Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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A Constelação Humana


Não importa se eu sou gorda ou magra, rica ou pobre, feia ou bonita. Não importa se carrego diplomas intelectuais ou se guardo apenas a sabedoria da vida; se sou expansiva e comunicativa, ou se prefiro o recolhimento da timidez. Diante das leis do universo, o que realmente importa é a nossa capacidade de dar as mãos e ajudar o outro a brilhar. O céu nos ensina essa lição diariamente através do Cruzeiro do Sul: ele não é feito de uma estrela solitária, mas sim de um grupo delas, onde cada uma empresta a sua força para a outra. É por causa dessa união que as noites ganham aquela presença linda e iluminada no horizonte. Quando paramos de competir e passamos a cooperar, entendemos que o nosso papel na terra é o de formar uma grande constelação de amor, onde o brilho do meu irmão só torna o meu próprio caminho mais iluminada.

“A pior coisa que eu experimentei nos últimos anos, é não ter um porto seguro; não ter para onde voltar.”

"Dorian nunca soube que, quando ele sorria para todos, eu precisava fingir que aquele sorriso não significava mais para mim. Talvez algumas pessoas morem dentro da gente sem nunca descobrirem que tiveram uma casa ali.”




— Anna, sobre Dorian




Fragmentos, The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

Sabe o que me atrai? Não é o que a gente vê de primeira. Eu reparo mesmo é na intensidade do olhar, no que não precisa ser dito. Um sorriso sincero já me ganha sem muito esforço. O que me prende de verdade é a conexão e a verdade

"Eu nunca quis, não quero e nunca serei seu amigo"


Eu transito.


Entre países,
fronteiras,
bairros,
cidades,
entre uma fumaça e outra,
entre amores que chegam
e amores que viram saudade.


Sou homem de passagem,
de mala, de rua, de miragem,
de beijo que acende a noite
e de adeus que muda a paisagem.


Acendo um cigarro
no Hard Rock Café de Santa Cruz de la Sierra
e, por alguns minutos,
me sinto como um deus.


Não porque conquistei alguém,
mas porque ninguém me pertence
e eu não pertenço a ninguém.


Em Letícia, na Colômbia,
danço cumbia amazônica
entre mulheres, fumaça e madrugada,
e descubro, mais uma vez,
que há coisas que acabam
sem jamais terem sido fracassadas.


Pedalo por São Paulo
e sou imbatível.


A cidade passa por mim,
os carros passam por mim,
as pessoas passam por mim,
e eu continuo.


Acendo um cigarro diante da Fundação Mario Benedetti
e a poesia me satisfaz.


Porque aprendi alguma coisa
sobre o amor,
sobre a vida
e sobre essa estranha mania humana
de chamar de definitivo
aquilo que nasceu transitório.


Eu sou rei na arte de transitar.


Sei chegar.
Sei partir.
Sei encontrar pessoas.
Sei reconhecer seus rostos anos depois
e fingir que o tempo não fez seu trabalho.


Grande parte das mulheres que conheci
dividiu comigo uma cama.


Hoje,
muitas são estranhas.


E tudo bem.


Não transformo o passado em mentira
só porque ele passou.


Houve amor.


Houve desejo.


Houve pele,
risada,
cigarro,
madrugada,
promessa que parecia eterna
até a manhã seguinte provar o contrário.


E depois?


Depois, seguimos.


Distintos.


Como duas gotas de água.


É assim que a vida me ensinou.


Eu não preciso possuir o que amei
para admitir que amei.


Não preciso voltar
para reconhecer que estive lá.


Não preciso transformar uma mulher que foi amor
em amiga
só para fingir que alguma coisa permaneceu.


E é aqui que você entra.


Porque eu nunca quis ser seu amigo.


Não naquela noite.


Não depois daquele beijo.


Não quando deitei ao seu lado.


Não quando imaginei você ao meu lado
para além de uma noite,
de um bar,
de uma cidade,
de uma estação.


Eu queria você.


Não sua amizade.


E eu não vou cometer agora
a covardia elegante
de chamar de amizade
aquilo que um dia chamei de amor.


Eu já tenho amigos.


Tenho muitos.


Tenho amigos suficientes
para encher uma mesa de bar.


Não me faz falta
mais uma cadeira.


Estou acostumado à solidão.


A solidão nunca me assustou.


