Eu Deixo a Vida como Deixo o Tedio
Eu era um texto complicado de se ler, de interpretar. Tamanha complexidade tinha, que ninguém queria ler até o fim.
Eu fui ficando cada vez mais triste, melancólico, deprimido. Já não conseguia nem comer, nem dormir direito. Já havia passado da fase de causar dó.
(...) Eu observo seus pés se moverem largados no braço do sofá e me pergunto pela milésima vez, desde que te ouvi no interfone, o que é que te faz rodar a cidade por horas e parar na minha porta sempre. Você diz que minha sala é o melhor sebo da cidade, então vem. Embora saiba que a real motivação não é essa, aceito a resposta para te fazer ficar. É sempre assim, a gente usa desculpa para tudo (...).
E justamente quando eu consigo me afastar, quando eu consigo tirar da cabeça, e chego a pensar que me desapaixonei, você volta, me envolve e me faz voltar.
Você não sabe da metade. Aliás, você não sabe de nada. Muito menos que eu passo a maioria das noites preocupado com você.
Há um tempo eu venho pensando em desistir, sair dessa loucura, mas só hoje eu tomei coragem. Não vale a pena continuar.
E lá vou eu, mais uma vez, mudar minhas roupas, meu cabelo, renovar gostos e conceitos. Acreditando que, algum dia, as outras coisas possam também mudar.
Lamentei porque não chegou a acontecer nada. Porque se ao menos tivesse acontecido, isso o que eu sinto faria mais sentido.
No meu caso, ainda que eu pense que tudo possa dar errado, que tudo sempre vai dar errado na minha vida, e que eu tenho medo de dar errado, dessa vez vou prometer que vou deixar tudo acontecer como tem que ser. De que é amor até deixar de ser.
Eu sei que vai ser sempre assim. Mas eu me engano, às vezes. Daí aparece uma pessoa do nada, mexe comigo e então eu fico exausto de fantasia. Vou e invento uma coisa que na realidade nunca existiu, que não é. E vivo aquilo, só daquilo, porque a ideia de estar sozinho chega a ser insuportável.
Eu tenho uma capacidade incrível de me apaixonar por quem eu não devo. De sofrer por quem me despreza. De pedir perdão mesmo não sendo o culpado (...).
Eu já sai dessa. Não dá mais pra continuar com essa sensação de velhice e desânimo. Há uns três meses praticamente não saio de casa, fico enjoado com tudo, tomo ódio de tudo. Perdi o contato com as pessoas que eu considerava interessantes, fico vivendo de um jeito que não é pra ser. Uma vida toda interna, lendo, pensando, maquinando, escrevendo, ouvindo música melancólica o tempo inteiro. Daí, então, hoje percebi que me sinto bem... Não dá pra explicar. Lá fora tem muita nuvem azul e anda fazendo o maior sol.
Eu pensei que esse vazio por dentro fosse o limite. Não sabia que poderia existir alguma coisa após isso, além disso.
Na terça eu já tinha pensado sobre isso, mas só agora decidi que não vou perder tempo me envolvendo com pessoas que não sejam para mim, que não tenham nada a ver. Meu foco agora não é esse.
Fui mudando pequenas coisas em mim nos últimos tempos, que quando me dei conta, eu já enxergava outra pessoa em mim. Desencanei de alguns erros e já não me exijo tanto. Houve um tempo que eu lamentava muito pelas coisas, hoje eu não sofro mais por besteira nenhuma.
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