Eu Deixo a Vida como Deixo o Tedio
Eu esperava que aparecesse alguém para me consertar; Mas que bobagem a minha, eu nunca estive quebrada!
Eu não quero desistir, o futuro me atrai, penso nos sorrisos que darei, no frio da Europa e dos belos casacos, quase como um filme clichê que vi mais de mil vezes na adolescência.
Gosto de mim, na maior parte das vezes, gosto das minhas musicas e de como me emociono facilmente, embora as vezes odeie também, porque foi um pouco embaraçoso chorar na escola na quinta série vendo o filme 'a vida é bela';
Gosto dos meus olhos que são grandes, mesmo enxergando extremamente mau e das minhas mãos que apesar de pequenas, vez ou outra seguram o mundo de alguém e escrevem o que eu tenho dificuldade de dizer.
Mas as vezes eu sofro sem entender e a solidão me convence que ela sou eu, que o que gosto em mim não é bem o que os outros veem, que insistir em mim não é algo inteligente ou prudente.
Tem certos momentos que no meio de uma festa ou rodeada de amigos, bem no meio de uma piada engraçada, saio de órbita, perco o brilho no olhar e não sei aonde estou, sinto vontade de fugir imediatamente dali, ir pra onde eu me sinta confortável, mas não sei aonde fica este lugar.
As vezes acho que este lugar pode ser uma pessoa, um amor talvez, mas se perde-lo vou me perder, e logo eu que sou péssima em geografia, que mal consigo me localizar no bairro que moro a 6 anos, o fato é que este lugar não pode ser algo que me escape. E é claro que qualquer psicologo, sábio, coach, velho bêbado... diria o que bem sei, que este lugar sou eu mesma.
Mas estou cansada, de saber, de me decepcionar, de me arrepender, de correr e de não sair do lugar... Mas este não é um privilegio exclusivamente meu, não estamos todos assim?
Desculpe se chegou até aqui esperando um final brilhante ou conclusivo, mas não, este texto é um espasmo, um movimento involuntário da minha confusão.
Enquanto isso, Vou devagar, vou esperando ate entender o equilibro entre a liberdade e o pertencer, talvez daqui a alguns anos eu responda este pensamento meu com um olhar de quem entendeu, ou de quem percebeu que nada disso importa, que eu era apenas uma jovem com seus vinte e poucos anos.
Eu tenho sumido das redes, das ruas, dos bares.
Tenho buscado a mim mesma no lugar mais difícil de se visitar, o âmago, que por vezes é amargo, mas que assim como o café sem açúcar estou aprendendo a gostar.
Nada contra todos estes lugares, onde as pessoas tanto sorriem, se arrumam para estar em seu melhor, cabelos bem penteados, maquiagens construídas em camadas, perfumes que se misturam no ar; é até admirável a dedicação para ser ornamental.
Tenho apenas neste momento, apreciado mais a cara limpa, as sardas, os linhas de expressão, os cabelos menos alinhados, e os amigos que falam o que pensam sem rodear, que levantam uns aos outros nem que seja a base de chutes, que abraçam pra sufocar, que não medem o riso, o risco, a circunferência do corpo, ou histórico bancário, aqueles que estão dispostos a dividir do melhor ao pior, a ouvir no silêncio e a gritar juntos se precisar.
No final das contas, na multidão, nos pequenos grupos, na solidão e até nas mídias, estamos sempre buscando uma conexão real: conosco, com o nosso mundo, com o mundo do outro e essa colisão de existirmos todos na mesma época, mas ainda assim em nosso próprio espaço e tempo.
Eu sempre escrevo um texto de amor para quem não sabe amar.
Eu sempre quebro a cara e afogo as mágoas num bar.
Eu sempre volto a escrever pra lamentar a ressaca do amor, do álcool e dos socos que a vida me dá.
Eu posso dormir com qualquer uma,
Mas não quero acordar com qualquer uma
Só com você
Já passei por tantas tempestades, onde todas eu molhei o cabelo. Inclusive todas passaram e o cabelo secou... a vida nos ensina a recomeçar.
O que é obediência?
Obediência é você quebrar a resistência do seu egoísmo e dizer pra Deus: eu faço como tu queres.
Me disseram que eu sou um farol,
que guia os barcos, mas se mantém sempre em movimento.
Que um farol não fica parado.
Ele gira.
E que quando a luz não está refletindo na direção do barco,
ele precisa seguir em frente, sem medo e sem mudar o rumo.
Porque, na ausência de luz
quando o barco está no escuro
ele precisa lembrar que o farol continua lá.
Mesmo que não consiga enxergar a luz.
Eu sou guia.
Mas também sou movimento.
Também sou individualidade.
E quando minha luz não está apontada para um barco,
não é abandono.
É apenas o meu movimento natural.
Eu continuo sendo luz.
Só não posso parar de ser eu.
Eu não sou complicada.
Eu sou profunda.
E quem vive de superfície sempre acha profundidade exagero.
Eu tento consertar todas as coisas
Eu tento consertar meu coração partido
Mas eu não sei a quem chamar
E eu não sei por onde começar...
Jamais poderei fazer uma guerra
Hitler não chorou por milhões de mortos
E eu choro só porque você foi embora...
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