Já atravessei fronteiras sozinho.
Já atravessei cidades sozinho.
Já atravessei países sozinho.
Já atravessei amores sozinho.


E sobrevivi.


Então não me ofereça
o prêmio de consolação.


Eu não quero.


O amor é arrogante.


Tão arrogante
que prefere perder
a fingir que ganhou.


Ele não aceita sobras.


Não aceita redução.


Não aceita que aquilo que desejou inteiro
seja apresentado depois
em pequenas porções
com o nome bonito de amizade.


Eu não quero a sua amizade
como quem recebe uma medalha
por ter perdido a guerra.


Prefiro a derrota limpa.


Prefiro a ausência verdadeira.


Prefiro que você passe por mim
num bar
acompanhada ou desacompanhada,
com alguém segurando sua mão
ou segurando apenas o próprio copo.


Já não me importa.


Você pode me cumprimentar.


Pode não cumprimentar.


Pode sorrir.


Pode seguir reto.


Pode estar com outro homem,
com outro amor,
com outra vida.


Nada disso me abala.


Porque o que me importa agora
não é ter você.


É não mentir sobre você.


Eu quis sua boca.


Quis sua presença.


Quis você ao meu lado.


E não vou fingir
que queria apenas uma amizade
porque foi isso que restou.


Não.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Sempre sem engano.


Porque a maior vitória
não é possuir aquilo que se deseja.


A maior vitória
é não se possuir pela mentira.


É poder perder alguém
sem perder a própria verdade.


Então vá.


Atravesse a rua.


Atravesse a cidade.


Atravesse a fronteira.


Faça da sua vida
o que quiser.


Eu farei da minha
o que sempre fiz:


transitarei.


Com meu cigarro.


Minha bicicleta.


Minha poesia.


Meus bares.


Minhas cidades.


Minhas mulheres.


Minha solidão.


E essa estranha capacidade
de amar profundamente
sem precisar transformar
todo amor perdido
em amizade.


Porque algumas pessoas
não foram feitas para permanecer.


Foram feitas para passar.


E algumas histórias
não precisam de amizade
depois do fim.


Precisam apenas
de honestidade.


Por isso,
se algum dia você me encontrar
naquela mesa de bar,


não procure uma cadeira vazia para mim.


Eu já aprendi a sentar sozinho.


E se quiser me chamar de amigo,


não.


Eu nunca quis.


Não quero.


E nunca serei.


Porque entre te perder
e me enganar,


eu escolho perder.


Entre a sua amizade
e a minha verdade,


eu escolho a verdade.


Entre ter você pela metade
e não ter você de jeito nenhum,


eu escolho o vazio.


Porque o vazio passa.


A mentira fica.


E eu,
que sou tão acostumado a partir,


não tenho medo de partir de você.


Tenho medo apenas
de permanecer
onde nunca quis estar.


Te ganhar ou te perder.


Mas sem engano.


Essa é a vitória.

Eu Já Não Posso Mais Ficar


Querido,
não estou partindo por desamor,
nem porque deixei de te amar.
Parto porque preciso salvar
a ausência de quem um dia fui,
a mulher que existia em mim
antes que o silêncio começasse
a ocupar o lugar das palavras.


Você mudou, querido.
E, nos teus olhos,
já não encontro o mesmo amor
que um dia me fazia ficar.


Talvez ainda exista carinho,
talvez ainda exista lembrança,
talvez nosso amor tenha apenas
se transformado em memória.


Mas ficar onde o amor permanece vivo,
enquanto as raízes se tornaram sufocantes,
é viver um luto
que nunca encontra o enterro.


Eu não quero destruir
o que fomos.
Ao contrário,
partindo, quero guardar
o que houve de mais bonito entre nós.


Nosso castelo de memórias
não precisa desmoronar
só porque eu preciso partir.
Ele permanecerá de pé
dentro de mim,
com as nossas risadas,
os nossos abraços,
os sonhos que um dia construímos
e tudo aquilo que, apesar do fim,
foi verdadeiro.


Desculpa, querido,
mas eu já não posso ficar
em um lugar onde não estou mais florescendo.


Não quero continuar
apenas por medo da partida.
Não quero me perder
tentando permanecer.


Às vezes, amar também é saber ir embora.


