriçar, o coração povoado
e um gosto, amoroso, em contente dobre
Gentil tom, como é um amor encontrado
alma parceira, inteira, e tão maravilhosa
dando ao soneto o compasso inexplicado
Muito, este sentir que providencia tanto
ritmando no poetizar o perfume de rosa
que, neste encanto, faz-se sedutor canto.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13/11/2024, 12’29” – Araguari, MG
A NOITE DO CERRADO
Já bem sombria, oculta, a noite no cerrado
cerra o dia, o céu numa escureza pulsando
numa poética a noite as estrelas vai fiando
e a lua no horizonte num aparar alumiado
Anoitece o sertão em um tom cadenciado
que, a toada do pôr do sol vai ressonando
ouvindo o curiango a cantar, abençoando
a cada recanto do sem fim tão enturvado
O dia sepultado, no cerrado, a noite gesta
á sombra do cosmo, em uma diurna festa
inteiramente, diversa, e cheia de segredo
É cair da noite, é encantamento, o ir além
calmamente a esperar pelo raiar que vem
ninando os sonhos para um novo enredo.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/11/2024, 21’12” – Araguari, MG
CIRCUNSTÂNCIA
Nas horas de saudade ou daquele vazio
a poesia a poetizar, bem junto da ilusão
às vezes continua, abstrata, a sensação
suspirando e, o sentimento com arrepio
O tempo vai, vai o tempo, anoitece o dia
reflito, penso e, ao fim, a falante solidão
colocando a confiança numa escuridão
e a cursar excessiva nesta dolorosa via
O silêncio toma conta de todo o sentido
recaio num torpor, o olhar mais perdido
e o tormento adentra aflitivo no coração
Sopra a esperança, a emoção traz fulgor
dentro deste vão, há inspiração e amor
uma é arte o outro a mais pura emoção.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/11/2024, 17’36” – Araguari, MG
CÉU, VENTO E CHUVA
Céu, vento e chuva, horizonte submerso
Em nuvens, e o cerrado todo verdejante
Enxurrada, e aquele pingar borbulhante
Na estrada, atiçando sentimento diverso
Alma retirada, um devaneio tão disperso
Chão molhado, cheiro de erva rastejante
Na poça d’água um espelhar coruscante
Sensação, precipitação, ó aquoso verso
Chove no cerrado, no cerrado a chover
Cada fauna no seu canto a se esconder
Canta a seriema num cântico sem fim...
Suplicante. Céu, vento e chuva, lá fora
Cai, em uma cadente poética trovadora
Tornando o sertão num sedoso jardim.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/11/2024, 10’48” – Araguari, MG
TER-TE EM VERSO
Ter-te em verso, em rima afeiçoada
em variado sentimento maravilhoso
cheiro, sussurro, um olhar malicioso
possuir, a ventura, alma enamorada
O amor, este, sem demandas, nada
que traga divisão, e sim um gostoso
beijo, e o fartar em abraço avultoso
deixando a poética toda encantada
Este versejar que busco do coração
na inspiração com suave sensação
com a paixão, a contê-la no acerto
A manter-se tão sentimental, forte
a emoção que traz ao peito aperto
a esperar avidamente pelo aporte.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19/11/2024, 14’18” – Araguari, MG
BOA SORTE
Não infama ao ler esse soneto de ternura
é um cântico, sim, cântico de um amador
nele há mais do que só emoção, há jura:
pulsa um coração com o mais puro ardor
É o versar cheio duma ritmada partitura
em tons sensíveis e, apaixonado louvor
do criador pra criatura, em uma mistura
de olhar, toque, sensação, graça e pudor
Com o qual partilha toda emotiva certeza
e nas rimas o desejo com a dócil presteza
criando está narrativa de um enamorado
Ó paixão! Este verso traz d’alma o aporte
declamando na tua poesia o terno amor
da ventura de quem tê-lo terá boa sorte.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20/11/2024, 14’07” – Araguari, MG
Ele dizia que a gente só precisava olhar pra plateia e achar um rosto amigo. Sabe, foque nos olhos, no sorriso, na emoção dessa pessoa. E use isso, canalize na sua apresentação.
