Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Na impetuosidade da juventude podemos nos permitir aprender por erros e acertos. Mas na maturidade isso é incompreensível, pois que não faz mais sentido não refletir antes das ações para se arrepender em seguida. É quando o Homem Circunstancial precisa ceder lugar ao Homem de Consciência.

Somos responsáveis por aquilo que cativamos, e mais ainda pelo que destruimos quando ajudamos a construir imagens do que não somos. (Inspirado em Saint-Exupéry)

Os vícios de todo tipo - sejam do corpo ou do coração - transformam-nos, de senhores, em escravos da vontade que nos destrói.

Será sempre bem mais complicado lidar com o amoral do que com o imoral, pois que o primeiro nunca se convencerá de que existe um desvio de personalidade a ser corrigido. Nele não existe o mecanismo diferenciador, como a consciência da imoralidade, e praticamente se torna impossível fazer com que se transforme em algo melhor, pois que está inserida a transgressão em sua própria essência de conduta.

Ainda que ache extremamente interessante me surpreender com tão forte identificação com as características do meu signo de nascimento, ao mesmo tempo isso me promove um forte sentimento de frustração, que me leva a dolorosos questionamentos:
Se, ao nascer, tudo o que sou já está determinado por tais características zodiacais, se meu signo me aponta como alguém revestido de ideais nobres - e dotado de uma série de qualidades e defeitos inerentes à combinação astrológica a que pertenço - qual o meu mérito por possuí-los? Qual o valor de meu desejo de crescer? Qual o diferencial de quem simplesmente faz uso das particularidades que já lhe foram atribuidas no momento em que nasceu?
Astrólogos, estudiosos da alma, me ajudem!... porque isso me conduz à total inutilidade de todos os meus esforços para um dia ser melhor do que sou!

Entre o incômodo de uma mentira educada e uma verdade deselegante, o silêncio pode ser a melhor alternativa.

O parâmetro mais seguro para se identificar quem ainda tem recuperação dos que estão perdidos para sempre é que os verdadeiros canalhas nunca se arrependem, não sentem culpa e nem remorso. Vão repetir a vida inteira o mal que espalham porque se identificam com o que fazem na sua essência.

Os que se escondem em falsas imagens para ludibriar a boa-fé das pessoas de bem representam a escória da raça humana. Enquanto bandidos comuns assassinam apenas o corpo, esse tipo de facínora mata a crença do ser humano na humanidade, subtraindo de suas vítimas o sentido da vida. São os assassinos da alma!

Tenho muitos motivos para acreditar que sou uma pessoa intolerável e condenado à solidão, pois que minha sensibilidade me faz perceber o que a grande maioria das pessoas que convivem comigo não gostariam que eu percebesse.

Ter a Liberdade é um direito. Como usar a liberdade é uma escolha de cada um, não esquecendo que toda escolha tem seu preço. Precisamos, portanto, pensar bem antes se estamos dispostos a pagá-lo!

Quando não se sabe separar assuntos verticais dos horizontais, um deles acaba sempre por se transformar num grande problema.

Quando uma situação indesejada persiste mais do que o necessário é sinal de que está faltando uma posição clara ou uma decisão. Se a posição, uma vez colocada de forma inequívoca, não tiver sido suficiente, a decisão precisa ser firme e definitiva, ou o bem maior que se pretende preservar estará comprometido.

O pedido de perdão dissociado de uma proposta real de mudança é pura manipulação. Não passa de recurso de pessoas que se aproveitam da boa fé alheia para transformar seus benfeitores em vítimas de seus interesses mais egoístas. E perdão concedido a erros que se repetem indefinidamente deixa de ser virtude: é idiotice, pois é como idiotas que os vêem seus manipuladores, que acreditam poder alternar erro e perdão para fazer prevalecer sua vontade de ter os outros provendo tudo o que eles não se dão ao trabalho de buscar. É-lhes suficiente apenas usufruir dos resultados que outros produzem, muitas vezes de forma dolorosa e sofrida, exatamente como o fazem as flores parasitas que se alojam no tronco das árvores: enquanto estas, com enorme esforço, aprofundam suas raízes no seio da terra e lutam para dali extrair o alimento diário, as primeiras apenas esperam pela seiva preciosa que lhes sustenta a beleza, e ali permanecem até que a árvore, enfraquecida pelo esforço duplo, desiste da vida e sucumbe sob o jugo da flor manipuladora, que continuará ali enquanto restar a última gota de seiva que possa arrancar do tronco já morto.

Nenhum homem se faz maior do que outro por sua simples vontade. São suas atitudes que o tornam maior ou menor que todos os demais.

A derrota ou a vitória nós a trazemos na alma, não nas ações. Só nos vencem quando nos sentimos vencidos. A derrota, portanto, é uma concessão a nós mesmos, não uma contingência.

O passado só nos vence quando desistimos de tentar de novo.

O que distingüe as pessoas ponderadas das demais é que elas se preocupam sempre em evitar os erros; e as outras, no máximo, em se reabilitar por eles.

Aos 15 anos achamos que nossas descobertas representam a única verdade possível.
Aos 30, acreditamos que as nossas sínteses - científica e historicamente fundamentadas - refletem a realidade inequívoca de todas as teses e antíteses que nos legaram.
Aos 50 começamos a descobrir o quanto nossas "verdades consolidadas" possuem de fragilidade em seus alicerces.
Aos 80 descobrimos o quanto estivemos enganados sobre tantas "verdades irrefutáveis", mas agora já é muito tarde para transformar tal constatação em algo útil em nossas vidas.

Quando o resultado que obtemos está aquém do potencial que reconhecemos em nós mesmos, a inteligência pode vir a se constituir em infortúnio, pois nos permite ter o alcance da dimensão exata da nossa incompetência para administrar nossa própria vida.

O melhor presente que podemos dar às pessoas, e ao ambiente que dividimos com elas, é tornar os sinais de nossa passagem invisíveis a olho nu, mas transformá-los em marcas indeléveis em seus corações.