E talvez esta seja
a parte mais dolorosa do amor:
olhar para alguém que ainda amamos
e compreender que,
para continuarmos existindo,
precisamos seguir caminhos diferentes.


Eu parto levando comigo
a certeza de que você fez parte
da minha história.


E, onde quer que eu esteja,
nosso castelo de memórias
continuará guardado.


Porque algumas histórias terminam,
mas nunca deixam de ter existido.


Eu só preciso partir.


Porque eu já não posso mais ficar.

Acesso Negado


Meu coração tem portas que ninguém pode abrir,
Tem segredos guardados que eu nunca quis dividir,
Mas quando você chega, elas começam a ceder,
Como se a única senha fosse simplesmente você.


Já tentei esconder tudo aquilo que senti,
Fingi que não era nada quando olhei para ti,
Mas meu olhar me entrega antes mesmo de falar,
Porque perto de você, não consigo disfarçar.


Se o mundo perguntar, eu vou deixar registrado,
Que em qualquer outro coração, meu acesso é negado,
Mas no seu eu encontrei um lugar para ficar,
E se você permitir, nunca mais quero sair de lá.


Então deixe essa porta aberta, sem medo de amar,
Que eu entro devagarinho, sem querer machucar,
Porque entre tantos caminhos que a vida me deu,
Meu destino encontrou o seu, e o seu encontrou o meu.

Oz


O homem de lata
Não tinha um coração
Então eu dei o meu
Para ele sentir o amor e a paixão

⁠" Essa pequena viagem…
Nunca foi sobre eu e vc…
Sempre foi sobre mim…
Eu me vi tanto em vc…
Que acabei me perdendo...
Então precisei retornar…
E quando me reencontrei…
Eu te perdi".

Viver é diferente de existir, se eu vivo logo existo, mas posso existir apenas e não saber viver, e deixar a vida passar sem dar sentido de existir.

Jose luis Gonçalves de Sousa
Psicólogo

Se o destino me fizesse escolher mil vezes, em todas elas eu buscaria pela mesma voz, pelo mesmo olhar e pela mesma sensação inebriante de me perder para me encontrar em você. Você é a minha melhor certeza, o meu pensamento mais bonito e a dona absoluta de todos os meus dias.
_Enzo Ruchell_

Eu não sei exatamente em qual curva o meu mundo passou a gravitar em torno do teu, mas sei que cada quilômetro percorrido até aqui valeu a pena só por me trazer ao teu encontro. Estar contigo é como finalmente desligar o motor depois de uma viagem exaustiva e perceber que, mais do que chegar a um destino, eu encontrei o meu lugar no mundo. _Enzo Ruchell_

há eu fui bom pensamento
No dia frio que a carência bateu mais forte do abstinência

Que era um corpo com temperatura 39 grau
Pra dizer que me aquecer era melhor do que parece contido
Pra não parecer faminto

Eu sou um cacto, conheço-me bem, meus espinhos são meu adorno...

Eu senti-te.

No calor do teu corpo,
nas mãos que demoravam nas minhas,
na forma como os teus olhos,
cor de mel ao sol,
pareciam sempre procurar os meus.

Durante uns dias,
achei que também me tinhas sentido.

Depois veio a distância
e, com ela, a dúvida:

se aquele mel era para mim
ou se eu apenas o provei
quando já pertencia a outra pessoa.

Que a arte me consuma
até o limite do indizível,
até eu descobrir
o que ainda não sei de mim.
Lilian Morais

Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.

Lilian Morais

Minha mãe

Hoje o tempo sentou ao lado dela
e eu senti o mundo encolher
na palma da minha mão;
há um silêncio crescendo entre nós
como quem aprende a ir ficando
longemesmo permanecendo.
Lilian Morais

Eu me perdoo pelo passado frio, pelo passado que quase me queimou por dentro. Eu me perdoo se eu ainda carrego ressentimento, mágoa, dor. Eu me perdoo, porque muitas vezes fui ódio. Plantei a semente errada no solo do amor.


Nildinha Freitas

“Se alguém, num futuro próximo ou distante, quando eu já pertencer ao passado, deparar-se com um texto reflexivo que ousei produzir, lembre-se de que também o seu tempo passará. Cuide bem da parte da história que chegou às suas mãos. Ela nunca lhe pertenceu inteiramente. Você a recebeu de alguém e, um dia, haverá de entregá-la a outros.”