Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Que é a felicidade senão utopia? Tanta desgraça no mundo e por vezes distraindo numa falsa alegria.

Trago no peito a saudade, as boas lembranças da tenra idade.
Levo comigo as recordações, da infância onde não importavam as razões.

A preciosidade do tempo é tao grande e não damos a devida importância para aproveitar cada pessoa que participa da história de nossas vidas. Tempo não é dinheiro, mas tesouro que se esvaece no decorrer de nossas vidas.

Preciso acordar e ver o sol brilhar, das flores sentir o odor e minha alma se encher do amor.

Quando a dor da alma é imensa e sufoca o ser, muitos recorrem a dor da morte para alívio trazer.
Mas o que será que tem, após a morte também?
Se a momentânea e insistente dor tem fim, será que haverá alívio no tempo sem fim? Há uma eternidade a seguir, onde o tempo deixará de existir? Se das eternas portas haveremos de proceder, vida ou morte pode advir, incertezas para meros mortais, na esperança de dias vindouros de eterna paz.

Os homens se matam por dinheiro, ajuntam para outros gastarem o preço ao qual eles deram pelas suas vidas.

Dizem que a vida é feita de escolhas, mas o acaso se dá inesperadamente.

Que diferença faz, alguns anos a menos ou mais, diante da eternidade? Creio que a partir da concepção surgimos para a eternidade.

A falta de amor está afetando o equilíbrio da natureza, até os animais estão sofrendo tamanha escassez por parte dos humanos.

Não é preciso muita coisa para viver bem neste mundo, basta observarmos os animais, extraem do meio tão somente o necessário à subsistência. Mas os homens não, possuem tamanha ganância capaz de destruir o próprio meio ao qual vive, sem poder alcançar saciedade. E assim vamos seguindo vivendo, cada vez menos humanos.

A constância é o que sustenta todo hábito.
A falta de constância é similar a construir uma casa sobre um aterro mal executado, parece firme, mas sabemos que em algum momento vai desabar.

O tamanho do meu mundo é medido com a fita métrica dos meus conhecimentos.

Nada há mais repugnante do que a soberba de um ser insignificante.

O Socialismo é o passado do Comunismo.

A verdade tarda, mas sempre aparece.

O que nasce do coração não se apaga com o tempo. Transforma, inspira, e permanece

Solidão não é falta de gente, é excesso de lembrança acesa, é um coração morando sozinho em uma casa cheia de mesa.

Quando teus olhos azuis surgem na memória
minha mente cede, entra em colapso suave
como se o mundo pausasse só pra te olhar

Quando te vejo, é filme sem cortes
rodando na minha cabeça
me convencendo, cena após cena
de que não existe
nem existirá
alguém tão perfeito quanto você

E quando durmo…
ah, quando durmo
até os pesadelos se rendem
porque neles tu apareces
herói improvável
salvando meus medos
e ficando, a cada sonho,
ainda mais impressionante

Tu és presença
mesmo quando ausente
és certeza
mesmo no caos
e és silêncio bonito
que bagunça tudo dentro de mim

Há dias em que o silêncio pesa
como se a casa estivesse cheia de ausências

O tempo passa
mas não passa por mim
ele apenas me atravessa
sem pedir licença

Carrego sorrisos que não uso
palavras que nunca disse
e sonhos que ficaram
encostados no canto da alma

Não é tristeza gritante
é esse cansaço manso
de existir sentindo demais
e sendo pouco sentida

Algumas noites
eu não choro
apenas fico
olhando o escuro
esperando que ele me entenda

A depressão não grita.
Ela senta.
E fica.

É um cansaço que não passa dormindo,
uma tristeza sem espetáculo,
uma ausência de vontade
até do que antes doía.

Acordo e já estou atrasada da vida.
Não triste exatamente
vazia de impulso.

Tudo continua existindo fora de mim
com uma normalidade ofensiva.
O mundo funciona
enquanto eu esforço
o simples ato de estar.

A depressão não é querer morrer.
É não saber muito bem
como continuar viva
do jeito que se espera.

Penso menos no futuro.
Não por falta de sonho,
mas porque sonhar
exige uma energia
que agora me falta.

Há momentos de lucidez
que doem mais que a dor.
Percebo tudo.
E mesmo assim
não consigo mover.

Não é drama.
É química, é história, é silêncio.
É o corpo pedindo pausa
e a alma sem voz
para explicar.

E ainda assim,
respiro.
Não por esperança grandiosa,
mas por hábito,
por instinto,
por essa teimosia mínima
de continuar
mesmo sem saber por quê.

Talvez isso seja viver agora:
seguir em estado bruto,
com menos luz,
mas ainda aqui