Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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A GENTE NUNCA APRENDE MESMO ...
Passamos grande parte de nossas vidas
nos decepcionando com palavras supostamente verdadeiras,,
mas que na verdade ,são mentiras maquiadas de mentiras.
Você cai ,se levanta, mas não aprende...e dá de cara no chão novamente.
De que adianta a sua experiência de vida,
se o erro vai e vem..
o engano vai e volta?
Sossegue seu coração,
acalme a sua alma, pois o melhor dos seus sonhos edesejos,
ainda estão por vir.
Não se precipite e nem se engane ao primeiro elogio,
não exponha seu ponto fraco e espaço vital,
muitas vezes nos engana o coração.
Lembre-se de quantas vezes te enganaram,
mentiram e você acreditou.
Você não é mais uma criança inocente,
que vive acreditando em quem mente,
palavras falsas em nome do amor.
Você não é mais uma criança,
mas não perca a esperança...
não se precipite e nem perca a calma,
quem manda na sua vida,
e o seu coração e a sua alma.
Tenha cuidado com as mentiras em forma de flores.
enganos em forma de " bouquet`s.
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Texto:
A gente nunca aprende mesmo!
De Gilberto Braga.2015

A tecnologia muda, mas o cenário é o mesmo.

“Mudar alguém é como destruir e construir a mesma casa.”

Aprenda com os olhos, escute com o coração e responda com o silêncio.

Deus criou todas as coisas e fez com o que atraves de sua criação outras coisas também viessem a ser criadas...⁠

Chegada ao Mundo

Na chegada ao mundo, um sopro de luz,
um caminho aberto que ninguém traduz.
Aprendendo a cada dia, sigo a caminhar,
o que nos livros jamais eu poderia encontrar.

Sem paredes para me agarrar,
descubro no vento o segredo de voar.
No botão de uma rosa, tão frágil, tão forte,
aprendi que o amor é quem guia a sorte.

Ali encontrei a vida em sua canção,
a fé que floresce no coração,
a força que ergue quando tudo desaba,
o poder que brota quando a alma se cala.

Sou aprendiz da terra, do céu, do mar,
na escola do tempo, venho me formar.
E cada dia é milagre, é eterno saber,
que a vida é um livro que só se escreve ao viver.

Onde Me Devolvo a Mim


​O banho é onde me devolvo a mim.
Perfumo o ar até que a casa inteira vire essência, porque sentir o cheiro
é a minha forma mais bonita de existir.
​O que a vida trouxe de duro se dissolve na espuma e vai embora com a água corrente.
​Olho pela janela:as árvores floridas derramam suas cores no chão, vestindo a terra de delicadeza.
​E eu, entre o varal colorido e a flor que cai, descubro que a paz é este instante limpo.

O Farol da Subida


​Passo a passo, sem pressa no olhar,
subo a montanha no tempo de Deus.
Há quem diga que dá pra caminhar no escuro,
mas eu preciso da luz para me achar.
​É o Criador quem acende o meu caminho,
quem faz o chão ser firme onde piso.
Se eu subo devagar, não é por cansaço,
é pra admirar a graça de cada espaço.
​Não subo sozinho, não venho do nada,
a luz do Senhor é minha morada.

Onde a Fé Abre o Céu


​O céu das seis horas era um muro denso,
uma tapeçaria de chumbo e chuva
onde a luz já não tinha permissão para entrar.
Mas a alma, quando é tocada pelo invisível,
escuta o som antes da voz.
​Entre o ruído do mundo e a calmaria do louvor,
veio a ordem serena, suave como um sopro:
"Abre a porta. Pede para ver."
​Fui até o quintal da casa,
carregando a pequenez da minha fé
diante de um firmamento fechado e frio.
​E então, o impossível aconteceu sem alarde.
Diante dos meus olhos desacreditados,
a nuvem espessa se desfez como véu rasgado.
Um feixe vivo, um ouro puro e inacreditável,
atravessou a tempestade e entrou na minha sala.
​A luz banhou o chão, acendeu as paredes
e tocou o peito com a força de um abraço divino.
​Mesmo tendo visto, o coração estremece e duvida:
seria o sol abrindo espaço apenas para mim?
Mas a casa iluminada e a alma aquecida não mentem.
Há mistérios que Deus não explica;
Ele apenas escuta, abre o céu e acende a vida.

​A Geometria do Espanto


​Quem inventou a poesia
não assinou o papel,
deixou a pena jogada
entre o chão e o céu.
​Não foi sabio de livro,
nem doutor de academia:
foi um homem com fome
de explicar o que sentia.
​Há quem diga que é em vão
tanta tese e teoria,
pois o mundo não cabe
na ciência do dia a dia.
Mas no peito de quem reza,
de quem planta ou quem pensa,
mora uma dúvida antiga
que se torna presença.
​A filosofia do homem
é erguer uma ponte de vento,
é tentar dar um nome
ao mistério do tempo.
​Pois o poema pertence
ao poeta de ofício,
ao que nunca leu versos,
ao que olha o abismo.
​Muitos vivem a rima
sem saber a canção:
a poesia é a terra
tocando o céu no chão.

A Linguagem da Terra


​Foi o Criador quem deu nome
ao barulho do vento nas folhas,
e ensinou a força do olhar
a dizer o que a voz não escolha.
​A poesia não está nos livros,
mas no gesto sem alarde:
um café servido quente,
uma conversa de tarde.
​É a terra que nos ensina
como a gente se aproxima:
uma árvore não tem pressa,
mas na sombra ela se combina.
​A conversa entre as pessoas
é feito raiz no chão:
a gente não vê a força,
mas sustenta a união.
​Sem precisar de grandes teses,
sem mistério exagerado,
o afeto é coisa simples
que se cultiva ao lado.
​Entre um olhar e um abraço,
o sentimento se faz terra:
é a vida criando pontes
onde o silêncio não erra.