AÍ SE TEM O SONETO ESPECIAL
Ter a poesia amorosa, emotiva e alada
Os versos com sentimentos suntuosos
Aroma, sussurro e suspiros numerosos
Possuir sentido, uma poética afeiçoada
Não ter bobagem, desencontros, nada
De partilha, somente beijos ardorosos
Muito a se fartar, elementos veludosos
Na norma nenhuma vontade moderada
Transgredir o espaço da alma, coração
Entregar-se sem pejo à sua devoção
Mergulhar na paixão, soltar o aperto
Conservar a inspiração sentimental
Sentir-se em plenitude, um concerto
Afetivo. Aí se tem o soneto especial.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
29 janeiro, 2025, 15’33” – Araguari, MG
O desejo é como o botulismo, vem sorrateiro, sem darmos conta perdemos o controle e o cérebro para de pensar.
Não há momento mais infeliz que perceber a monstruosidade de seus atos, mas também não a momento de maior iluminação ou aceitação.
Desconheço uma experiência similar com a leitura de um livro, é uma experiência única de conversar com alguém que geralmente se desconhece, mas de forma profunda e íntima, conhecendo os pensamentos e a forma de ver o mundo. Nem se restringe a distância, tempo ou morte.
Se cada pessoa soubesse quão perigosa é sua mente buscariam se compreender e racionalizar seu pensamento através do questionamento, evitando de fazerem muitas besteiras. Porém, por muitas vezes me pergunto se elas realmente não sabem ou se sabem, mas aceitam esse perigo por medo de confronta-lo em busca de se conhecer, confrontar o que guarda no âmago do seu ser.
Outrora a ideia da criação dessa coleção era para registrar bons pensamentos meus, depois se tornou forma de liberar a energia dos sentimentos e agora ao que percebo se tornou completamente pessoal. Não esperava tamanha escalada de finalidade, porém não posso negar que, no fundo, esperava que um dia alguém chegasse a encontrar esse recluso local que reside meus pensamentos, seja por orgulho ou solidão e agora com essa alteração de finalidade, me questiono se realmente desejo manter esse santuário tão isolado.
Algo que só agora pude notar, como esta minha sanidade? Me confronto sobre esse assunto tendo em vista que eu sei que ninguém lê o que escrevo, mas tenho recentemente feito questão de mencionar os inexistentes leitores, formar um diálogo mais aberto, não sei se é por influência dos livros que leio ou por buscar ter minha voz ouvida, ou por algo mais egoísta e depravado como orgulho? Um dia saberei responder as duas perguntas.
No mundo pós-industrialização, muito se fala na padronização das empresas, nos produtos, meios de produção e afins para aumento de "performance". Entretanto, pouco se fala no movimento para padronizar as pessoas, cada vez mais pessoas são limitadas a um rótulo e o pior, aceitam esses limites impostos pela sociedade com total normalidade, de forma tão simples abandonam sua autenticidade pelo senso de segurança passado por ser rotulado. Assim, cada vez mais pessoas se amarguram por não serem elas mesmas, mas serem o rotulo que lhe foi dado, como os produtos que consomem.
Como uma pessoa orgulhosa me considero no direito de poder falar que um pedido de desculpas, uma admissão de erro, seja o que mais se espera após o erro do outro e a melhor forma de demonstrar arrependimento ao errar sendo uma pessoa orgulhosa.
Família biológica é uma grande provação de amor, pois você se vê em uma espécia de dever de amar e respeitar pessoas que não foram escolhidas por você e que conviveram com você por grande parte da vida. O que torna isto uma provação ainda maior é a ideia de que você precisa aprender a amar o que não compreende, pois em suma amamos pessoas que compreendemos, que vemos nelas uma parte nossa, seja uma meta de personalidade, algo que não tivemos na infância ou qualquer outro, sempre escolhemos o que compreendemos, mas a família não, é grotescamente incompreensível na maioria dos momentos e só podemos aceitar, respeitar e assim amar.
