Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Bem mais difícil que perdoar é esquecer. Você pode perdoar uma traição contra você uma amargura e até um assassinato, mas é impossível que consiga extirpar o fato de sua lembrança.

Preciso de alguém que me faça abrir os olhos para a realidade sem desfazer a imprecisão dos meus sonhos quando quero enxergar a vida, o mundo, o amor de olhos bem fechados.

Medo, coragem.
Medo e coragem.
Me dou coragem.

O amor é um jogo ganho pra quem sabe perder.ç

Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?

O amor é um jogo ganho pra quem sabe perder.

sem meia
palavra
semeia
o amor
por inteiro.

O remorso de não ter tentado talvez seja a dor mais dócil, aquela que te castiga a distância: sem te tocar. Mas dói o tanto quanto. Ou talvez um pouco mais. E fere o tanto quanto. Ou talvez um pouco menos. E não cicatriza. Ou talvez sejamos nós que não sentimos sua costura.

coração vazio: todo cuidado é oco.

Caminhar ao seu lado já é meio caminho amado.

“Tudo é raso
quando a gente não vai,
afundo.”

Rasguei a minha timidez para costurar eu te amo.

Achei que os seus olhos fossem grandes, mas a grandeza estava no amor que eu enxergava neles. As coisas são na ilusão.

“O melhor lugar do mundo nunca foi um lugar.”

" Respira fundo: Pela frente tem muito mundo... "

Não posso me ferir por alguém que não me cicatriza.

Palavras cortam mais do que facas. Elas não perfuram a pele, rasgam a alma.

Uma lembrança bonita não é saudade. Saudade causa incômodo físico. É quando o corpo diz mudo: - volta pra casa? E a alma, desnuda, responde: - quem sabe um dia...

“As vezes tarde demais,
é a hora certa.”

amor:
mesmo em atraso
ainda está dentro
do prazo.

Ela trouxe palavras bonitas e alguns cigarros. Trouxe também aquele sorriso de canto e contou algumas histórias engraçadas. Rimos tanto, tanto, tanto, entretanto ela pediu para que eu esboçasse um gesto de entendimento: eu não conseguia entender uma palavra sequer. Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, "eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus". Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência.

fiz uma cicatriz com todos os pontos que você perdeu comigo.

Rasguei a minha timidez para costurar eu te amo.