Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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O tempo ajudou-me a conhecer-me, desconhecer amigos e reconhecer inimigos ocultos.

Sogra...

O que é uma sogra...

Existem aquelas mulheres que amam seus filhos, amam mais do que a si mesmas...
Essas mães transformarão as noras em filhas... Pq amor gera amor...

Existem, porém, aquelas mulheres infelizes, que nunca se sentiram amadas pelos maridos, que têm a autoestima baixa... Essas transformarão as noras em rivais, principalmente se os filhos forem bons maridos... Essas terão inveja da forma que a outra mulher teve a sorte de ser feliz, e é aí que age a "INVEJA"... Elas não têm ciúmes dos filhos, mas inveja da felicidade daquela mulher nova, que a faz sentir ainda mais inútil...

"Amor gera amor, o que gera ódio é a INVEJA."

A vida é um eterno perde e ganha, um vai e vem. É bem mais fácil encontrar nos outros aquilo que falta em você, porque no fundo ninguém nunca pensa que a real é que todos são iguais, pois o triunfo é de quem sabe ser doar à vida e ao seu ser. É complicado alcançar seu objetivo, sem às vezes ter que deixar para trás algo que você ame ou admire, pois você tem que se arriscar e ter coragem o suficiente para dizer que chegou lá, e conseguiu o que desejava. Seria bom poder esquecer os fracassos passageiros da vida e continuar sem ter que lembrar cada fase que já se viveu, amores que perdeu, amizades que se foram e momentos que o passado guardou. O problema é que ninguém é tão forte o bastante para ultrapassar algumas barreiras que em nosso destino são colocadas, mas tentamos superá-las, porque sabemos que um tropeço pode ensinar muito mais que uma vitória. Nem sempre ser forte significa acreditar em si, mas sim ter a capacidade de ver além do que se quer e não desistir nunca. Com o passar do tempo podemos inovar papéis que há em nossa rotina, mas não se esquecendo de que o coração é sempre o único que tem razão. As palavras se enchem de poder quando ditas em voz ou tom severo, podemos mudar quantas vezes quisermos nossa opinião, mas a dos outros, é deles e de mais ninguém. E não importa se você é doce ou amargo, simpático ou arrogante, falso ou verdadeiro, você sempre será você e isso somente você irá decidir, porque sua vida é somente sua e infelizmente, nela não há tempo para se perder em vão e para se fazer um rascunho, por isso Deus escreve reto em linhas tortas (..) e seja feliz o máximo que puder, porque não há ninguém além de você que irá te fazer tão feliz quanto merece, pois o amor próprio é sempre primordial!

⁠Não me dê rosas, me dê hortênsias!
Elas não tem espinhos e já são um buquê.

O Deus Brincalhão

Ninguém pede para nascer.
A vida nos é dada por um ato de amor.
Os românticos o afirmam.
Será ? Indagam outros.
Castigo cruel, replicam outros mais.
Mas o que é a vida ?.
Aos simplistas, uma corrida cujo final
já sabemos desde que essa
aventura fantástica se inicia,
ao chorarmos nos braços de nossa mãe, extasiada.
Morrer é fácil; viver é difícil, já o disse o Filóso.
Seguir vivendo, esse o nosso destino.
E vivemos, vivemos, vivemos.
Há momentos em que pensamos possível seguir
continuamente adiante. Afinal, não pedimos
a vida. Agora que nos afeiçoamos a ela , retirá-la
sem o nosso consentimento seria injusto, cogitamos .
No fundo, sabemos que garantias não há. Melhor não nos iludir.
Aceitar, é o que nos resta. Mesmo que, por algum capricho,
muito longe já estivermos.
Pois o tempo, que é a medida de todas as coisas,
não se esquecerá de você, meu amigo, e, como um Deus brincalhão, chegará sorrateiro para lembrá-lo que outros aguardam para ocupar o seu lugar e também enfrentar esse inominável desafio que é viver, sem ter pedido.
Mas, o que é a vida ?

O Haver

Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.

