Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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Enquanto eu sonhava!



Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.


Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.


Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.


E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.


Sonhei com o paraíso.


E havia alguém.


Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.


Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.


Tenho medo de despertar.


Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.


Então,
por favor,
não me despertem.


Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.


E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.


Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.

Duas almas.



Chamam de acaso, eu prefiro chamar de destino,
duas almas cansadas cruzando o mesmo caminho.
Feridas pelo tempo, marcadas pela solidão,
descobriram descanso no abraço da conexão.


Não precisam viver lado a lado a todo instante,
pois o laço verdadeiro permanece constante.
A distância não desfaz o que o coração construiu;
quem nasceu para ser porto jamais se diluiu.


Eram intensas demais para viver pela metade,
escolheram a coragem no lugar da vaidade.
Romperam as correntes, recusaram a prisão,
e fizeram da liberdade a sua própria direção.


Sobre os muros caminharam, sem medo de tropeçar,
porque quem encontra a alma certa aprende também a voar.
Não é o tempo que aproxima, nem a presença, afinal;
é o silêncio que responde aquilo que é essencial.


Se existe um nome para isso, talvez ninguém possa dizer.
Alguns chamam de encontro...
eu chamo de duas almas que nasceram para se reconhecer.

O Pecado de Escolher a Paz


Eu nunca compreendi como um grande amor,
que ontem era abrigo, hoje vira rancor;
como quem adormece envolto em carinho
desperta odiando quem andou no seu caminho.


Por que a ternura se torna vingança?
Por que destruir aquilo que um dia foi esperança?
Ciclos se encerram, caminhos se desfazem,
amores se transformam, pessoas se afastam.


Mas por que transformar um adeus em prisão?
Por que fazer da partida uma condenação?
Só porque alguém não coube na expectativa,
merece carregar uma culpa tão viva?


Eu também já esperei de quem não correspondeu,
já amei quem não foi aquilo que prometeu.
Nem por isso fiz do ressentimento uma arma,
nem transformei despedida em guerra ou desgraça.


Então por que fazem comigo aquilo que não fiz?
Por que me chamam de monstro, se eu só quis ser feliz?
Ninguém viu minhas noites, ninguém viu minha dor,
ninguém sabe quantas vezes calei por amor.


Eu não quis destruir, eu só quis respirar;
não quis ferir, só precisava me encontrar.
E se partir de onde eu já não podia florescer
me fez parecer cruel, então que seja —
eu escolhi viver.


Não quero tua queda, não quero vingança,
não quero transformar mágoa em lembrança.
O que um dia foi amor não precisa ser guerra,
nem todo adeus precisa incendiar a terra.


Talvez um dia você consiga entender:
eu não fui embora porque deixei de querer.
Fui embora porque, para continuar ao teu lado,
eu precisava deixar de ser quem eu sou — e isso seria errado.


E se me chamarem de vilã, deixarei o tempo falar:
há verdades que só o silêncio consegue revelar.


Porque, no fim, aprendi a duras penas:


nem todo amor nasceu para permanecer,
nem todo adeus precisa fazer alguém sofrer.
E escolher a própria paz, depois de tanto padecer,
não é crueldade — é finalmente escolher viver.

Naquela Noite Estrelada.


Em uma noite estrelada,
sem ninguém para nos observar,
somente eu e ela,
e um sentimento difícil de explicar.


Era descoberta, era encanto,
era medo de se deixar sentir,
algo que parecia errado,
mas impossível de impedir.


Dois corações tão confusos,
sem saber onde chegar,
ligados por um fio invisível
que insistia em nos aproximar.


Chamam de conexão,
coisa de alma, talvez destino,
um encontro improvável
escrito em algum caminho.


Vieram doces madrugadas,
longas horas sem perceber,
pois quando estamos juntas,
até o tempo parece esquecer.


Parece parar por um instante,
só para nos contemplar,
como se quisesse entender
por que duas almas decidiram se encontrar.


Éramos distantes,
cada uma em seu próprio lugar,
mas talvez, desde sempre,
vivêssemos no mesmo olhar.


Dois mundos, duas histórias,
dois corações em contramão,
que descobriram, sem saber,
a mesma direção.


E naquela noite estrelada,
quando o silêncio veio nos envolver,
o universo pareceu sussurrar:
há encontros que nascem
muito antes de acontecer.

Cartografia do Teu Universo


Há qualquer coisa no teu olhar
que eu ainda não sei nomear,
como se o céu, distraído,
tivesse escolhido em ti morar.


Teus olhos guardam constelações
que não aparecem em nenhum mapa,
e eu, sem perceber,
me perco onde a tua luz escapa.


Há um silêncio na tua voz
que diz mais do que qualquer palavra,
um jeito de sorrir de canto
que desarma aquilo que eu guardava.


E o teu cheiro...
não sei se é perfume ou lembrança,
mas fica no ar depois que partes,
como uma promessa que não cansa.


Talvez seja isso que me encanta:
não saber exatamente o que acontece,
só sentir que, quando você chega,
alguma coisa em mim floresce.


Teu toque não precisa permanecer
para deixar seu caminho em mim;
há gestos que duram segundos
e, ainda assim, parecem não ter fim.


Se o universo tem seus mistérios,
talvez você seja um deles.
Porque quanto mais tento te entender,
mais bonito fica não saber.


E se algum dia me perguntarem
onde encontrei o meu lugar,
não direi teu nome.


Apenas apontarei para o céu
e deixarei o silêncio explicar.

"Ela nasceu para iluminar o céu; eu, para guardar no escuro tudo aquilo que a luz dela despertou em mim.”




- Mannu Viana Rios ☀️🌑

Ela é Sol! Eu sou Lua!


Ela é o Sol,
eu sou a Lua,
duas almas diferentes
sob a mesma imensidão.


Ela chega trazendo luz,
eu chego trazendo mistério;
ela ilumina o que toca,
eu guardo o que sinto em silêncio.


Ela é calor,
eu sou maré;
ela desperta sentimentos
que eu nem sabia que havia em mim.


Talvez seja por isso
que eu escreva tanto sobre ela:
porque há pessoas que simplesmente passam,
e há aquelas que deixam o céu diferente
depois que chegam.


Ela não precisa saber
quantas constelações acendeu em mim.
Talvez nem perceba
que, quando penso nela,
até minhas noites encontram claridade.


E eu, Lua,
continuo orbitando meus próprios pensamentos,
tentando transformar em versos
aquilo que não consigo dizer.


Porque o Sol não sabe
o quanto a Lua o observa.


E a Lua talvez nunca conte
o quanto é bonito receber sua luz.


Mas existe algo que o céu sabe
e nós talvez ainda não:


há encontros que não precisam acontecer no mesmo instante
para pertencerem ao mesmo universo.


Ela é o Sol.
Eu sou a Lua.


E, entre a luz dela
e as minhas fases,
existe um céu inteiro
guardando aquilo que somente nós
poderíamos entender.

Eu não esqueço, porque esquecer seria fugir da minha própria história; então, eu fico.

Fico ao lado da dor, do sofrimento, das derrotas e dos adeus. Fico até conseguir olhar para tudo o que vivi e aprender a me tratar com mais cuidado.

Numa aula de psicologia foi pedido para se fazer um curriculum de um stress. Então eu fiz este e usei uma frase de Marta Silva entre "".


CV do stress da diarreia


Nome: corridinha
Data nascimento : após uma refeição
Localização: interior
Estado civil: solteira (ela está sempre a correr)


Perfil profissional :
"Uma profissional focada em resultados rápidos de impacto imediato e que nunca deixa ninguém esperando.tem uma capacidade enorme em trabalhar em situações de aperto, principalmente em frente a uma audiência, não é envergonhada mas sim audaz capas de fazer qualquer um ficar com calafrios, a prevenção não é o seu forte mas sim a espontaneidade "capaz de provocar o caos mental ,fisico e psicológico de qualquer um", não se preocupa com horários de trabalho, capaz de trabalhar incessantemente até a morte, é como uma força que vem de dentro com uma enorme vontade delibertação"


Experiência profissional:
- Nos últimos tempos, liderou o desconforto de centenas de passageiros nos transportes públicos.
- Desenvolveu a técnica exclusiva de "Suor Frio Instantâneo"
Em desporto desenvolveu técnica de ir de 0 a 100km/h em milissegundos.


Objectivo profissional:
Garantir que nada fique parado. Busca oportunidades para desafiar o controle emocional alheio.


IDIOMAS
Silêncio Constrangedor: Fluente.
Gritos de Socorro: Nativo.
Pânico: Avançado.


Luís ramos e Marta Silva

HÁ FERIDAS QUE CONTINUAM SANGRANDO MUITO DEPOIS DE QUEM AS RECEBEU




“Talvez eu seja o primeiro a morrer por uma escolha que não fiz. O que me assusta é pensar em quantos ainda sofrerão por escolhas que também não serão deles.”




- O Primeiro Pai Personagem


Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

CORAGEM NÃO É CHEGAR SEM MEDO




“Eu nunca quis ser lembrado como alguém que não teve medo. Só quero que, quando tudo terminar, possam dizer que o medo não decidiu por mim.”




— Dorian, personagem




Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

NEM TODA PAZ MERECE SER PRESERVADA




“Se para manter a paz eu precisar assistir alguém indefeso ser destruído, então aquilo nunca foi paz. Há momentos em que não agir também é uma escolha — e eu prefiro carregar o peso da justiça do que a vergonha de ter virado o rosto.”




— Artur
Fragmentos de The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P Sodré








@Jonassaul.ofc

Eu sou o nada. Eu sou o tudo.
Eu sou as estrelas, universo e o mundo.
Eu sou a luz. Eu sou o escuro.
Eu sou o passado e sou ainda o futuro.
Nada é senão eu. E tudo é por mim.
Eu sou Deus. Sou mais que Deus, afinal sou empatia e não esperança.
Aquela esperança falsa e vil que nos faz crianças.
Crianças que esperam um abraço dum pai distante.
Um abraço que virá quando a luz cega e a escuridão nos dá medo.
Um pai que quando fechar os meus pequenos olhos, dar-me-á razão ao enredo,
enredo esse falho, sofrido, sem sentido e profundamente desumano.
Deus é, portanto, tudo o que não sou e tudo o que sou.
Ele é mau, vil, bom e bondoso. Profundamente distante e incrivelmente humano.
Não creio em Deus. Ele existe, porém ele não é mais nada. Nada.
Não acredito nele nem nos seus fins. Não preciso dum inferno, se já o vivi.
Não quero um paraíso, pois estais aí, Pai, e a sua presença deixa-me triste.

Se eu fosse pintora, usaria o meu corpo para moldar o seu, celebrando toda a sua beleza.

O acaso não existe, e, de toda existência viva,
eu quero não entender o acaso. Se, de tudo o que vivo, eu tentar compreender, eu deixo de viver para compreender o inquestionável.

Imensurável

Desejei, eu sei, por longa data,
Encontrar em minha marcha infante
O alvor da vida de maneira errante,
Qual embarcação no cais abandonada.

Migram as aves vindas do norte
Sobre minha cabeça, vazia de ilusões,
Enquanto soldados disparam canhões,
A inocência caminha pelo vale da morte.

Perdidos os homens nesse tempo vil,
Pelas ruas, criaturas metálicas, robóticas,
Perigosas e armadas engenhocas,
Irão cavar, em breve, o meu covil.

Enquanto a carne frágil se refugia,
Os mesmos velhos loucos enrijecem,
Covardemente, em seus palácios riem,
E nenhum Deus qualquer se pronuncia.

Cruzaremos, então, a linha intransponível.
Já não haverá, então, nenhuma poesia.
Rir-se-á de nós, em breve, a criatura fria.
Encontraremos o limite, o imensurável.

Vladimir Wingler

Eu
que fiz
de ti
um mundo pequeno:
Agora não
posso mais trafegar.

Tu
sendo a poesia,
eu prossigo
sendo a rima.

Se eu
soubesse mais:
Por força
da natureza,
ainda seguiria confuso.

Querendo
eu aprendo
até onde
posso chegar.⁠