Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Repetição.
Se do passado, no futuro, eu começar a falar,
E se no futuro eu falar do passado,
Não me julgue, nem me faça calar,
Estou apenas revendo meu caminho traçado.
Pode ser que me ouça dizer,
"Na minha época, não era assim."
Mas a verdade, se você bem ver,
É que sempre foi, do começo ao fim.
Os hábitos mudaram, a tecnologia cresceu,
Mas no fundo, o que mudou foi a fantasia,
De uma história que sempre se repetiu,
E que de tempos em tempos, renasceu.
Há poucos anos, ouvi dizer:
"No meu tempo, todo mundo lia."
Hoje ouço alguém dizer,
"No meu tempo, só se assistia."
A vida é assim, de mudança em mudança,
E o ciclo se renova a cada geração.
Mas, no final, a mesma fala alcança
Quem conta sua história com dedicação.
E, quem sabe, um dia você será,
O senhorzinho que não para de falar.
Então, pense bem antes de criticar,
Pois o tempo transforma o que nos faz lembrar.
Título: Tipos e seus tipos.
Tipo eu seja veneno,
Tipo eu também cure sendo.
Tipo eu seja água,
Ainda de que tipo não entendo.
Tipo a curiosidade em forma de peça,
Tipo um oceano em verão de pesca,
Tipo o semáforo cheio lá fora,
Talvez um carro à minha espera.
Tipo palavras sem nexo,
Tipo agora que escrevo nesse verso,
Tipo eu, engraçado,
Por fim, a mentira que impera em mim.
Um abraço do tipo talvez,
que se vai entre meus braços.
Homem tolo.
Eu, que estive a divagar,
Pelos rumos da vida a trilhar,
Procurei uma costa para parar,
De todas as mulheres e portos, nenhum consegui ficar.
Ó vida, de ti até hoje só amei o conhecimento,
Em noites de sábado, me atormento.
Homem tolo e imaturo que sou,
Mas que em ti, uma ilusão criou.
De maduro e sábio, talvez foi isso que encontrou,
Uma ilusão em sua mente o colocou.
Pelas jornadas e tempestades, eu naveguei,
Em busca de portos seguros, eu sonhei.
Mas aqui estou, ainda a boiar,
Com mais perguntas do que respostas a encontrar.
Neste mar vasto da existência, a procurar,
Um lugar para finalmente ancorar.
O Começo.
Quase impossível de explicar,
Mas era como se eu já soubesse,
Dava nomes ao que antes devesse,
E o desconhecido, enfim, se esclarece.
O medo não veio, só curiosidade,
Cada detalhe, um novo enigma,
Na mente, ideias em agonia,
Cada resposta, outra incógnita.
O relógio a marcar seu compasso,
E eu, inquieto, a desvendar,
Engrenagem por engrenagem no traço,
A lógica oculta a se revelar.
O tempo, um mistério de precisão,
Um ciclo sem fim, sem hesitação.
Mas ao final, no que pensava entender,
Descobri que há sempre mais por ver.
Eu me sinto livre. Percebo que toda hesitação consome minha liberdade, mas a cada segundo me sinto mais livre. Isso é imaturidade ou niilismo? A liberdade me fortalece ou me esvazia?
Como eu pude ser tão ingênuo? Eu era contra segundas chances, costumava dizer que não queria ler o mesmo livro duas vezes pois já sabia o desfecho. Agora eu tento sobreviver à ânsia de merecer uma segunda chance para poder reescrever aquele antigo livro.
Eu escolheria mil vezes fazer o certo e ninguém permanecer ao meu lado do que, fazer o errado e todos permanecerem ao meu lado.
“A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim”.
Isaías 6.8
Padrinhos
Ainda na minha cidade natal,
As visitas aos dindos eram ritual.
De cavalo eu ia, mas ele, ligeiro,
Pegava embalo, virava no pampeiro,
E eu, pobrezinho, só via o terreiro!
Na piscina, afogava e ria,
Meio nadava, meio bebia.
E certa noite, na sala a deitar,
Uma aranha gigante parou pra me olhar.
Corri pro berço, fiz-me bebê,
Na falta de cama, o que mais ia ser?
De manhã, a cena ilustre:
Eu espremido, perna pra fora,
Torto, embolado, num baita sufoco!
Os dindos riam: “Isso é maria mole ou menino?”
Chegou,
não pude desviar o olhar,
um brilho que revelou tudo,
algo que eu nunca soube esperar.
Esse brilho,
que fascina e transforma,
disse o que não se pode expressar,
iluminando tudo o que parecia escuro.
Uma dor cravada no peito,
Vinda de quem mais esperei.
Mas, como a flor que eu cultivei,
Foi nela que aprendi a força do amor.
Ela se foi, mas o que ficou
Foi a lição do amor que renova,
Renovando a vida a cada passo.
Decepções;
Hoje em dia eu aprendir que as decepções fazem parte da vida. Por isso eu não discuto, não cobro, e nem guardo mágoa.
Apenas me afasto e sigo minha vida.
A vida;
Ultimamente a vida tem me ensinado que, as vezes, eu preciso me calar.
Mesmo sabendo que eu tenho muito o que falar.
Um Milésimo
"Eu sou. Eu tenho.
De onde eu venho?
Eu, eu, eu... Com a perspectiva
de uma câmera focada no umbigo."
"Assim eu sou:
um príncipe com a alma miserável,
um gênio todo errado,
um papa esquecido no pecado,
um poeta iletrado,
um homem amargurado."
Hoje eu acordei e eu vi
O sol azul, céu amarelo
Vou apagar a porta e fechar a luz
Entrar pra fora, sair pra dentro
Subir pra baixo, descer pra cima
Vinho no copo, pinga na taça
Vou comer a carne, mastigar cerveja
Luva no pé, meia na mão
Vou comer a casca ea fruta não.
Eu te amo, mas não é porque é linda e maravilhosa, como eu diria "maravilinda".
Te amo pelos seus defeitos;
Te amo pelas suas inseguranças;
Te amo pelos seus ciúmes;
Te amo pelas suas risadas;
Mas te amo, porque no primeiro instante que te vi, ali parada com aquele sorriso, me fez perceber que era, que é você. E me aproximar e sentir seu cheiro, seu abraço, e ouvir o som da sua voz, só me fizeram ter mais certeza disso.
Agora não me vejo mais sem a senhorita, e nem posso, porque só de imaginar, o coração acelera, e me falta o ar. Por isso eu te amo, porque tudo aquilo que eu procurava encontrei em você amor, mas como em um quebra cabeça, cheguei a perder essa peça, mas com a ajuda do destino, pude encontra-la novamente, e essa peça nunca mais irei perder!
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