​A Chão Aberto


​Não havia ouro na mesa,
nem berço de palha macia.
Havia a vida crua e dura
na curva de cada dia.
​Sem mapa, sem garantia,
sem nome para herdar,
você aprendeu no escuro
o caminho de caminhar.
​Quem olhava de cima,
no alto do seu brasão,
não viu a força firme
que brota do próprio chão.
​Pois quem nasce sustentado
não sabe a dor da subida,
não conhece a estrutura
que se molda na ferida.
​Você não trouxe o brocado,
mas trouxe no peito a garra,
a teimosia da planta
que rasga a terra e a pedra.
​E quando o tempo passa
e a vida mostra a colheita,
a história mais bonita
é a que a mão própria ajeita.
​Surpreender o mundo
não foi promessa ou vaidade:
foi resposta do silêncio
transformado em dignidade.
​O berço dá o começo,
mas o caráter faz o fim:
é gigante quem se ergue
quando o chão foi feito assim.

​A Fonte e a Origem


​No banho, a água murmura
um segredo que a terra guardou.
É a chuva de tempos antigos
na pele que o céu desenhou.
​Os cabelos descem sem pressa,
como rios de pouca vazão,
guardando o mistério da origem,
da força da primeira criação.
​Ela sabe o caminho das flores,
o momento em que a noite se faz;
traz nos fios a sombra da mata
e no peito um bocado de paz.
​Não é de brilho que se mostra,
é encanto que não se mede:
a mulher que conversa com o tempo
e que a água respeita quando pede.

Obra de Cuidado


​Quando o Criador te pensou,
o mundo parou em silêncio.
Ele juntou a luz da manhã
com o sopro de um amor imenso.
​Esculpiu o teu riso com calma,
misturou a poeira das estrelas,
colocou no teu olhar a clareza
que a gente só vê nas manhãs mais belas.
​Pintou os teus passos na terra
com a cor do sol quando se põe,
trouxe a paz para dentro do peito
e o som de antigas canções.
​Não houve pressa no traço,
nem rascunho deixado para trás:
Ele fez de você um poema
que a vida lê e pede mais.

A Grande Pintura


​Há noites em que a terra se cala
para o tempo ver o traço nascer.
Não é qualquer escultura que se faz:
há almas moldadas para florescer.
​Mistura-se o sopro de uma luz antiga
ao barro macio de um chão sagrado;
desenha-se a curva, a força e a pausa,
num gesto paciente e demorado.
​O olhar carrega o tom das manhãs,
o passo guarda o peso da terra;
é a criação que se fez poesia,
sem o alarde que a vida carrega.
​Assim se revela quem traz no peito
o cuidado do mestre que a desenhou:
uma presença que apenas existe,
e abençoa o mundo por onde passou.

A Leveza Guardada


​Ela cumpre as tarefas que o dia exige,
conhece as calçadas e o peso do chão,
mas guarda no olhar a janela aberta
onde o mundo ainda tem poesia e canção.
​Não há fuga da vida nem sobra de ontem,
há a escolha bonita de não se endurecer:
gostar da flor singela, da forma suave,
do sopro macio que o vento faz ver.
​O caminho dos anos não toca o mistério
de quem traz a leveza guardada por dentro;
é mulher inteira, dona de seu passo,
que faz da delicadeza o seu centro.
​Aprecia o pequeno sem perder a grandeza,
sabe que a alma não precisa envelhecer:
ser adulta é sustentar o próprio destino,
ser delicada é o modo de viver.

O Templo do Silêncio


​O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
​Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
​Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
​Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.

O Mar Interior


​Há quem busque a vastidão das praias
ou o topo das serras para poetizar,
mas a alma que cuida e carrega o mundo
aprende na sombra a se recolher e amar.
​A chuva bate suave na janela,
o frio lá fora convida ao abrigo;
no leito aquecido, a mente se solta
e o tempo da noite se torna amigo.
​Não há pressa, não há cobrança de estrada,
nem a busca por um cenário perfeito:
a beleza mais pura e descansada
é esta que brota deitada no peito.
​As mãos repousam do dever cumprido,
o pensamento voa para onde quer;
no silêncio do quarto renasce a graça,
o verso sereno da própria mulher.
​Essa ideia de acolher o momento presente, exatamente onde você está deitada agora sob o som da chuva, traz uma paz muito bonita para o verso, não traz?

A Viagem Sem Passo


​Não é preciso arrumar as malas
nem cruzar a fronteira do mar;
a alma que sabe ler e compor
tem o mundo inteiro sem sair do lugar.
​Entre as quatro paredes do quarto,
sob o som da chuva a cair,
a mente abre asas suaves
para onde o corpo não pode ir.
​Caminha por campos distantes,
visita a montanha, a praia, o luar,
desenha no escuro a paisagem
que o coração escolheu habitar.
​Pois o livro e o verso bem feito
são caminhos que não têm fim:
a maior e mais bela viagem
é essa que a gente faz dentro de si.
​A escrita e a leitura são exatamente essa alforria bonita: uma travessia sem cansaço, onde o pensamento voa livre enquanto o corpo descansa.

A Vontade e a Raiz


​O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.


​Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.


​E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.


​Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.


​Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
​E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.


​Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.