Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Se me perguntassem sobre a morte,
eu sussurraria teu nome.
Diria que ela tem o tom dos teus olhos,
a maciez dos teus cabelos ao vento,
e o doce encanto do teu sorriso —
aquele que cala o mundo e acende o meu.
Sabe por quê?
Porque eu morro um pouco a cada dia:
quando penso em ti com a alma inteira,
quando a saudade me beija o peito,
quando teu silêncio pesa mais que mil palavras,
e até quando teus olhos me encontram
em um breve acaso do destino.
Morro por sonhar contigo
e por acordar sem teu abraço.
Por querer teu cheiro nas manhãs,
tua voz nas madrugadas,
tua presença onde só há ausência.
Meu coração tropeça nas batidas
só por te amar assim —
tão fundo, tão forte, tão meu.
E ainda que me doa,
a única morte que conheço
é não ter-te aqui no meu mundo.
O contato com meu eu interno desperta angústias difíceis de suportar. Por isso, busco refúgio no barulho é no ruído do mundo que tento silenciar os julgamentos que vêm de dentro, alimentados por uma autocrítica feroz que insiste em expor minhas fragilidades. Mas já não posso mais calar quem eu sou. É tempo de escutar minha própria verdade, mesmo que ela doa. O momento de me encarar, enfim, chegou.
Entre caminhos tortuosos e desafiadores, eu me escolhi, e posso dizer que não foi uma das decisões mais fáceis.
Alguém como eu.
Eu conheço a rejeição, a negligência, o abandono, conheço também as expectativas frustradas, as promessas vazias, a palavra que não se sustenta, que se esvai, as mãos que me soltam, que por escolha me desencontram, me desentrelaçam A sensação de não ser bom o suficiente, a decepção e o cansaço.
Eu conheço a fuga e aquele que foge, as costas que se viram, se despedem e as pernas que caminham em direção à saida, como quem passeia por uma casa onde nunca pretendeu ser nada além de uma mera visita. Conheço aquele que veio apenas por curiosidade, sem qualquer intenção de ficar.
O que eu nunca conheci foi alguém como eu. Alguém que prefere se expor pela minima chance de viver algo grandioso do que habitar a superficie das coisas, do que apenas arranhar a casca, trincar o vidro. Que se entrega, se doa, se derrama porque não sabe e nunca soube contar gotas.
Alguém que tenha a bravura de saltar nos abismos dos resultados incertos, dos caminhos desconhecidos.
Alguém que, apesar das dores e desilusões, seja incapaz de se fechar, de desamar e desacreditar que um dia toda essa coragem, fé e autenticidade serão recompensadas.
Dizem que, antes de sermos 2, precisamos ser 1. Eu discordo em parte. Acredito que é importante sermos 1, para caminharmos lado a lado de forma tão verdadeira e complementar que juntos valhamos 11, e não apenas 2.
Eu desisti da vida.
Que queriam que eu vivesse, hoje vivo a vida que eu quero.
Com equilíbrio e verdade, porém, 100% minha escolha.
"É TARDE"
Que foi que eu fiz? Meu Deus! É tarde, agora!
Remediar não tem mesmo mais jeito
pois o que fiz outrora já está feito
e toda a consequência não demora!
Amar demais, eu sei, foi meu defeito
e, se hoje, inconsequente, o peito chora
é só porque, o amor, mandei embora
depois de ver que, o tal, não fora aceito.
Fiz, eu, do meu viver, essa amargura
que, ninguém mais, de mim, por perto, atura!
Amor não deve ser, nunca, largado…
Quer seja aceito ou não, ele é bendito!
Meu Deus! Que foi que eu fiz? O peito aflito
de tudo se arrepende, emocionado!
" DUVIDAS "
Eu sei que tu duvidas! Mas, no entanto
o que é verdade está posto na mesa
e, se ainda existe dor, mágoa e tristeza
é hora de secar, de vez, o pranto!
Existe, neste história, amor, beleza,
momentos pra se recordar (e quanto)
e se houve, algum momento, o desencanto
não lhe roubou o ardor, tenho certeza!
Pra sempre é para sempre! Nunca acaba…
Se um dia uma paixão se vai, desaba,
eu sei que ainda lhe resta a própria história…
No entanto, tu duvidas! Veja! Aceite…
O que te foi, um dia, por deleite
pra sempre há de ficar em tua memória!
@poetaesoneto - @s.juniorpaulo
https://poesiaemsonetos.blogspot.com
https://aquisonetos.blogspot.com
Eu prefiro o silêncio daqui...
Estou cansado da Terra, dessas pessoas... estou cansado de me envolver nos conflitos de suas vidas.
Por que eu gosto tanto da natureza?
É onde sinto meu laço mais estreito com o Criador, onde consigo silenciar toda a agitação da minha mente e do meu coração. Para qualquer lado que eu olhe, há uma criação divina — sem interferência humana. É um lugar onde a paz que sinto transborda todo o meu ser e renova minhas forças para começar e recomeçar quantas vezes forem necessárias.
É na natureza que sinto Deus me conduzindo de volta à minha essência — sem máscaras, sem cascas.
Enfim, a natureza é a minha igreja: é onde posso me sentar e conversar com meu Pai, sem nenhuma interferência.
É ali que sou tocada e lembrada, com doçura, do Seu amor por mim.
Lar
Me perdoe, Pai.
Mas eu já não me sinto em casa.
Meu tempo acabou.
Mandaste-me cantar e não me desviar,
mas quando canto — ou melhor,
quando tento cantar —
sinto uma pressão, um peso,
algo que sussurra:
'Você não merece sentir a glória d’Ele.'
Quando ouço teus filhos cantarem,
me emociono profundamente,
pois eu gostaria de estar ali também.
Mas o peso do que faço, penso e falo
não me permite cumprir o que me ordenaste.
É como uma foice rasgando minha garganta,
enquanto algo tenta me sufocar.
E eu sei...
eu sei que não sou eu —
mas sim,
a culpa daquilo que fiz.
Estou dividido em partes tão controversas
que já nem sei dizer quem sou.
Sei que Tu podes me ajudar.
Mas eu não consigo negar a mim mesmo,
muito menos carregar a minha cruz.
Perdoa-me, Pai...
mas eu não consigo ser o filho que Tu mereces.
Não busco seguidores.
O que eu tenho pra falar,
Será que alguém quer ouvir?
Ou seria melhor eu me calar?
Só sei que, na multidão,
Há senhoras e senhores.
"SONETO DA REPARAÇÃO"
Tentei, eu, reparar o acontecido
e consertar os erros do passado
mas acho que eu estava equivocado
e o que passou, passou! Fui, pois, vencido!
O tempo encarregou-se em ver lavado
os meus percalços, falhas, o ocorrido,
e viu-me o tanto que já padecido
no espaço do remorso consumado.
Reparação se fez sem minha ajuda
quando a poesia pura, aqui desnuda,
juntou-se a ele pra falar de amor…
O acontecido, reparar bem quis
pra ser, um pouco mais aqui, feliz
mas, para tal, o tempo é que é senhor!
"ALCANÇA"
Eis que eu estava bem, no paraíso,
em meio a encantos tais, da criação,
e tendo, o essencial, ali, à mão,
sem chuvas, sem tormentas nem granizo…
Mas eu olhava a vida à volta e, então,
não via o sonho que, hoje, exteriorizo…
Faltava-me o olhar, a voz, o riso,
que iria me encantar o coração!
Eu tinha tudo, mas não tinha nada…
Ninguém pra partilhar a minha entrada
com mesmo passo, fé, mesma esperança…
Eis que chegaste, então, na minha história
e tudo pôs-se em nova trajetória
porquanto o amor real hoje me alcança!
A culpa é sua
(versão lírica de O gato)
A culpa é da lua
por eu te encontrar.
A culpa é sua —
que sabe o que é amar.
Mas não entende,
vem se preocupar...
Nem sei o que é isso:
beijar no meio do mar.
A culpa foi minha
quando te olhei.
Mas não existe culpa
só porque chorei.
Ninguém tem culpa
por querer amar —
às vezes, só vem
num simples olhar.
Quando tento parar
de me culpar por você,
lágrimas descem,
e eu sem saber por quê.
E me fazem notar,
sem mesmo querer —
que quanto mais o tempo passa,
mais amo você.
"TERAPIA"
Eu sou de uma guerreira geração
que tinha de enfrentar, com garra, a vida
se ousasse ter a meta pretendida
que desse amor e paz ao coração!
Os traumas, qualquer marca recebida
por erros dados de uma educação,
tratávamos com fé, com comunhão
de amigos numa prosa concedida.
Porem tem-se, hoje, à mão, a terapia,
recursos dados na psiquiatria,
que ajudam a vencer tão triste estado…
Mas veja com quem abres teu segredo
que é bem comum, na escrita desse enredo,
ficar, da terapia, apaixonado!...
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