Vinicius de Moraes
Jardim Noturno - Poemas Inéditos

Não vou falar dessa tristeza, não vou desacatar a esperança de um momento maior de luz. Só estou desassossegada e me sinto só em meio às mudanças bruscas que a vida impôs. Tudo foi se afunilando, mas eu já havia pressentido e nada fiz. Não posso reclamar do que me assusta, só posso agradecer porque o dia é feito de 24h e de hoje em hoje tanta coisa pode acontecer. Não vou enaltecer essa coisa doendo na garganta, é apenas um instante estranho, uma tristeza de domingo chuvoso. Nem posso reclamar do que vou perder, eu que ganhei tanta coisa quando nem precisava. talvez seja tão melhor o que vem pela frente. Talvez eu esteja recusando aceitar uma alegria imensa. Por isso, não vou falar dessa tristeza que só por hoje me arranhou o sorriso, embargou minha voz, abaixou minha cabeça, inchou meus olhos de água salgada. A tristeza não é nada para quem tem a favor de si, tanto amor, algum afago, um esboço de poesia… Essa é só uma fase rasurada, uma dor que não acabou de doer. E mais nada.

As mães são necessidades biológicas; os pais, uma invenção da sociedade.

E o platônico cede seu lugar à realidade. E tudo permanece bem, até que se prove o contrário.

A velhice nos trás direitos maravilhosos. Enquanto a juventude é cheia de obrigações. A velhice é o tempo em que vivemos a doce inutilidade. Porque mais cedo ou mais tarde iremos experimentar esse território desconcertante da inutilidade. Esse é o movimento natural da vida.
Perder a juventude é você perder a sua utilidade, é uma conseqüência natural da idade que chega. A velhice é o tempo em que passa-se a utilidade e aí ficasse somente o significado da pessoa. É o momento que a gente se purifica.
É o momento que a gente vai tendo a oportunidade de saber quem nos ama de verdade. Porque só nos ama pra ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado.
É por isso que sempre rezo para envelhecer ao lado de quem me ama. Para poder ter a tranqüilidade de não ser útil, mas ao mesmo tempo não perder o valor. Se você quiser saber se alguém te ama de verdade, é só identificar se ele seria capaz de tolerar a sua inutilidade. Quer saber se você ama alguém?
Pergunte a si mesmo, quem nesta vida que pode ficar inútil pra você sem que você sinta o desejo de jogá-lo fora. E é assim que nós descobrimos o significado do amor... Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim!
Feliz daquele que tem ao fim da vida, a graça de ser olhado nos olhos, e ouvir a fala que diz: - Você não serve pra nada, mas eu não sei viver sem você!”

Nosso mundo é um dos muitos mundos que surgem de alguma coisa e se dissolvem no infinito.

Todo intelectual de esquerda é vigarista. Não há exceções.

Conclusão de uma vida de estudos: se uma idéia não está pré-anunciada em Platão, em Aristóteles ou na Bíblia, provavelmente é besteira.

O teste da amizade não é o tempo que ela dura, mas a lealdade na hora do perigo.

Um dia o sujeito tem de escolher entre a inteligência e a vaidade. O problema é que para escolher a inteligência é preciso ser inteligente.

A vontade nacional é uma dessas expressões de que os intrigantes de todos os tempos e os déspotas de todas as épocas mais amplamente abusaram. Uns viram sua expressão nos sufrágios comprados de alguns agentes do poder; outros nos votos de uma minoria interessada ou temerosa; há mesmo quem a descobriu inteiramente formulada no silêncio dos povos e pensou assim que, do fato da obediência, nascesse para eles o direito de comando.

Ainda Não é o Fim

Escondo o medo e avanço. Devagar.
Ainda não é o fim. É bom andar,
mesmo de pernas bambas. Entre os álamos,
no vento anoitecido, ouço de novo
(com os mesmos ouvidos que escutaram
“Mata aqui mesmo?”) um riso de menina.
Estou quase canção, não vou morrer
agora, de mim mesmo, mal livrado
de recente e total morte de fogo.
A vida me reclama: a moça nua
me chama da janela, e nunca mais
e lembrarei sequer dos olhos dela.
Posso seguir andando como um homem
entre rosas e pombos e cabelos
que em prazo certo me devolverão
ao sonho que me queima o coração.
Muito perdi, mas amo o que sobrou.
Alguma dor, pungindo cristalina,
alguma estrela, um rosto de campina.
Com o que sobrou, avanço, devagar.
Se avançar é saber, lâmina ardendo
na flor do cerebelo, porque foi
que a alegria, a alegria começando
a se abrir, de repente teve fim.
Mas que avançar no chão ferido seja
também saber o que fazer de mim.

A Felicidade não é uma fase boa, mas um estado de espírito que independe da realidade circunstancial, é uma prioridade por escolha!

A causa para amar a Deus é o próprio Deus; a medida, amá-lo sem medida.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo.