Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Não ostento força, ostento permanência. Com tudo o que já me convidou ao fim, o fato de eu ainda estar aqui é meu maior feito.
Carrego um luto sem rito de passagem, uma perda invisível que me transformou em alguém que eu ainda estou tentando conhecer.
Habito o hiato entre quem eu fui e quem eu nunca serei. É um espaço desconfortável, mas é o único lugar onde sou real.
Nas madrugadas, as máscaras descansam. Sou apenas eu, meu cansaço e a verdade crua que o dia não suportaria ver.
Cansado de ser o pilar silencioso, mas consciente de que, se eu falar, o estrondo do meu desabafo assustaria a todos.
Sinto saudades de uma versão minha que talvez nem tenha existido, apenas a ideia de quem eu poderia ser antes de tudo.
Sou um caos que encontrou na poesia sua única forma de ordem. Sem os versos, eu seria apenas estilhaços.
Há dias em que o cansaço não é muscular, é um peso que vem de séculos passados, como se eu carregasse o luto de todas as versões de mim que morreram antes de florescer. A gente não envelhece apenas pelos anos, mas pelas despedidas que fazemos em silêncio diante do café frio.
O medo é o primeiro passo para a liberdade, parece inverso, eu sei, mas acredite, é o portal escuro que, ao ser atravessado, abre o horizonte do impossível.
Meu passado é um espelho cujo reflexo me fere, ainda que eu o quebre, as lembranças de um tempo sombrio permanecerão intactas.
No terrível espinho do pecado eu pisei, mas a verdade que nunca quis ver Deus me revelou. Onde fui temporal, agora sou oceano, onde fui fonte seca, hoje transbordo.
Eu escrevo na esperança de que um dia alguém leia e compreenda esses cacos de mim, sem esse entendimento, as noites de insônia, as crises da minha depressão correm o risco de não ter deixado rastros que valham a pena.
Não posso ensinar nada, porque ainda vivo em construção, minhas certezas são andaimes e meu eu, uma casa inacabada.
Eu escrevo para não transbordar, o papel se torna meu confidente, onde meus pensamentos escorrem em rabiscos que carregam todas as minhas cicatrizes invisíveis, que além de mim, ninguém consegue as ver.
Quando a dúvida sussurrava, eu respondi com trabalho. A persistência foi meu verbo preferido. Agora colho o silêncio das certezas.
Um dia eu já chorei por perder tudo, hoje choro por gratidão, as lágrimas mudaram de endereço, meu rosto aprendeu outro brilho.
Não busco abrigo, eu o crio, a casa nasceu das minhas mãos, e hoje habito onde antes só soprava o vento.
A disciplina foi o músculo que treinei, quando nem eu acreditava, a prática falou, agora o corpo do ofício é robusto.
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